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quinta-feira, 27 janeiro, 2022

Comércio deu a volta por cima

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Foto: Jackson Gonçalves

Apesar de desafiador, 2021 foi um ano de crescimento para o setor, que mais abriu do que fechou portas

Por Luciene Araújo e Marcelo rosa

Se, de fato, “depois da tempestade, vem a bonança”, no segundo ano de pandemia, o comércio do Espírito Santo começou a sentir na pele, ou melhor, no bolso, a veracidade desse ditado popular. Apesar da inconstância, o setor enfrentou 2021 bem mais forte do que no ano anterior.

Em 2021 frente a 2020, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento até setembro ficou em 9,1%, para o comércio restrito e, 17,6%, para o ampliado (que inclui vendas de veículos, motocicletas, partes e peças e de material de construção). Convém lembrar que, em 2020, o comércio conseguiu obter um crescimento de quase 5% em relação a 2019, nas duas modalidades da pesquisa do IBGE.

E, no auge da pandemia em 2020, ou seja, no segundo trimestre, o Estado perdeu quase 20 mil empregos formais. Só no comércio, foram 8 mil vagas. Em 2021, o setor retomou as contratações que foram perdidas no período, apontam Dados do Cadastro Geral de Empregos (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (TEM).
No acumulado de janeiro a setembro, o saldo entre admissões e demissões no comércio do Espírito Santo era positivo em quase 10 mil vagas formais de trabalho. O número representava 22% de todo o emprego gerado no Estado. O setor de serviços é o que soma a maior parcela 43% (cerca de 19 mil trabalhadores).

A explicação da Federação de Comércio do Espírito Santo (Fecomércio-ES) era a de que todos os setores produtivos tinham voltado a crescer, o que impactava diretamente na criação de empregos formais. Na ocasião, a entidade mantinha a expectativa de manutenção do ciclo positivo para os meses seguintes.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Saldo positivo

Comerciantes mais abriram do que fecharam portas no Espírito Santo, em 2021. De acordo com a Junta Comercial do Espírito Santo (Jucees), até outubro, o saldo de abertura de estabelecimentos comerciais era positivo em 8.015 estabelecimentos, resultado de uma movimentação de 15.660 constituições contra 7.645 extinções. No ano anterior, o saldo positivo de abertura foi de 4.322 estabelecimentos, consequência de uma movimentação de 13.997 constituições contra 9.675 extinções.

Na avaliação do presidente da Federação de Comércio do Espírito Santo (Fecomércio-ES), José Lino Sepulcri, esse comportamento do mercado evidencia que 2021 foi desafiador, mas um pouco menos do que o ano anterior. “Até porque, já sabíamos lidar melhor com a situação. Acompanhamos o Mapa de Gestão de Risco, estabelecido pelo governo estadual para a pandemia, que modifica semanalmente o funcionamento dos setores”, esclarece o dirigente.

Ele lembra que, após o período inicial em 2020, o comércio conseguiu reagir de forma significativa, a partir do segundo semestre e, assim, seguiu até o primeiro semestre de 2021. “As vendas do comércio conseguiram se recuperar da maior parte dos impactos negativos ocasionados pela pandemia e retornar ao patamar pré-pandemia. No entanto, a partir do segundo semestre de 2021, percebemos uma desaceleração desse crescimento”, ressalta Sepulcri.

Fonte: Fecomércio-ES

Assim, “num momento em que continuamos no enfrentamento da pandemia do Coronavírus, vemos os empresários indo do otimismo à cautela, em certos momentos. O que tem ajudado muito é que parte da população está recebendo o auxílio emergencial e também a renovação do programa de redução ou suspensão da carga de horário de trabalho, benefício estabelecido pelo governo federal, como forma de evitar demissões”, acrescenta.

No entendimento do empresário, “a partir do segundo semestre de 2021, os resultados do comércio foram impactados diretamente pela perda do poder de compra da população devido à inflação, juntamente com o aumento das taxas de juros, com o crédito ao consumo ficando mais caro”.

As atenções da Fecomércio, em 2022, se voltam para a retomada do crescimento nas vendas. Nesse sentido, para a entidade, tornam-se indispensáveis medidas estruturantes e efetivas de incentivo à atividade econômica.

“A Fecomércio e os sindicatos filiados seguem fazendo o seu papel, prezam pela saúde da sociedade capixaba e reiteram a importância da adoção das medidas sanitárias contra a Covid-19, além da prevenção e conscientização de todos os empresários, colaboradores e cidadãos”, frisa Sepulcri. Ele acrescenta que a entidade reforça o uso de máscara de proteção e do álcool em gel em estabelecimentos comerciais.

