O Corecon-ES completa 50 anos com uma história de superação, compromisso e resiliência

Por Paulo Brusqui
Ao celebrarmos os 50 anos do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), recordo com gratidão e senso de dever o período em que estive à frente da entidade, de 1996 a 1998. Minha gestão ocorreu logo após um dos momentos mais críticos da história do Conselho: uma intervenção do Conselho Federal de Economia (Cofecon), motivada por denúncias de má gestão, desvios de recursos e uso indevido da estrutura institucional.
Quando assumi, o cenário era desafiador. Não havia funcionários, os registros estavam desorganizados e o Conselho não possuía recursos sequer para pagar o 13º salário ao final do ano. Apesar disso, aceitei o cargo – mesmo sendo uma atividade colaborativa, sem qualquer remuneração – porque acreditava na importância da reconstrução da nossa entidade.
Implantamos um plano de reestruturação administrativa e financeira. Realizamos um processo seletivo público para contratar a gerente do Conselho, Josiane Tavares, e trouxemos o economista Sérgio, do Corecon-RJ, para nos ajudar a estruturar o processo de fiscalização profissional.
Organizamos a base de dados, implantamos um sistema unificado nacional para cadastro e emissão de boletos, e conseguimos poupar recursos.
Também investimos no fortalecimento da imagem institucional. Resgatamos o Prêmio Espírito Santo de Economia – anteriormente vinculado ao Bandes – reforçando a identidade do Corecon-ES. Convidamos o artista plástico Penitência para criar o troféu, adotando o mapa do Estado como símbolo.
Promovemos a aproximação com estudantes e instituições de ensino, como Ufes, Unesc, Facec, Facev, UVV e Faculdade de Domingos Martins, levando o Corecon-ES ao interior e reforçando o diálogo com a academia.
Tivemos ainda a honra de receber grandes nomes da economia nacional em Vitória: Gustavo Franco (então presidente do Banco Central), Maria Tereza Audi, Reinaldo Gonçalves, Carlos Lessa, entre outros. Organizamos eventos relevantes na Ufes e na Findes, espaços gentilmente cedidos. Colocamos o Espírito Santo como candidato à sede do Congresso Brasileiro de Economia e, embora não tenhamos sido escolhidos, conseguimos trazer o Encontro da ANPEC, o que deu visibilidade à nossa atuação.
Também priorizei a participação ativa dos conselheiros em eventos nacionais. A conselheira Adriane Guimarães, por exemplo, representou o Corecon-ES no SINCE, fortalecendo nossa representatividade.
Ao fim da minha gestão, tornei-me o primeiro conselheiro efetivo do Espírito Santo no Conselho Federal de Economia, onde presidi a única sindicância da história da entidade, que, entre outras deliberações, culminou na articulação da mudança da sede do Cofecon do Rio de Janeiro para Brasília. Naquele mesmo período, articulei o resgate do Prêmio Brasil de Economia.
Outro marco importante foi a aquisição da sede atual. Até então, o Conselho funcionava em uma única sala. Com economia e planejamento, adquirimos mais duas salas, consolidando o patrimônio físico da instituição.
Minha trajetória no Corecon-ES foi marcada por mulheres que acreditaram e ajudaram a transformar o Conselho: minha mãe, Zita Brusqui, fundamental na construção da minha formação, educação e caráter; Dra. Valésia (à época chefe de gabinete do então vice-governador Renato Casagrande), que me incentivou a assumir a presidência e me fez enxergar a dimensão política da representatividade; Josiane e Maria, que profissionalizaram a gestão interna; e as conselheiras que trouxemos para fortalecer a pluralidade no colegiado.
O Corecon-ES completa 50 anos com uma história de superação, compromisso e resiliência. Olhar para trás me enche de orgulho. Mais do que reconstruir uma instituição, ajudamos a resgatar a dignidade da profissão de Economista no Espírito Santo, fortalecendo seu papel técnico e social.
Paulo Brusqui é Economista do Governador Renato Casagrande e assessor da Presidência do Bandes

