Falar sobre prevenção do câncer de pele é também reforçar a necessidade de atenção às áreas mais expostas
Por Marco Homero de Sá
A pele é o maior órgão do corpo humano e a proteção contra os raios solares é o necessário mote da campanha Dezembro Laranja, que conscientiza sobre o câncer de pele, reforça a necessidade da fotoproteção diária e da observação cuidadosa da própria pele. No entanto, permanece pouco debatido o fato de as regiões de cabeça e pescoço seguirem entre as mais vulneráveis e, paradoxalmente, entre as mais negligenciadas nos cuidados de proteção solar.
O couro cabeludo, as orelhas, o rosto, os lábios e o pescoço recebem radiação solar direta todos os dias, acumulando danos ao longo da vida. Ainda assim, grande parte da população deixa de aplicar protetor solar nessas áreas, seja por falta de hábito, desconhecimento ou pela falsa percepção de que o cabelo funciona como barreira eficaz, o que não se confirma na prática clínica.
Essa negligência ajuda a explicar por que a especialidade de cabeça e pescoço continua atendendo numerosos casos de câncer de pele para a remoção. Lesões no couro cabeludo são frequentemente percebidas apenas em estágios avançados, dada a dificuldade de auto percepção de feridas nessa região.
Feridas persistentes na orelha, muitas vezes atribuídas a pequenos traumas ou irritações, acabam sendo diagnosticadas como carcinomas apenas bastante tempo depois. E, no tratamento do câncer, o tempo é um fator fundamental para melhor o prognóstico e, no caso dos tumores de cabeça e pescoço, reduzir a área operada, evitando mutilações.
Nesse contexto, o Dezembro Laranja precisa ampliar seu alcance. Falar sobre prevenção do câncer de pele é também reforçar a necessidade de atenção às áreas mais expostas. Chapéus e bonés, protetores solares adequados, reaplicação frequente e acompanhamento médico diante de qualquer ferida ou mancha que não cicatrize devem fazer parte das orientações centrais da campanha.
Há um consenso entre especialistas de que a detecção precoce é o caminho mais eficaz para evitar cirurgias complexas e sequelas funcionais e estéticas que podem ser altamente limitantes. Por isso, a população deve ser estimulada a examinar regularmente a pele da cabeça e do pescoço, regiões que, apesar de visíveis, muitas vezes passam despercebidas.
Marco Homero de Sá é cirurgião de cabeça e pescoço do Instituto Tireoide.


