Cursos e parcerias buscam reduzir o déficit de qualificação diante das novas exigências do setor
Por Cínthia Ferreira
Diante de um setor portuário em rápida transformação — que redefine profissões, eleva o nível de exigência e evidencia a qualificação como gargalo —, a aproximação entre universidade e mercado surge como caminho para reduzir esse descompasso. À medida que operações se tornam mais digitais, integradas e complexas, cresce também a necessidade de formar profissionais capazes de acompanhar essa evolução. É nesse cenário que iniciativas de capacitação ganham protagonismo, conectando conhecimento acadêmico às demandas reais de um mercado em expansão.
Lançado em 2023, o curso de extensão Portos: Operação, Planejamento e Construção da Ufes já teve duas turmas pagas. Em 2025, a terceira edição foi financiada pelo Governo do Estado, garantindo 115 vagas gratuitas. Para junho de 2026 está prevista nova turma, com 200 vagas e carga horária de 80 horas.
A aproximação entre formação e mercado reflete uma mudança estrutural no setor portuário. Em vez de preparar profissionais apenas para funções específicas, a tendência agora é desenvolver competências amplas, capazes de acompanhar a evolução tecnológica e as transformações operacionais. Essa lógica acompanha o próprio ritmo do comércio global, que exige eficiência, integração e rapidez de resposta.
Nesse cenário, autoridades portuárias, operadores e empresas de logística atuam de forma cada vez mais articulada, formando um sistema interdependente que amplia a complexidade das operações e eleva o nível de exigência profissional. Não se trata apenas de movimentar cargas, mas de interpretar dados, gerenciar fluxos e garantir segurança e sustentabilidade em todas as etapas.
Segundo o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional, Bruno Lamas, a iniciativa fortalece a cultura portuária e amplia a empregabilidade em um setor estratégico para o Espírito Santo.
Há perspectiva de continuidade da oferta do curso, mediante aprovação institucional e disponibilidade orçamentária. A proposta é formar profissionais aptos a atuar tanto nos portos já consolidados quanto nos novos empreendimentos em implantação.
A tendência é que essa demanda se amplie à medida que novos projetos logísticos avancem no Estado. Iniciativas como o desenvolvimento do ParkLog Norte e Sul e a entrada em operação do Imetame Logística Porto, em Aracruz, indicam expansão das oportunidades para profissionais qualificados, especialmente aqueles preparados para lidar com processos digitais, automação e integração de sistemas.
Nesse contexto, o Espírito Santo se posiciona para consolidar um novo patamar logístico — e de oportunidades para quem estiver preparado para esta nova era portuária. Como mostra a avaliação de especialistas do setor, o profissional competitivo será aquele capaz de unir competências digitais, emocionais e estratégicas em um mesmo perfil.
Essa matéria foi publicada originalmente na Edição 232 da Revista ES Brasil — Portos: O Poder da Logística, de março de 2026. Clique neste link para conferir a edição completa.

