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segunda-feira, 17 junho, 2024

Ato de 25 de fevereiro tem identidade e pode marcar rumo das Eleições 2024

Manifestação pró-Bolsonaro demonstrou força da direita para eleições que se aproximam; ES Brasil traz análise de perfil e impactos

Por Robson Maia

O ato a favor do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), realizado no último domingo (25), na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), deixou um recado bem claro: mesmo com a derrota no pleito eleitoral de 2022, o bolsonarismo segue muito vivo. Às vésperas das eleições municipais, a ES Brasil analisa o perfil dos presentes na manifestação e quais os possíveis impactos para as disputas envolvendo o PL no Brasil e no Espírito Santo.

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De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o cálculo da Polícia Militar é de que aproximadamente 600.000 pessoas se concentraram na principal avenida de São Paulo durante a manifestação. Esse número sobe para cerca de 750.000, quando considerada as ruas adjacentes à Paulista.

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se reúnem em manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, em 25 de fevereiro de 2024
Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se reúnem em manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, em 25 de fevereiro de 2024 – Foto: Reprodução/Redes Sociais

Bem longe de ser considerado um fracasso, como esperado por alguns opositores, o movimento surpreende por um outro detalhe: os presentes não se faziam por uma demonstração de força para as Eleições 2024. A motivação foi um sinal de apoio a Bolsonaro diante dos avanços das investigações sobre o ex-presidente no inquérito que apura um possível golpe de Estado orquestrado pela cúpula bolsonarista. No entanto, o recado acabou sendo esse: o bolsonarismo segue forte.

O analista político Darlan Campos comentou sobre os números relatos por veículos de imprensa. Para ele, independente da divergência entre os órgãos sobre o quantitativo de manifestantes, o principal aspecto de análise é a mensagem por trás da manifestação.

“Primeiro que foi uma manifestação grande, talvez não do tamanho que esperava: 700 mil pessoas. Mas vamos colocar aí na casa de 400 mil, que alguns órgãos mais respeitáveis colocaram. É um contingente grande de pessoas que foi a rua mobilizada, mantém a base aquecida, não conquistou novos apoios e também não mudou a situação judicial. Então a perspectiva é de que a manifestação não “flopou”. O futuro da direita parece traçado, você percebe isso no discurso de Tarcísio [de Freitas], da Michelle [Bolsonaro], do Nikolas [Ferreira]”, declarou.

Um relatório de pesquisa apresentado pelo Grupo de Políticas Públicas para o Acesso à Informação da Universidade de São Paulo (USP) de fato confirmou essa informação. A semente do bolsonarismo foi plantada e os nomes vão crescendo.

Foram 575 entrevistado que já desenharam o caminhão de sucessão mais claro entre o público presente: Caso Bolsonaro tenha os direitos políticos suspensos no próximo pleito, o governador de São Paulo e ex-ministro do governo Bolsonaro, Tarcísio de Freitas (Republicanos), têm a preferência de 61% entre os entrevistados.

Ex-Ministro de Bolsonaro lidera intenções de voto para governo de São Paulo - Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
Governador paulista tem a preferência de votos em caso de impedimento a candidatura de Bolsonaro – Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

A surpresa ficou para o complemento. A ex-primeira dama Michele Bolsonaro obteve 19%, enquanto o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), foi preferido por 7%.
O relatório ainda apontou a opinião do público em relação às possíveis ações de Bolsonaro após a derrota nas urnas em 2022. Para 49%, o ex-presidente deveria ter decretado uma operação de GLO (Garantia da Lei e da Ordem), enquanto 39% discorda. 12% não souberam responder.

Já 42% acreditam que Bolsonaro deveria ter invocado o artigo 142 para solicitar a arbitragem das Forças Armadas, enquanto 45% entendem que não. 12% não souberam responder.

A pesquisa detalhou também o perfil do público presente na principal avenida da América Latina. Dentre os vários dados discriminados no documento, como renda familiar, grau de escolaridade e cor, se destaca um número: cerca de 72 % dos presentes se identificam como cristãos, seja por segmento católico ou evangélico.

Se os números estimados pelas forças de segurança e inteligência de São Paulo estiverem corretos, significa dizer que aproximadamente 430 mil pessoas, dentre as presentes, estão ligadas ao cristianismo, o que reforça um outro ponto observado durante a última eleição e que segue constante: Bolsonaro tem a preferências entre os cristão.

