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segunda-feira, 4 julho, 2022

Ano de mortes e perdas socioeconômicas e ambientais termina com esperança

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“A esperança chegou com o avanço da vacinação e dos frutos gerados com a COP26”

Por Luiz Fernando Schettino

O meio ambiente ao lado da pandemia e suas consequências foram o foco das atenções em 2021, além das questões político-ideológicas que afetaram o país de forma negativa, principalmente pelo negacionismo dos efeitos, tanto do coronavírus, quanto da destruição da natureza.

Ano marcado por mortes, dor, perdas socioeconômicas e ambientais, evitáveis em sua maior parte. Mas a esperança chegou com o avanço da vacinação e dos frutos gerados com a COP26, conferência das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas.

O resultado reiterou o jogo de “interesses e contradições”, mas mostrou que há “vontade política” em busca de um caminho mais sustentável na economia, conforme os compromissos assumidos. Seja o de conter desmatamentos e emissões de gases de efeito estufa, a fim de atingir o carbono zero do Acordo de Paris, quanto o do meio empresarial de buscar ativos financeiros visando limitar o aquecimento global.

Buscou-se meios e consensos para tornar mais efetivas ações públicas e privadas no mundo, com uma produção neutra em emissões de carbono até 2050, na tentativa de manter o aquecimento na casa de 1,5 Cº, nível acima do qual não sabemos sequer as consequências. Mas, sabe-se que com muitas perdas, tanto no tocante à vida humana quanto às demais formas de vida. E que afetará a economia de forma muito séria em todo o mundo.

Inegavelmente, foi um ano difícil para buscar soluções ao desenvolvimento socioeconômico, à proteção e manutenção do funcionamento dos ecossistemas, com suas biodiversidades e da qualidade de vida, em face da ideologização. O que impediu ações necessárias, e até ajudou a agravar ambas as questões, pois a visão míope, distorcida e negacionista, desconsidera a ciência, o valor e a importância da natureza e lamentavelmente, até mesmo o valor da vida humana.

No caso brasileiro, na maioria das vezes, passou a ser colocada dentro de um jogos de interesses associados à ignorância e tutelados pelo uso de “Fake News”, no qual o monetário e as falsas premissas de valores sobrepujaram os interesses reais da sociedade, os verdadeiros valores e razões de um funcionamento harmonioso com a natureza e saudável entre pessoas, instituições, entes federativos e estados soberanos.

Além disso, 2021 foi um ano de inflação alta e com ministro do meio ambiente envolvido em suspeitas de contrabando de madeira na Amazônia, além de estimular mudanças para enfraquecer a proteção ao meio ambiente. Utilizou em reunião presidencial o inescrupuloso jargão: “ir mudando as normas …deixar a boiada passar”, para defender que enquanto a mídia se ocupava da pandemia, se deveria fazer mudanças na legislação a fim de atender interesses ideológicos. Caiu, mas nada mudou para a área ambiental, porque quem define ministro quer que tudo continue igual.

E isto, similarmente, ocorreu nas pastas da Saúde e Educação, áreas com problemas sérios de entendimentos do papel do estado na construção do futuro do país. Atitudes que se traduziram em morte, destruição da natureza e em antivalores; que desconsideram verdade, história, liberdade e democracia; que prejudicaram o funcionamento do País e dividiram a sociedade, desnecessariamente.

Por tudo isso, 2021 foi um bem ano difícil para o Brasil e vários outros países. Mas parece que a sociedade planetária vem entendendo a necessidade de viver de forma sustentável, com base na ciência; com políticas e modelos de desenvolvimento mais justos e inclusivos.

O que se espera consolidar em 2022 e ser apresentado na COP 27, no Egito.

Luiz Fernando Schettino é Engenheiro Florestal, Mestre e Doutor em Ciência Florestal Ex-Secretário de Meio ambiente e dos Recursos Hídricos do Espírito Santo/SEAMA

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