Crise, oportunidade e desenvolvimento

O que Kondratiev e Schumpeter nos ensinam

Os estudos seminais de Nikolai Kondratiev demonstraram que as crises são inerentes ao sistema capitalista. O citado economista russo, pesquisando indicadores macroeconômicos dos séculos 19 e 20, constatou determinados padrões entre as crises cíclicas. Segundo ele, a recorrência das crises econômicas mundiais girava em torno de 50 anos. Nesse intervalo de tempo, a depressão poderia caracterizar o que entendemos por crise. Esta seria seguida pelos períodos de crescimento/melhoria, prosperidade, recessão e novamente depressão.

A teoria dos ciclos da inovação, do economista austríaco Joseph Schumpeter, derivou da formulação de Kondratiev e ampliou algumas perspectivas. Schumpeter, por exemplo, constatou que o tempo de recorrência das inovações, e consequentemente das crises, apresentava tendência de redução gradativa.

Desta breve análise, estruturada a partir das formulações desses dois importantes pensadores, depreende-se que as crises são seguidas por períodos de crescimento/melhoria, prosperidade e recessão, bem como identifica-se que elas estão cada vez mais frequentes na conjuntura mundial.

A crise de 2008/2009, desencadeada primeiramente na economia norte-americana, marcou um período de dificuldades para a maioria das nações. Diferentemente daquela crise, que se desdobrou a partir de fatores externos, o atual momento da turbulência brasileira está vinculado, predominantemente, às causas econômicas e políticas internas. Ações e medidas tomadas ao longo dos últimos anos, no âmbito da política econômica nacional, impactaram negativamente os principais indicadores macroeconômicos.

O quadro da recessão brasileira é sintetizado pelos últimos dados relativos ao indicador do PIB trimestral. Redução respectiva de 0,7% e de 1,9% no primeiro e no segundo trimestre deste ano, na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Enquanto a maioria dos países está com perspectivas positivas para o PIB em 2015, o próprio Banco Central apresenta, por meio do relatório Focus, expectativa de PIB de -3,10% para o Brasil em 2015.

A imbricação de questões mal-resolvidas, que se arrastaram no ano corrente, relacionadas principalmente ao ajuste das contas públicas e às pedaladas fiscais, influenciou a queda de popularidade da presidente, o que resultou em uma série de manifestações contra o Governo.

Esses fatores político-econômicos estão contribuindo para comprometer o crescimento em 2016. A previsão do PIB para o novo ano está em -2,00%. A inflação provavelmente continuará acima do teto da meta (6,50%), porém sem a pressão dos preços administrados (energia elétrica e combustíveis), que impactaram negativamente a vida financeira dos brasileiros neste 2015. A taxa de juros vai se manter na casa dos dois dígitos, rondando os 13,25%.

Nesse sentido, o Brasil deve, hoje, tomar medidas adequadas para suplantar o momento de crise e lançar as bases para o período em que voltará a crescer gerando oportunidades. Em uma perspectiva moderada, acredita-se que 2016 será não tão ruim quanto foi 2015. Possivelmente no segundo semestre do novo ano, os indicadores econômicos demonstrarão uma “melhora”. Quem sabe, assim, teremos um 2017 melhor? E se possível até 2020 colocar o Brasil no caminho da “prosperidade”, teorizada por Kondratiev.

Pablo Lira é pesquisador, professor universitário e doutorando em Geografia PPGG/Ufes

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