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Bets ameaçam até gastos com turismo

Impacto na quitação de contas e consumo no varejo preocupa entidade e movimenta políticos

Por Kikina Sessa

Levantamento feito pelo Itaú mostrou que os brasileiros perderam R$ 23,9 bilhões em apostas esportivas entre junho de 2023 e junho deste ano, com impacto principalmente sobre os mais pobres. Segundo o estudo, as bets movimentaram no total cerca de R$ 68,2 bilhões no país no período.

Outro dado que consta em relatório do Santander mostrou que, desde 2018, o percentual da renda familiar gasto com apostas passou de 0,8% para 1,9%, podendo chegar a 2,4%, de acordo com estimativas feitas com base em dados do Banco Central.

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Ao mesmo tempo, o dinheiro reservado para compras de varejo, que incluem alimentos, roupas, móveis, eletrônicos, produtos de beleza e medicamentos, entre outros, perderam espaço. De um pico de 63% em 2021, chegou a 57% em 2023.

A consultoria Strategy& indica que o gasto com apostas já representa o equivalente a 76% das despesas de lazer e cultura das classes D e E. Isso significa que essa fatia da população tem deixado de ir ao teatro ou ao cinema para fazer apostas, por exemplo.

Para o turismo, em particular o turismo doméstico, o impacto é preocupante pois se trata de atividade facilmente descartável da lista de prioridades em momentos de cortes no orçamento familiar. Por não haver gastos frequentes, e demandar poupança, é o recurso das viagens que pode estar mais ameaçado pela ilusão dos ganhos rápidos.

O economista José Antônio Buffon reforça que as apostas on-line se tornaram uma captura de renda das famílias, sobretudo de baixa renda. “Vende uma ilusão e é uma drenagem de recursos fabulosa. Os cassinos físicos, ao contrário dos on-line, desenvolvem o turismo, a hospedagem, o transporte, a alimentação, é um incentivo à cadeia de serviços. Mas as bets são um negócio nefasto, sem transparência”.

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Ação

Atendendo a ação protocolada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) que pede que o Supremo Tribunal Federal (STF) declare inconstitucional a lei que regulamenta as apostas esportivas on-line no Brasil, conhecidas também como bets, o ministro Luiz Fux, do STF, marcou para 11 de novembro audiência pública sobre o tema. 

Deputados e senadores também protocolaram nos últimos dias diversos projetos para revisar a lei das bets. Entre as medidas sugeridas pelos parlamentares, estão a limitação dos valores de apostas para beneficiários de programas sociais e a proibição de publicidade das bets e até de transferências por Pix para apostas.

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