Foto: Jackson Gonçalves

Desafios fortaleceram supermercados

Os linguistas estão por aí e não deixam mentir: nunca o verbo reinventar foi tão conjugado quanto desde o início da pandemia do Coronavirus, em 2020. A propósito, no Espírito Santo, se há um setor da economia que não poupou em reinvenção, em 2021, foi o supermercadista. Por ser considerado essencial, o serviço teve que se adaptar para atender os clientes da melhor forma possível, adotando todas as medidas sanitárias, para proteger não só consumidores como funcionários das lojas.

Mesmo diante de tantos desafios, o setor evoluiu. O superintendente da Associação Capixaba dos Supermercados (Acaps), Hélio Schneider explica que, “ao longo dos anos, as maiores evoluções estão relacionadas ao uso intensivo da tecnologia, surgimento de novos e múltiplos formatos e canais de atendimento e, principalmente, à forma de se relacionar com o consumidor, que tem evoluído muito e para melhor.

Segundo ele, apesar do momento de instabilidade, as vendas nos supermercados do Estado se mantiveram estáveis, registrando até alta em alguns momentos. “Na primeira quinzena do mês de novembro, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) divulgou os dados relacionados ao consumo das famílias brasileiras, em 2021: até então, o consumo se mantinha positivo em 3,13% no acumulado do ano”.

O superintendente da Acaps ressalta que “além dos supermercados serem um serviço essencial, o entendimento é de que o cenário de pandemia incentivou as pessoas a consumir menos na rua e a se alimentar mais em seus lares”. O setor supermercadista capixaba reúne mais de 1,5 mil lojas e gera mais de 50 mil empregos diretos.

Hélio Schneider lembra que a contratação de pessoal, pelo setor, é contínua e acontece durante todo o ano. “Inclusive, é importante registrar que temos uma grande contribuição na formação da mão de obra. O supermercado é o primeiro emprego de muitos jovens”, aponta o empresário.

Alta nos preços influenciou consumidor

Um olho na esteira e, o outro, no monitor da caixa registradora. Foi assim que se comportou, em 2021, a maioria dos consumidores que frequentaram supermercados, no Espírito Santo. A preocupação maior era a de que o valor da compra ultrapassasse o orçamento. Com os preços de alguns produtos, nas alturas, houve gente que substituiu ou, até mesmo, abriu mão daquilo que pretendia colocar no carrinho.

A justificativa da Associação Capixaba dos Supermercados (Acaps), foi de que a alta nos preços é um comportamento do mercado e está relacionada a uma série de fatores: o crescimento das exportações, a produção abaixo do consumo, a entressafra e a alta do dólar, por exemplo. Nesse cenário, os supermercados se tornam apenas repassadores de preço, embutindo os seus custos na hora de comercializar as mercadorias.

O superintendente da Acaps, Hélio Schineider esclarece que, no caso da carne bovina, em especial, o aumento no preço pode ser explicado pelo fato de a proteína animal ser uma commodity. “É um alimento consumido em vários países. Como é cotado em dólar, se o dólar sobe, o preço do produto, automaticamente, sofre acréscimo”. Nesse caso, a estratégia adotada pelos consumidores foi substituir a carne bovina por outras proteínas como a carne suína e a carne de frango. E como resultado da lei da oferta e da procura, os preços dessas mercadorias também acabaram disparando.

‘Acaps Trade Show’ quebrará jejum

Depois de dois anos impedida pela pandemia de realizar a tradicional Feira da Associação da Associação Capixaba dos Supermercados (Acaps), a entidade prevê para setembro de 2022, e com novo nome, a 34ª edição do evento.

A mudança para Acaps Trade Show acompanha a evolução da Feira, ao longo dos anos, com novas parcerias, público diversificado, possibilidades de negócios mais abrangentes, além de programação variada e direcionada aos profissionais do varejo.

A crise sanitária provocada pelo Coronavirus fez com que, não só a Feira, como demais eventos do setor supermercadista, tivessem que ser adiados e/ou remodelados, nos últimos dois anos. As capacitações e palestras promovidas pela Acaps para os associados, por exemplo, passaram a adotar formato on-line. O superintendente da Acaps, Hélio Schneider frisa que, “ainda assim, como em 2020, os supermercados capixabas mantiveram o ritmo de crescimento registrado em 2020, com a abertura de novas lojas, expansão das atividades e ampliações e reformas de lojas”.

Para 2022, a expectativa da Acaps é positiva. “Principalmente, a partir do segundo semestre, já que teremos ainda muitos ajustes a serem feitos na economia por conta da pandemia. Esperamos um mercado mais estável e uma produção equilibrada, com estabilidade na própria economia e, consequentemente, benefícios para o consumidor”, antecipou Hélio Schneider.

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