A silvoterapia é uma prática japonesa que está movimentando o turismo de experiência em florestas do Espírito Santo
Por Amanda Amaral
Uma prática médica tradicional originária do Japão chamada silvoterapia (Shinrin-Yoku) ou “banho de floresta” é mais uma das tendências para o turismo explorada no Espírito Santo. A atividade turística consiste em um passeio pela mata, durante o qual a atenção é dedicada às árvores, aos caminhos percorridos e às sensações.
Uma pesquisa encomendada pela marca Expedia no segundo semestre de 2022 mostrou algumas tendências de viagens para 2023 e uma delas envolve atividades alternativas como o “banho de floresta”. Na verdade, a silvoterapia nada mais é do que ecoterapia.
O “Banho de Floresta” tem duração média de uma hora, segundo uma publicação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Espírito Santo (Sebrae/ES), e pode e pode ser realizado na natureza com pessoas de qualquer idade. No caso de um passeio durante o dia inteiro, pode ser complementado com trilhas ou outros atrativos do local.
A ideia é passar um tempo “dentro da mata”, absorvendo sua atmosfera e estimulando sentidos como audição, olfato e visão. O turismo neste caso vem da sensação de bem-estar provocada pelo ato de caminhar pela floresta, o que reduz o estresse e a ansiedade.
A publicação do Sebrae/ES sobre silvoterapia destaca que o banho de floresta melhora o sono, aumenta a imunidade e a saúde cardíaca e produz melhor resposta parassimpática (descanso e recuperação).
Em entrevista ao ES Brasil Debate, a socióloga e especialista em Educação Ambiental, Dalva Ringuier, comenta sobre o turismo de experiência. “As pessoas que eu recebo aqui, não vêm por causa da pousada. Eles vêm para poder viver essa experiência”, disse.
Proprietária da Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) Águas do Caparaó, em Divino de São Lourenço, região do Caparaó, a cientista complementa: “A experiência que eu vejo hoje como mais procurada é exatamente quando você faz uma trilha com a pessoa e fala assim: ‘agora você vai tomar um banho de floresta”. O que que é tomar um banho de floresta?’ Um banho de floresta é exatamente você se desligar desse mundo aí fora, estressante, competitivo. Poluído em todos os sentidos”, resume.
A turismóloga e professora do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Sara Bonin, comenta que a silvoterapia surgiu no Japão nos anos 80 e já é realizada em alguns países, mas no Brasil, talvez não seja tão comum, por não ser reconhecida por este nome.

“A gente já sabe que um contato maior com a natureza, tem impacto muito positivo na nossa saúde. O contato com a natureza, o fato de você se distanciar do meio urbano, já é uma tendência apontada dentro das viagens, dentro da atividade turística. Principalmente, depois da pandemia da Covid-19, as pessoas buscam alternativas por meio das quais possam se restabelecer e se recuperar do ponto de vista da saúde”, comentou.
Contudo, Sara Bonin conclui que investir em novos segmentos para a atração de público agrega ao fluxo turístico, porém em sua opinião, é preciso fazer uma análise daquilo que o Espírito Santo já possui como atrativo para explorar isso melhor e, com isso, aumentar o número de turistas visitantes no estado.
Confira onde tomar banho de floresta no Espírito Santo:
Parque Estadual Cachoeira da Fumaça (PECF)
O parque é famoso pela sua exuberante queda d’água de 144 metros de altura, que dá nome àunidade. Os visitantes podem se banhar na cachoeira e participar das trilhas autoguiadas, ou seja, sem a presença de um guia, e se encantar com as cascatas e corredeiras ao longo do rio que corta o parque. Sua flora é bem representada pelos jacarandás-de-espinho e a fauna por animais em extinção, como a lontra. A unidade conta com monitores ambientais credenciados para as trilhas, para quem não quiser fazerpor conta própria. Os interessados devem agendar previamente pelo telefone (28) 9 9942-5658.
Horário: das 8 às 17 horas.
Localização: Alegre e Ibitirama, na Região Sul.
Informações: (28) 99999-0639.
Parque Estadual da Pedra Azul (Pepaz)
A Pedra Azul, que dá nome ao parque, é uma formação de granito e gnaisse de 1.822 metros de altura. Curiosamente, a ação de eventos naturais esculpiu parte da rocha em forma de lagarto. O Parque possui trilhas: uma autoguiada na base da Pedra Azul, uma que dá acesso às piscinas naturais e outra para escalada. É recomendável que o visitante ligue antes para o Parque (27 3248-1156) para checar se hádisponibilidade para o trajeto, pois há limite para a visitação tendo em vista que se trata de terrenoirregular. Há monitores ambientais disponíveis para agendamento por meio do telefone (27) 99739-8005.
Localização: Domingos Martins, Região Serrana.
Horário: das 8 às 17 horas.
Passeios: 9h30 ou 13h30.
Informações: (27) 3248-1156.
Parque Estadual do Forno Grande (PEFG)
O parque possui relevo montanhoso e culmina no Pico do Forno Grande, grande atrativo da região. Seu centro de visitantes oferece trilhas de fácil acesso que levam à cachoeira com queda d’água de aproximadamente 30 metros de altura, à Gruta da Santinha, aos Poços Amarelos e ao mirante.
Contato pelo e-mail [email protected].
Localização: Castelo, Região Sul.
Funcionamento: das 8 às 17 horas.
Fonte: Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema).


