Planejamento urbano, participação comunitária e gestão da água são apontados como caminhos para reduzir riscos
Por Daniel Hirschmann
Os impactos das mudanças climáticas têm ampliado os desafios para o planejamento urbano no Brasil, sobretudo em cidades onde o crescimento ocorreu sem controle adequado do uso do solo. A ocupação de áreas vulneráveis, associada à degradação ambiental e à falta de gestão territorial eficaz, tem aumentado a exposição das populações a enchentes, deslizamentos e outros eventos extremos.
No Espírito Santo, esse cenário também acende um alerta. Especialistas apontam que diversos municípios apresentam áreas suscetíveis a inundações e outros riscos climáticos, o que reforça a necessidade de fortalecer estratégias de adaptação, planejamento territorial e gestão ambiental para reduzir vulnerabilidades e preparar as cidades para eventos cada vez mais intensos.
Saulo Aires de Souza, coordenador de Mudanças Climáticas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), também vê como fundamental o papel dos municípios, que precisarão de um novo planejamento territorial para encontrar novos lugares, no meio urbano, a fim de trazer de volta os espaços verdes para as cidades. “Essas soluções são inúmeras e partem sempre da particularidade e necessidade de cada local. Isso é importante ter em mente”, frisa.
Por isso, a primeira medida que ele indica é envolver, principalmente, os atores locais, pois só as pessoas que vivem no local têm condições de entender esses riscos e procurar as melhores soluções para minimizar os impactos desses novos riscos climáticos.
No caso dos recursos hídricos, ele menciona os comitês de bacias hidrográficas, onde ocorre o debate e a discussão que possibilita uma gestão e planejamento dos recursos de forma adequada. “Esses comitês, que nós chamamos de ‘parlamento das águas’, congregam tanto entidades de estado, de governo, como setores usuários e sociedade civil”, explica. “Uma das ações do nosso setor, principalmente, é fortalecer esses comitês, o que é uma medida fundamental para nos adaptarmos às novas realidades.”
Baixo arrependimento
Outras medidas que podem ser incorporadas são as chamadas “soluções de baixo arrependimento”. São aquelas que, em qualquer cenário, no futuro próximo, não vão causar arrependimentos por terem sido adotadas.
“Temos inúmeras soluções, antes de pensarmos em infraestruturas grandes, que muitas vezes trazem fortes impactos ambientais e com custos muito altos. Por exemplo, ações de educação ambiental, que em qualquer cenário serão sempre efetivas”, explica o coordenador de Mudanças Climáticas da ANA. Somam-se aí os sistemas de alerta de eventos extremos, também citados pelo climatologista Carlos Nobre, que Saulo Aires de Souza considera efetivos.
“A gente já tem um amplo conjunto de medidas e de ações de adaptação que podem ser utilizadas, antes de pensarmos nessas grandes infraestruturas. É fundamental que a gente já comece a incorporar isso. Já não é mais uma ação para o futuro. É uma ação para hoje. Já temos um rol bastante significativo de soluções”, conclui.
Essa matéria é uma republicação da Edição 222 da Revista ES Brasil — Anuário Verde: Água. Confira a revista digital completa clicando neste link.

