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Equilíbrio fiscal impulsiona inovação no Espírito Santo

Com contas equilibradas e dívida sob controle, o Estado amplia investimentos e avança rumo a uma economia de tecnologia e conhecimento

Por Geilson Ferreira

A saúde fiscal do Espírito Santo revela um dos ativos mais estratégicos — e muitas vezes invisíveis — da economia estadual: a capacidade consistente de equilibrar contas públicas e, ao mesmo tempo, sustentar investimentos estruturantes. Em um cenário nacional historicamente marcado por restrições orçamentárias, o Estado se destaca por manter uma trajetória de responsabilidade fiscal que amplia sua margem de ação no presente e no futuro.

Os dados mais recentes indicam um tripé sólido: crescimento sustentado da receita, geração recorrente de superávits primários e uma posição confortável em relação à dívida. A Receita Corrente Líquida (RCL), segundo dados das Secretarias de Fazenda e do Tesouro, manteve-se em patamar elevado nos últimos anos, com evolução relevante até 2023 e estabilidade recente, refletindo tanto o dinamismo econômico quanto ajustes conjunturais de arrecadação. O Espírito Santo vem consolidando, ao longo dos últimos anos, uma das estruturas fiscais mais sólidas do país. Dados recentes indicam que o estado não apenas mantém suas contas em equilíbrio, como também opera em uma situação incomum entre entes subnacionais: possui mais recursos em caixa do que dívidas a pagar.

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A principal evidência dessa condição está na trajetória da Dívida Consolidada Líquida (DCL), indicador calculado pela Secretaria do Tesouro Nacional que mede o nível de endividamento em relação à Receita Corrente Líquida (RCL). Gráfico 1

Esse desempenho sustenta um dos indicadores mais importantes da gestão pública: o resultado primário. O Espírito Santo registra superávits consecutivos desde 2019, incluindo um saldo positivo recente na casa de centenas de milhões de reais, um indicativo claro de capacidade de financiar suas despesas correntes sem recorrer ao endividamento. Na prática, isso significa que o Estado gasta menos do que arrecada antes do pagamento de juros. Um sinal claro de equilíbrio estrutural.Equilíbrio fiscal impulsiona inovação no Espírito Santo

Ainda mais expressivo é o comportamento da dívida consolidada líquida. Os dados apontam para um cenário raro entre estados brasileiros: dívida líquida negativa em relação à RCL, segundo informações do Tesouro Nacional. O que sinaliza que os ativos financeiros superam os passivos, colocando o Espírito Santo em uma posição de solvência fiscal diferenciada e com ampla capacidade de absorver choques econômicos.

Esse conjunto de indicadores não é apenas um retrato contábil. Na prática, define o espaço de atuação do Estado. Uma gestão fiscal equilibrada se traduz diretamente em capacidade de investimento. E é justamente nesse ponto que o Espírito Santo começa a transformar a estabilidade em desenvolvimento. A capacidade de investimento próprio do Estado atingiu, em 2025, um dos níveis mais elevados de sua série histórica, consolidando um ciclo de fortalecimento fiscal que se intensificou nos últimos anos. Gráfico 2

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Equilíbrio fiscal impulsiona inovação no Espírito Santo

Os investimentos públicos recentes, que alcançam bilhões de reais e representam uma fatia relevante da receita estadual, evidenciam essa conversão. Recursos vêm sendo direcionados para infraestrutura logística, mobilidade urbana e projetos ambientais: áreas que não apenas melhoram a qualidade de vida, mas também aumentam a competitividade econômica capixaba. Em um cenário nacional marcado por restrições fiscais e baixa capacidade de investimento, o Espírito Santo construiu uma trajetória que desafia o padrão brasileiro. Ao longo dos últimos anos, o estado não apenas ampliou seus aportes em infraestrutura, mobilidade e meio ambiente, como consolidou um modelo raro de investimento sustentado.

