A agricultura familiar é responsável por 75% dos estabelecimentos rurais do Espírito Santo, garantindo alimentos frescos, renda e inclusão social

Por Ronan Campos
A agricultura familiar tem papel fundamental no abastecimento alimentar do Espírito Santo, sendo responsável por grande parte da produção de alimentos consumidos no estado. De acordo com o último Censo Agropecuário, cerca de 75% dos estabelecimentos rurais do estado são de agricultura familiar, sendo esta composta por pequenos produtores rurais, os quais não apenas movimentam economias locais, como também fomentam a segurança alimentar, inclusão social e sustentabilidade ambiental.
Nos últimos anos, o estado obteve avanços significativos no fortalecimento da agricultura familiar, embora ainda enfrente desafios estruturais e logísticos que limitam seu pleno desenvolvimento. Entre os principais avanços está a ampliação de políticas públicas voltadas ao pequeno produtor. Iniciativas como o “Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)”, o “Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)”, o acesso a credito rural via “Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)” e o “Fundo Social de Apoio à Agricultura Familiar (Funsaf)” têm estimulado a produção e a comercialização da produção agrícola familiar, garantindo renda e apoio aos produtores e alimentos saudáveis às escolas e instituições públicas.
Outro ponto relevante é a valorização dos circuitos curtos de comercialização, como feiras livres, que aproximam produtores e consumidores, não apenas reduzindo os custos com intermediários, mas também fortalecendo a economia regional ao promover o consumo de produtos frescos e de origem conhecida. Além disso, o estado tem investido em capacitação técnica e acesso à assistência técnica por meio do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o que tem contribuído para a melhoria da produtividade e da gestão das propriedades familiares.
Apesar dos avanços, ainda existem barreiras a transpor. Uma das principais é a dificuldade de escoamento da produção, especialmente em áreas rurais mais isoladas, devido à precariedade da infraestrutura viária aliada à carência de sistemas de armazenamento – o que compromete a eficiência da cadeia de abastecimento. Além disso, o acesso limitado à tecnologia, à internet e à mecanização ainda são obstáculos para muitos agricultores familiares, dificultando a modernização das atividades e freando o aumento da produtividade.
A sucessão rural é outro gargalo na agricultura familiar. O envelhecimento da população do campo e o desinteresse dos jovens pela vida no meio rural ameaçam a continuidade da agricultura familiar. Quase 20% dos agricultores rurais têm mais de 65 anos e menos de 12% estão na faixa abaixo de 35 anos. Devido a isso, torna-se necessário criar políticas públicas que incentivem a permanência do jovem no campo, com acesso à educação, crédito e oportunidades de inovação.
As perspectivas para o fortalecimento da agricultura familiar no Espírito Santo passam pela ampliação de investimentos em infraestrutura, tecnologia e organização da produção. A integração entre produtores, cooperativas, governo e iniciativa privada pode criar cadeias produtivas mais robustas e sustentáveis. Para que a agricultura familiar seja ainda mais valorizada, deve-se enfrentar os desafios hoje existentes com políticas públicas e planejamento integrado, garantindo assim o crescimento do seu papel no abastecimento alimentar do estado capixaba.
Ronan Campos é técnico agrícola da Ceasa-ES.
*Artigo publicado originalmente na revista ES Brasil nº 228, de agosto de 2025. Leia a edição completa do Agro aqui.

