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Abelha símbolo das montanhas capixabas em risco de extinção

Ufes lidera projeto que mobiliza cientistas, criadores e instituições públicas para a conservação da abelha nativa do Espírito Santo

Por Amanda Amaral

Uma abelha encontrada apenas na região serrana do Espírito Santo – a uruçu-preto ou uruçu-capixaba (Melipona capixaba), está entre as quatro do Brasil em perigo de extinção pelo Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Insetos Polinizadores Ameaçados de Extinção (PAN Insetos Polinizadores), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio).

Instituições do Espírito Santo lutam por sua conversação. A uruçu-preto tem cerca de 11,5 milímetros e é considerada patrimonial natural do estado. Existe a uma altitude entre 800 e 1.200 metros, na região das montanhas capixabas, pois necessita de temperaturas amenas para sobreviver.

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Está presente em uma área de 354 quilômetros quadrados, envolvendo 12 municípios. São consideradas operárias defensivas com colônias muito populosas, que podem produzir até 15 litros de mel por ano. São ameaças para a uruçu-preto: o desmatamento; o uso de agrotóxico e as espécies exóticas (não nativas), de acordo com o ICMBio. 

As abelhas — especialmente as nativas sem ferrão, como é o caso da Melipona capixaba — polinizam as matas, aumentam a produção de alimentos e ajudam a manter o equilíbrio dos ecossistemas.

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Além disso, foi criada pelo Instituto Brasileiro do Mar (Ibramar), a Reserva Particular do Patrimônio Natural Uruçu Capixaba (RPPN Uruçu Capixaba). É desenvolvido um projeto e em São Bento do Chapéu e Paraju, no município de Domingos Martins, que visa a restauração florestal para a conservação da Melipona capixaba.

Sobre o projeto

No Espírito Santo, foi fundado o projeto Uruçu-capixaba: salvaguardando a abelha do Espírito Santo. Trata-se de uma estratégia multidisciplinar com ações promovidas pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), contemplada no edital Funbio – Renova (Rede Biodiversidade Rio Doce) nº 04/2023, envolvendo diversas outras instituições.

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Entre elas: a Universidade Federal de Viçosa (UFV); o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes); o Centro Nacional de Recursos Genéticos (Cenargen) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper); o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema); associações de meliponicultores (criadores de abelhas sem ferrão) do estado; e o Instituto Abelhas Nativas.

Em junho, aconteceu o evento “Conhecendo a Uruçu Capixaba, a abelha das montanhas do Espírito Santo”, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes) de Venda Nova do Imigrante. Participaram especialistas, pesquisadores, meliponicultores e instituições públicas.

“Estamos tentando construir projeto que estimule a criação racional da melipona capixaba, que possa agregar valor para o mel de altíssima qualidade que essa abelha produz, mas que também conserve essa espécie, que está ameaçada de extinção, para que ela seja criada na região próxima à mata”, destacou o Vander Tosta, coordenador do projeto na Ufes.

Participantes do evento realizado em junho, no Ifes Venda Nova do Imigrante. Foto: Ufes
Participantes do evento realizado em junho, no Ifes Venda Nova do Imigrante. Foto: Ufes

No evento, Tosta explicou que, na Ufes, o projeto é desenvolvido por meio do Laboratório de Genética, Evolução e Conservação de Abelhas Nativas da Ufes (Labelhas). “A Ufes é totalmente responsável pela organização e execução do projeto. Aqui, coordenamos quatro dos seis objetivos do projeto, que são: determinar a área de distribuição da espécie Melipona capixaba através de levantamento em parques e reservas e em meliponários do estado; levantar dados sobre a ocorrência da espécie e montar uma coleção biológica de referência; analisar a contaminação por metais pesados do mel, pólen e geoprópolis da uruçu capixaba; sequenciar o genoma e analisar a diversidade genética dessa abelha; capacitar meliponicutores; e promover ações de educação ambiental envolvendo a espécie”, detalhou.

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