Os números são eloquentes. Após um piso de R$ 1,8 bilhão em 2020, ainda sob o impacto da pandemia, os investimentos avançaram de forma acelerada, alcançando R$ 3,8 bilhões em 2022 e chegando a R$ 5,1 bilhões em 2025. Em apenas cinco anos, o volume praticamente triplicou. Um crescimento acumulado de 183%, muito acima do observado na maioria dos estados brasileiros. Os dados do Departamento de Edificações e de Rodovias (DER-ES), por exemplo, mostram um ciclo ativo de investimentos na malha rodoviária, com centenas de quilômetros em obras e avanço contínuo da pavimentação . Esse tipo de investimento só é possível em um ambiente fiscal estável, onde o Estado consegue planejar no médio e longo prazo sem comprometer suas finanças. Mas o impacto mais estratégico dessa solidez aparece em uma agenda menos tangível e mais transformadora: a economia do conhecimento.

O Espírito Santo vem construindo, ainda que de forma gradual, uma base relevante em ciência, tecnologia e inovação. O ecossistema inclui milhares de empresas de tecnologia, crescimento no número de empregos qualificados e programas estruturantes de fomento, como editais de fundações de amparo à pesquisa, iniciativas de apoio a startups e políticas de incentivo à inovação. Embora não exista um número único consolidado de investimento anual em Ciência, Tecnologia e Inovação, as evidências institucionais indicam um esforço contínuo do Estado em fortalecer esse setor. Programas como apoio a startups, desenvolvimento tecnológico e pesquisa aplicada mostram uma estratégia clara: diversificar a economia e reduzir a dependência de setores tradicionais.

Entre milhares de pequenas empresas e centenas de startups, o Espírito Santo constrói silenciosamente uma economia digital robusta, menos concentrada, mais distribuída e em rápida transformação. Gráfico 3

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Esse movimento é reforçado pela crescente participação da tecnologia na estrutura econômica estadual, tanto em geração de empregos quanto em valor agregado. Ainda que o setor represente uma fatia menor quando comparado à indústria extrativa ou logística, seu crescimento é consistente e, sobretudo, estratégico.

Equilíbrio fiscal impulsiona inovação no Espírito Santo

Entre 2020 e 2025, o número de trabalhadores formais em atividades de tecnologia no Espírito Santo deve saltar de cerca de 12 mil para 20 mil, um crescimento superior a 60% em apenas cinco anos. A trajetória, sustentada e sem rupturas, reflete um movimento mais amplo de digitalização da economia, intensificado pela pandemia e consolidado nos anos seguintes. A leitura econômica é clara: o setor de tecnologia avança como um vetor estratégico, ainda que sua participação no PIB estadual (estimada em torno de 5%) deva ser interpretada com cautela, dada a ausência de mensuração direta consolidada. Gráfico 4

Equilíbrio fiscal impulsiona inovação no Espírito Santo

Os dados, baseados em estimativas do Observatório da Indústria (Findes), indicam não apenas expansão quantitativa, mas também uma mudança qualitativa no perfil do mercado de trabalho. São empregos de maior qualificação, maior renda e forte capacidade de transbordamento para outros setores produtivos. A conexão entre equilíbrio fiscal e inovação é direta. Estados com contas desorganizadas tendem a cortar investimentos em áreas como ciência e tecnologia, consideradas não essenciais no curto prazo. Já o Espírito Santo, ao manter disciplina fiscal, cria espaço para investir justamente nos setores que moldam o futuro.

O desafio, no entanto, permanece. A base tecnológica ainda é fragmentada, os investimentos em inovação carecem de maior escala e o ecossistema precisa de maior integração com universidades, setor produtivo e capital privado. Em outras palavras, há avanço, mas ainda longe do potencial máximo. No balanço geral, o Espírito Santo apresenta um caso raro no país: uma combinação de rigor fiscal com capacidade de investimento e visão estratégica. A solidez das contas públicas não apenas garante estabilidade, mas também se transforma em instrumento ativo de desenvolvimento.

Equilíbrio fiscal impulsiona inovação no Espírito Santo

Ao longo dos últimos anos, o Estado estruturou um conjunto consistente de políticas públicas voltadas à inovação, ancoradas principalmente na atuação da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (FAPES) e em iniciativas como o Tecnova e o StartupES. Gráfico 5

Se bem direcionada, essa vantagem pode posicionar o estado não apenas como um polo logístico eficiente, mas como um território cada vez mais competitivo na economia do conhecimento. O futuro, nesse caso, começa no equilíbrio das contas.

Essa entrevista foi publicada originalmente na edição 233 da Revista ES Brasil — ES Em Números.

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