Grandes armadores mundiais estão investindo cada vez mais em suas empresas de cabotagem

Por Carla Rios do Amaral
Morar em um país tropical, bonito por natureza e com mais de oito mil quilômetros de costa é um atributo que não se presta apenas à música, à cultura e ao turismo. Trata-se também de um grande diferencial do ponto de vista logístico.
Falamos aqui da cabotagem, modalidade de transporte marítimo que conecta portos de um mesmo país e vem ganhando espaço no Brasil como alternativa logística estratégica com um expressivo potencial de crescimento.
Hoje, apenas cerca de 11% da carga transportada internamente no Brasil vai por mar, enquanto há países como o Japão com índices de 44% ou como a União Europeia, com 32%, se beneficiando de atributos como eficiência, menor impacto ambiental e custos competitivos em relação ao transporte rodoviário de longa distância.
Em busca desses ganhos e da otimização dos recursos logísticos que se configura como uma das principais demandas do País, há um movimento no Brasil no sentido de ampliar possibilidades e tornar os números da cabotagem um pouco mais proporcionais à favorabilidade da nossa geografia. Não é a toa que vemos os grandes armadores mundiais investindo cada vez mais em suas empresas de cabotagem.
As ações nesse sentido “navegam” em diversas direções. De um lado, há medidas regulatórias como o programa BR do Mar, que tem como objetivo reduzir burocracias, aumentar a frota de embarcações e estimular a concorrência, ampliando a participação da cabotagem no escoamento da produção nacional.
Há ainda ações no sentido de estruturar nossos portos, investir em modernização e implementar melhorias focadas na eficiência para tornar a atividade cada vez mais atrativa. E, nesse aspecto, o Espírito Santo trabalha para sair na frente.
Temos no Estado a Vports – primeira e única Autoridade Portuária do País, responsável pela gestão dos portos de Vitória, Vila Velha e Barra do Riacho. Em três anos de concessão, a empresa investiu em infraestrutura e modernização, além de ter firmado 14 novos contratos, gerando negócios e impulsionando o desenvolvimento econômico.
O número impressiona, principalmente, ao se levar em conta que, antes da concessão, a média era de um novo contrato a cada quatro anos. Ao mesmo tempo, há uma importante iniciativa que une setor público e privado no sentido de tornar o Espírito Santo um novo hub logístico para o Brasil, se materializando no Parklog, em Aracruz.
Trata-se de um projeto único, de grande porte, que se propõe a unir forças do Poder Público e da iniciativa privada para que o Estado se aproprie com inovação, dinamismo e estratégia daquilo que já tem: a localização estratégica e a vocação portuária.
Trabalhamos juntos em prol de uma nova fase para o Estado e, no caso específico do Parklog, caberá à Vports o desenvolvimento da área green field de 520 mil metros quadrados do Porto de Barra do Riacho, em fase de licenciamento ambiental junto ao Iema, para se tornar um porto multipropósito.
A cabotagem já é uma realidade em nossos portos capixabas e terá um papel ainda mais relevante no Brasil nos próximos anos, especialmente ao considerarmos sua contribuição para a agenda ESG. O potencial é enorme como é enorme a costa brasileira: são oito mil quilômetros de mar. E, nós, do Espírito Santo, estamos estrategicamente no centro dessa riqueza. Cabe a nós seguir firmes na busca dessa posição central também no que diz respeito à logística, à infraestrutura e à eficiência.
Carla Rios do Amaral é gerente comercial da Vports.

