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Brasil avança em IA: integração real transforma negócios e serviços

Multimodalidade, agentes autônomos e Open Finance impulsionam soluções práticas, enquanto regulação e capacitação definem o futuro do setor

Por Thamiris Guidoni

Um dos assuntos mais comentados em 2025 promete dominar 2026: o uso da inteligência artificial (IA) segue em expansão e deve deixar de ser apenas uma demonstração pontual para se tornar parte estruturante de processos de negócio.

A avaliação é de Danilo G. Moreira, CGO e cofundador da StaryaAI, com base em marcos regulatórios recentes e em dados de investimentos em setores-chave da economia.

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Segundo Moreira, “o grande ganho até 2026 não virá de projetos de IA isolados, mas da combinação de três elementos: dados transacionais confiáveis, agentes e copilotos integrados a processos reais, e uma camada robusta de governança e evidências para reguladores e clientes.”

Ele afirma que, para pequenas e médias empresas, a oportunidade está em soluções de IA “prontas para uso”, com retorno rápido e boas práticas de segurança e compliance já incorporadas, enquanto o maior risco é ficar à margem por falta de qualificação, integração de dados e estratégia de longo prazo.

O especialista explica que a principal mudança será menos foco em “provas de conceito isoladas” e mais em IA incorporada a fluxos críticos, como atendimento, vendas, finanças e operações.

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Modelos multimodais, que combinam texto, imagem, áudio e vídeo, já disponíveis nas grandes nuvens, passam a atuar diretamente em canais de contato com o cliente, análise de documentos, suporte a compliance e sistemas corporativos como CRM, ERP e ITSM. Paralelamente, a chamada Agentic AI, agentes que tomam decisões, acionam ferramentas e colaboram entre si, deixa de ser apenas uma buzzword e passa a integrar roadmaps de produto e operações, exigindo governança, trilhas de auditoria e humano no loop em decisões sensíveis.

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Na área de produtividade, copilotos horizontais (e-mail, ofimática, CRM) e verticais (saúde, jurídico, finanças, manufatura) começam a mostrar ganhos mensuráveis em tarefas de conhecimento, embora de forma desigual entre setores e empresas. Estudos internacionais indicam que o impacto varia por tarefa, nível de preparo organizacional e investimentos em qualificação e reorganização de processos.

Em paralelo, cresce a chamada “IA regulatória”, com ferramentas para avaliação de risco, gestão de modelos, geração de relatórios de impacto e evidence logging, impulsionadas por normas como NIST AI RMF, ISO/IEC 42001 e EU AI Act.

No setor financeiro, o Brasil já está entre os mais avançados no uso de IA. A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2025 projeta que o orçamento em IA, analytics e big data dos bancos cresça de R$ 1,12 bilhão em 2024 para R$ 1,8 bilhão em 2025, enquanto o orçamento em Open Finance sobe cerca de 65%.

Com mais de 100 milhões de consentimentos ativos e dezenas de milhões de contas conectadas, o Open Finance cria uma infraestrutura de dados transacionais que favorece crédito mais granular, detecção de fraude e recomendações financeiras personalizadas.

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Em outros setores, a adoção é mais heterogênea, mas deve se intensificar até 2026. Na saúde, a Estratégia Brasileira de IA e o Plano Brasileiro de IA priorizam telemedicina, apoio ao diagnóstico e gestão de filas, com ganhos esperados principalmente em administração, faturamento e suporte clínico, desde que respeitados privacidade e validação técnica.

No varejo, soluções como a assistente Bah.IA, da Casas Bahia, mostram redução de tempo de espera e ganhos de eficiência em atendimento e vendas, enquanto IA generativa passa a apoiar descrição de produtos, segmentação e campanhas. No setor público, a combinação de maturidade em governo digital e discussões sobre ética e transparência favorece o uso de IA em atendimento ao cidadão, combate a fraudes e gestão de benefícios, sob o guarda-chuva da LGPD e atuação da ANPD.

O especialista destaca que o triângulo formado por regulação, pequenas e médias empresas e mercado de trabalho será decisivo para o saldo da IA até 2026. “O PL 2338/2023, a LGPD, a EBIA e o PBIA 2024–2028 apontam para uma regulação baseada em risco, com transparência, documentação e governança como requisitos mínimos, em linha parcial com o EU AI Act”, observa.

Estimativas internacionais indicam que o mercado de IA no Brasil pode superar US$ 11 bilhões até 2030, com impacto de 6% a 8% no PIB, desde que haja forte investimento em qualificação e infraestrutura.

Moreira prevê que o período até 2026 será marcado por um movimento de “saída do piloto” em diversas organizações, com IA integrada a processos de atendimento, comercial, back-office e TI. Ele recomenda mapear dados e governança, definir políticas internas de uso, estruturar comitês de IA, criar trilhas de capacitação para operação e liderança e priorizar casos de uso com ROI de até 90 dias, especialmente em setores já digitalizados.

“Em paralelo, ferramentas de catalogação de modelos, model cards, logging e relatórios de impacto devem se tornar parte do dia a dia de times de produto, risco e compliance”, ressalta.

Entre as tendências plausíveis para 2026 estão crédito e onboarding mais rápidos combinando Open Finance e IA; serviços públicos com assistentes digitais mais acessíveis; uso ampliado de agentes e tutores multimodais em saúde e educação; e legado do projeto Drex mais visível em tokenização e contratos inteligentes.

“O Brasil tende a se destacar em finanças digitais, em uma regulação pragmática de IA e em soluções voltadas a mercados emergentes, enquanto enfrenta desafios de qualificação, fragmentação de dados e maturidade de governança em parte das organizações”, conclui Moreira.

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