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quinta-feira, 21 janeiro, 2021

2021: economia em maré baixa

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2020 encerra-se e o rumo para a economia em 2021 está indefinido com viés de baixa

Por Arilda Teixeira

Resultados do IBGE para o 3º trimestre/2020, indicaram queda do PIB de 3,9% em relação ao mesmo período de 2019; e no acumulado do ano, queda de 5%, explicadas por comércio (-5%), indústria de transformação (-7,4%), construção (-7,8%), transporte e armazenagem (-10,9%), e taxa de investimento (-5,5%).

Por outro lado, no âmbito regional, segundo o Banco Central, para o trimestre agosto-setembro-outubro, o Norte cresceu 6,7%, o Nordeste 2,8%, Centro-Oeste 0,5%, Sudeste 4,3%, e Sul 5,1%.

Mas, parte significativa desse crescimento é efeito do auxílio emergencial. Assim, foi induzido por escolhas específicas de Governo, não de mercado. Este sinalizou em direção inversa – volume de investimento caiu 15,2%.

Essas estatísticas recomendam cautela sobre o que esperar de 2021. Há vários obstáculos para serem transpostos até se alcançar a rota do crescimento. Sobretudo quando se olha para os entraves estruturais; para a desastrada articulação política do Chefe do Executivo Federal com grupos de interesses, e no enfrentamento da pandemia do COVID; e para a incapacidade de Executivo e Legislativo agirem e decidirem como Estado.

Esse imbróglio é celeiro perfeito para perpetuar atraso econômico e tecnológico.
Exceto o COVID, as mencionadas distorções são habitués da cena econômica brasileira. Respondem por boa parte da falta de rumo para 2021.

O País continua nas últimas posições do ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial. Dentre os países da América do Sul, é o menos competitivo. Assim como o é comparando-se com Oriente Médio, Norte da África e Leste Asiático (regiões com estágio de desenvolvimento equivalentes ao do Brasil). A economia é muito fechada (125ª dentre as 141 do Fórum), e é a que tem o sistema tributário mais refratário ao empreendedorismo.

Esse quadro se reflete nas posições dos estados do Sudeste no ranking de competitividade dos estados brasileiros de 2019, construído pelo Centro de Liderança Pública (CLP) e a Economist Intelligence Unit.

Em relação a 2015, pouco se avançou, muito se retrocedeu.O ES subiu 3 p.p. em infraestrutura (11ª posição para 8ª), e 1p.p. em potencial de mercado (13ª posição para 12ª); mas caiu 1 p.p. em Educação (6ª posição para 7ª), 9 p.p. em capital humano (5ª posição para 14ª), e 10 p.p. em inovação (14ª posição para 24ª).

MG manteve a posição em infraestrutura (12ª), educação (2ª) e potencial de mercado (14ª); e caiu 12 p.p. em capital humano (7ª posição para 19ª), e 4 p.p. em inovação (7ª posição para 11ª).

RJ melhorou 2p.p. em infraestrutura (18ª posição para 16ª) e potencial de mercado(21ª para 19ª); e piorou 3 p.p. em educação (9ª posição para 12ª), 1p.p. em capital humano (1ª posição para 2ª), e 2 p.p. em inovação(4ª posição para a 6ª). SP manteve sua posição (1ª) em infraestrutura, educação, capital humano e inovação; e caiu 1p.p. em potencial de mercado (da 1ª posição para a 2ª). Considerando que essas estatísticas não trazem os efeitos do COVID, e que o Governo Bolsonaro fez absolutamente nada, até agora, para destravar a economia, pode-se admitir que, crescimento, só, otimisticamente, a partir de 2022. Até lá, subam as calças. A maré está baixa.

Arilda Teixeira
é economista e professora da Fucape Business School

ES Brasil Digital

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