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sexta-feira, 18 junho, 2021

Autodestruição

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Essa pandemia apenas acelerou o estado de putrefação da imprensa. É incrível como estamos vendo em nossos dias a deterioração das condições inalienáveis da imprensa

Por J.E.Conti

Tenho que confessar que faço parte da geração que assistiu ao Repórter Esso, logo, se viciou em notícias. Os jornais adquiriram uma credibilidade que os tornavam porta-vozes de toda uma nação. É verdade que tínhamos nossas torcidas, seja pelo Globo, Jornal do Brasil, Estadão …ou seja, dizer qual o jornal que lia de certa forma identificava sua personalidade.

Boa parte desses órgãos evoluiu, cresceu, outros ruíram, mas uma coisa eles nunca perderam: o poder de formar uma geração de pensadores e comentaristas que conseguiam extrair daquelas poucas linhas todo um enredo fidedigno à realidade.

Mas tudo mudou em menos de duas décadas, quando a filosofia Gramsciniana adentrou as portas de forma poderosa e destruiu por dentro toda uma fortaleza que achávamos inexpugnável. Essa pandemia apenas acelerou o estado de putrefação da imprensa. O grande sábio Salomão disse certa vez que a sabedoria reside em conhecer o tempo e o modo de dizer as coisas. É incrível como estamos vendo em nossos dias a deterioração dessas condições inalienáveis da imprensa.

Ao desprezar o fato mais importante do 1º Maio, o apoio de milhões de brasileiros ao presidente Bolsonaro, nossa imprensa negacionista e parcial cortou mais um pedaço da sua própria carne. A ex-grande e poderosa imprensa está ruindo de dentro para fora. Boa parte dela está à beira da falência e talvez por orgulho ou empáfia ela demorara muito a reagir contra o verdadeiro grande inimigo: as mídias sociais e a internet. O governo atual está apenas jogando a pá de cal com o corte ou o redirecionamento das verbas, para alívio da emissora do bispo, já que a receita das igrejas está minguando a passos largos.

Mas voltemos ao tempo e aos modos e me perdoem citar mais uma vez a velha Bíblia, mas um dos profetas disse que deveríamos ter muito cuidado quando começassem a inverter as coisas, tipo, chamar o bom de mal e o mal de bom, de claro o escuro e de escuro o claro, de doce o que é amargo e de amargo o que é doce. Qual o problema disso? Não é uma simples questão de verdade e mentira, é que a inversão de valores (chamar a mentira de verdade) destruirá nossa sabedoria e, destruindo nossa sabedoria, não conseguiremos conhecer o tempo e o modo de dizer as coisas… entende agora por que a imprensa brasileira perdeu o rumo da vida? Ao optar pela filosofia de Gramsci, se ensoberbeceu, que é o primeiro passo para a ruína. É verdade que deu um azar muito grande de, junto com sua derrota para a internet, ainda perdeu as verbas fáceis do governo. Quanta ironia, quem deveria enxergar o futuro foi atropelado pela realidade.

O que resta para a imprensa? O desespero. Ela sabe que a morte já está decretada, mas à semelhança de Don Quixote, resolveu gastar seu restinho de lucidez contra inimigos imaginários, levando junto seu fiel escudeiro, a credibilidade, na esperança de que estará defendendo a honra da sua doce Dulcinéia. Está de fato se iludindo cada vez mais no mundo de ficção. O brasileiro está amadurecendo e ficando mais capaz de analisar os fatos. Quem não está maduro são os chineses que estão avidamente comprando as empresas de notícias brasileiras talvez enfeitiçados pela possibilidade de fazer o que quiserem e falar o que desejam, estão se metendo na maior arapuca do século XXI.

Será a nossa vingança, se eles querem nossas riquezas, como diria Odorico Paraguaçu, tem que levar de troco nossa imprensa “malcaratista e comunista do terceiro mundista”.

Joe Conti ([email protected]) é engenheiro, consultor, empresário e escritor.

ES Brasil Digital

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