A inclusão das pequenas empresas no conjunto de práticas ESG é a chave para uma economia mais sustentável
Por Erik Oakes
“ESG é para todos? Os desafios e oportunidades das pequenas empresas” foi o tema do debate promovido pela ES Brasil nesta quinta-feira (12), reunindo especialistas para refletir sobre os caminhos possíveis — e os obstáculos — para pequenas e médias empresas (PMEs) que desejam se inserir em práticas sustentáveis, sociais e de governança.
O encontro teve a participação de Daniela Klein, curadora do Sustentabilidade Brasil; Luiz Fernando Schettino, mestre e doutor em Ciência Florestal; e Marília Silva, economista-chefe da Findes. O ponto de partida da conversa foi a pergunta que norteia o momento atual do setor produtivo: ESG é um modelo acessível a todos, ou um privilégio das grandes corporações?
Para Daniela Klein, o grande entrave para as pequenas empresas é, antes de tudo, o entendimento sobre o que, de fato, é ESG. “Mais de 90% de grandes empresas listadas na bolsa, por exemplo, já até publicaram relatórios de sustentabilidade. Em relação às pequenas empresas, isso aí ainda é um pouco mais nebuloso, sabe? Essas empresas ainda não conseguiram entender exatamente o que que é o ESG. Ele acaba sendo muito associado com prática ambiental puramente dita. Isso não é uma verdade e impede aí que as pequenas também adotem a agenda de uma forma correta”, explica.
Luiz Fernando Schettino reforçou que as grandes empresas foram historicamente pressionadas pela sociedade e pela mídia, o que impulsionou a criação de estruturas e estratégias voltadas à sustentabilidade. “Elas entenderam e, no meu entender, vão cada vez mais buscar ser sustentáveis para evitarem os desgastes que por ventura tenham… Pelo impacto que a mídia tem nelas, pelas pressões que sofreram e pela consciência que acabaram adquirindo, se tornaram melhores para compreender que precisam fazer ações que envolva a sociedade, que envolva os seus interesses econômicos e que envolva a sua governança”, disse o doutor, que ainda defendeu a simplificação dos processos de licenciamento, mas sem abrir mão da responsabilidade ambiental.
Já Marília Silva destacou que, apesar das limitações, as micro e pequenas empresas já demonstram conhecimento sobre a pauta. “Das duas pesquisas que a gente fez, o ESG é de conhecimento das empresas de uma forma geral. A grandes empresas claramente têm incentivos… mas a gente vê que as micro e pequenas empresas têm conhecimento da temática”, pontuou.
Durante o debate, também foram discutidos temas como a pressão das grandes corporações sobre seus fornecedores, a necessidade de políticas de apoio por parte dos governos e bancos, e os riscos para empresas que optarem por não aderir a práticas sustentáveis.
O consenso entre os participantes foi claro: o ESG não pode ser visto como uma obrigação exclusiva das grandes empresas. Para que o modelo seja verdadeiramente transformador, é preciso incluir as pequenas, oferecendo suporte, orientação e um ambiente de negócios mais acessível à sustentabilidade.

