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Brasileiros leem menos e desafios de conquisar leitores se refletem no ES

Pesquisadores identificaram que hábito de leitura tem se modificado e até diminuído ao longo dos anos 

Por Mariah Friedrich

58% dos brasileiros não leem ou sentem que perderam o hábito da leitura no decorrer dos anos. É o que revela uma pesquisa realizada recentemente pela plataforma Preply com 500 pessoas de todas as regiões do país. As principais razões apontadas pelos entrevistados para essa queda foram demandas de trabalho, tarefas domésticas e grande volume de tempo gasto em redes sociais, o que traz impactos na formação intelectual da população.

O estudo “Retratos da Leitura” coletou informações sobre experiências com os livros, gostos literários e ambientes que os brasileiros consideram mais propícios para se dedicar a uma nova história e os resultados destacam preocupações sobre os rumos da cultura no país e seus reflexos no contexto estadual.

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O vice-presidente da Academia Espírito-santense de Letras, Anaximandro Amorim, e o proprietário da Editora Cousa, Saulo Ribeiro, ressaltaram que o cenário cultural capixaba reflete os padrões observados na pesquisa nacional da Preply.

Para Saulo Ribeiro, que também pesquisa sobre formação e manutenção de leitores pelo programa de Mestrando em Ensino de Humanidades do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), a desigualdade de acesso é um dos desafios para a promoção do hábito de leitura do Espírito Santo.

Brasileiros leem menos e desafios de conquisar leitores se refletem no ES
Saulo Ribeiro é proprietário da Cousa, uma das principais editoras em atividade no ES – Foto: Acervo pessoal

“Enquanto as escolas de elite possuem festivais literários, clubes de leitura, os livros estão acessíveis e há um estímulo ao consumo, nas escolas populares há ainda pouco investimento para criação de um ambiente de leitores”, aponta Saulo.

O escritor, advogado e professor Anaximandro Amorim também apontou o problema do valor do impresso e a dificuldade de distribuição para fazer as obras chegarem ao público, mas afirma que os jovens não perderam necessariamente o hábito de ler.

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Brasileiros leem menos e desafios de conquisar leitores se refletem no ES
Anaximandro Amorim é advogado, professor e escritor, membro da Academia Espírito-santense de Letras, Academia de Letras de Vila Velha e Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo – Foto: Acervo pessoal

“A garotada anda lendo muito, só não lê o que a gente quer que ela leia. Também acho que o suporte anda mudando do livro em papel para a tela. Aliás, com a internet, nunca se escreveu/leu tanto: tudo parte da palavra escrita. Vejo as redes sociais com bons olhos”, analisa Anaximandro.

Apesar disso, os entrevistados pelo estudo da Preply destacaram que as redes sociais (58,8%), ao lado de programas de TV, filmes e séries (35,2%) geralmente interferem na disposição para a leitura. Confira o ranking com os principais impeditivos identificados no levantamento.

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Livro físico continua em alta para os amantes da leitura

Os resultados também revelam que entre os que se consideram amantes da literatura, há uma diversidade de rituais, escolhas e preferências relacionadas à leitura. O livro impresso permanece como a opção favorita para a maioria, contrastando com alternativas digitais como e-books e audiolivros.

Adaptar-se aos novos formatos e canais de comunicação, como as redes sociais, para promover a leitura é uma tarefa imposta por esse cenário, como avaliam o vice-presidente da AEL, Anaximandro Amorim, como o proprietário da Editora Cousa, Saulo Ribeiro.

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“Há uma demanda pelo e-book e isso é saudável. Acredito que os formatos dialogam e o físico não tende a desaparecer”, considera Saulo Ribeiro.

A pesquisa também abordou a leitura em outros idiomas, destacando que apenas uma parcela reduzida dos entrevistados se sente confortável para ler livros estrangeiros em seus idiomas originais. O principal motivo apontado pelos respondentes foi a limitação de vocabulário, como mostra a tabela a seguir:

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Entre os gêneros literários, os preferidos são os livros de ficção (49,2%), seguidos pela autoajuda (44,6%).

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O vice-presidente da AEL, Anaximandro Amorim, como o proprietário da Editora Cousa, Saulo Ribeiro, enfatizaram a importância das bibliotecas para a promoção da leitura e do livro. “Muitas crianças têm nelas o primeiro acesso, pois poucos são os lares que constituem suas próprias bibliotecas”, acrescenta, Anaximandro Amorim.

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