Blairo Maggi: ministro da Agricultura na mira da PF

Foto: José Cruz / Agência Brasil

Polícia Federal faz buscas e apreensões nas residências de Blairo Maggi. A investigação faz parte da operação Malebolge, 12ª fase da Ararath, que investiga esquema de corrupção em Mato Grosso

O ex-governador do Mato Grosso e atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi, abriu as portas de suas residências para que a Polícia Federal (PF) cumprisse o mandato de busca e apreensão nesta quinta-feira (14). Ao todo, cinco residências foram vistoriadas, entre elas foi uma localizada na Asa Sul, na zona norte de Brasília.

O apartamento é funcional, pois pertence ao Senado porque Blairo Maggi é senador licenciado do mandato pelo PP, por isso, a polícia do Senado também acompanhou a operação.

A busca e apreensão de documentos e objetos no local ocorreu no âmbito da Operação Malebolge, 12ª fase da Ararath, que investiga esquema de corrupção em Mato Grosso. Maggi é citado na delação premiada do ex-governador do Estado, Silval Barbosa (PMDB).

Os mandados foram autorizados pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal. Ele homologou a delação do ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, no mês passado. Para Fux, há indícios de envolvimento dos alvos dos mandados em obstrução de Justiça e formação de organização criminosa.

As revelações feitas pelo delator levaram às medidas pedidas pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Na delação, Silval Barbosa cita Blairo Maggi diversas vezes. Afirmou que o ministro comprou a versão de um depoimento para que fosse favorável a ele.

Segundo Silval, Blairo Maggi pagou R$ 3 milhões destinados ao ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso, Eder Morais. Silval admite que pagou outros R$ 3 milhões e Eder Morais, de fato, voltou atrás no depoimento.

Investigação

O inquérito judicial investiga crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, crimes contra a ordem tributária.

Por meio de nota, “a PGR apura ainda a prática de obstrução de investigação criminal, que consistiu em pagar colaborador para mudar versão de depoimentos e pagar investigado para não celebrar acordo de colaboração”, diz a nota.

A delação de Silval foi gravada em áudio e vídeo pela Procuradoria-Geral da República. O delator entregou aos investigadores vídeos da farra da propina em Cuiabá. As imagens mostram políticos retirando mesadas milionárias das mãos.

Entretanto, Maggi afirma que a delação de Silval é mentirosa e negou pagamentos ilegais. O texto diz que o ministro não tem envolvimento com as acusações. “Ratifico ainda que não houve pagamentos feitos ou autorizados por mim, ao então secretário Eder Moraes, para acobertar qualquer ato, conforme aponta de forma mentirosa o ex-governador Silval Barbosa em sua delação”, alegou.

O ministro destaca ainda que possui conduta ilibada. “Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas. Sempre respeitei o papel constitucional das Instituições e como governador, pautei a relação harmônica entre os poderes sobre os pilares do respeito à coisa pública e à ética institucional”, finalizou.

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