Ato de 25 de fevereiro tem identidade e pode marcar rumo das Eleições 2024
Malafaia esteve ao lado de Bolsonaro na Paulista – Foto: Redes Sociais

E não surpreende: o ato em defesa ao Estado democrático de direito, como foi chamado pelos presentes, teve como um dos organizadores centrais o pastor Silas Malafaia. Para o pastor José Ernesto Spinola Conti, da Igreja Presbiteriana, a manifestação do último domingo foi um recado claro da comunidade cristã sobre o posicionamento político e as ações de Malafaia refletem os valores de boa parte da parcela evangélica brasileira.

“O que está “mais vivo do que nunca” é aquilo que convencionamos chamar de “conservadorismo”, que na verdade é aquela parcela da população que apoia os princípios éticos e morais básicos de qualquer sociedade moderna. Princípios esses que foram aperfeiçoados ao longo dos séculos pela sociedade permitindo que tivéssemos padrão cívico e social”, afirmou o líder religioso.

“Creio que o ato feito com o apoio do Pr Malafaia apenas significa que uma parcela da nossa sociedade que professa a fé cristã, não abre mão desses valores básicos para uma sociedade evoluída e com visão de futuro mais equilibrada”, complementou.

Quais os impactos para as Eleições 2024 no ES?

A força demonstrada no último domingo levanta questões a respeito da força que os candidatos apoiados por Bolsonaro terão no próximo pleito eleitoral, sobretudo no recorte espírito-santense.

Das principais prefeituras capixabas, a legenda deverá ter candidatura própria somente em Vitória e Vila Velha (Região Metropolitana) e Cachoeiro de Itapemirim (Região Sul). No entanto, os pré-candidatos já anunciados não figuram entre preferidos pelos eleitores.

Ato de 25 de fevereiro tem identidade e pode marcar rumo das Eleições 2024
Assumção será o candidato do PL em Vitória – Foto: JV Andrade

Na capital capixaba, o deputado estadual Capitão Assumção (PL) é quem concorrerá ao Executivo. Assumção figura apenas na 3ª posição, com pouco mais de 11% dos votos entre os entrevistados pelo Instituto Paraná Pesquisas. O deputado está atrás do atual prefeito, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que lidera com 32%; do deputado João Coser (PT), com 20,4%. A margem de erro do levantamento é de 3 pontos.

Já em Vila Velha, o PL se viu envolvido em uma confusão. O então pré-candidato do partido, o veterinário Thiago Oliveira do Nascimento, está preso após ser acusado de extorsão e lavagem de dinheiro com criptomoedas em operação conduzida pelos órgãos de segurança. Especula-se que o ex-vereador Devacir Rabello substitua Thiago na disputa.

Em Cachoeiro, o partido “perdeu” seu pré-candidato nas últimas semanas. O vereador mais bem votado no pleito de 2020 do município e que disputaria o Executivo em 2024, Júnior Corrêa (PL), anunciou a saída da vida política para focar na vida religiosa. Em publicação nas redes sociais, Côrrea anunciou que iria se tornar padre.
Para Campos, o que se observou na esfera nacional não se traduz, necessariamente, no cenário capixaba, sobretudo diante das peculiaridade em diferentes regiões do estado,

“A gente sabe que a pauta aqui vai ser muito mais local. O que temos que lembrar é que em algumas cidades pode haver polarização, mas não vai ser no mesmo nível de uma polarização nacional. O que está caminhando para ter são alguns candidatos se utilizando, como historicamente se fazem, ou do campo da direita, por exemplo, no sul do estado, onde o Bolsonaro venceu com ampla vantagem, ou da esquerda, como no extremo norte do estado, por exemplo, onde você teve, em alguns municípios, a vitória de Lula sobre Bolsonaro”, explicou o analista.

O peso do voto dos cristãos pode ser um fator determinante nas disputas municipais. Para o pastor José Ernesto, o apoio de Bolsonaro em determinados redutos eleitorais pode mudar o cenário político nesse grupo.

“Bolsonaro se tornou um líder expressivo deste grupo de pessoas que apoiam o conservadorismo. O apoio dele é lógico que influencia muito na escolha. Todos podemos errar e falhar, mas uma indicação do Bolsonaro, sempre será um fator a mais para esse grupo de pessoas que apoiam os princípios conservadores.”

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