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domingo, 14 DE julho DE 2024

Transtornos mentais levam à perda de 12 bilhões de dias de trabalho por ano, afirma OMS e OIT

Espírito Santo, de acordo com pesquisa, aproximadamente um quarto da população enfrenta algum tipo de transtorno mental

Por Kebim Tamanini

A importância da saúde mental no ambiente de trabalho é um tópico amplamente debatido no campo da Gestão de Pessoas, ao longo de muitas décadas. Em 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgaram um relatório conjunto que lançou luz sobre uma estimativa global preocupante: anualmente, ocorrem 12 bilhões de dias de trabalho perdidos devido a transtornos de depressão e ansiedade, resultando em um custo estimado de quase US$ 1 trilhão.

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No contexto brasileiro, os números não são menos alarmantes. Em 2019, mais de 29 milhões de indivíduos com mais de 20 anos foram diagnosticados com problemas de saúde mental (Observatório de Segurança e Saúde do Trabalho). De acordo com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), os transtornos mentais figuram entre as três principais causas de afastamento de trabalhadores no Brasil em 2021. No Espírito Santo, conforme dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), cerca de 25% da população convive com algum tipo de transtorno mental.

Apesar da gravidade dessas estatísticas, não estamos sem recursos para enfrentar esse desafio. Torna-se, portanto, cada vez mais imperativo que as organizações priorizem a saúde mental em seus Programas de Qualidade de Vida no Trabalho. Essa atenção à saúde dos colaboradores não apenas demonstra responsabilidade social, mas também tem impactos diretos na sustentabilidade do negócio, reduzindo custos associados a afastamentos e melhorando a produtividade da equipe.

No Espírito Santo, de acordo com pesquisa, aproximadamente um quarto da população enfrenta algum tipo de transtorno mental
Conselheiro da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Espírito Santo (ABRH-ES), Cosme Peres. Foto: ABRH-ES

O conselheiro da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Espírito Santo (ABRH-ES), Cosme Peres, afirma que as empresas estão mudando a percepção, e a associação vem trabalhando para essa transformação. “Algumas empresas capixabas já possuem programas voltados à saúde mental para seus colaboradores, principalmente após a pandemia de COVID-19. A ABRH-ES tem promovido a discussão sobre a inteligência emocional e a saúde mental em vários de seus eventos ao longo dos últimos anos, com o objetivo de incentivar e sensibilizar o mercado de trabalho para desenvolver e ampliar ações e programas nesse sentido”, salienta.

“Case de sucesso”

A diretora de Serviços Compartilhados da ExtraFruti, Flavia Raposo, relatou que a empresa onde trabalha precisou implementar programas internos para promover a saúde mental de seus colaboradores após o caos da pandemia vivenciado em todo o mundo.

“Durante a pandemia, muitos dos nossos colaboradores enfrentaram problemas, seja pela perda de entes queridos ou por medo pela própria saúde. A pandemia ampliou essa insegurança de forma evidente para todos nós. Foi nesse contexto que notamos que muitas pessoas em nossa equipe estavam precisando de apoio psicológico. As empresas não podem falar de produtividade e lucratividade sem considerar a plenitude dos colaboradores”, refletiu a diretora.

A partir da pandemia, a empresa decidiu implementar um projeto que visa a apoiar os colaboradores com acompanhamentos psicológicos. O ato deu tão certo que evitou três casos de suicídio entre os mais de 1200 profissionais da instituição.

A gerente do Departamento de Pessoas, Josiane Aguiar Sabadini, salienta que não é apenas a empresa que se beneficia com a saúde mental de seus colaboradores, mas todo o círculo social que convive com essas pessoas. “Escolhemos valorizar esse trabalho e, assim como não é possível mensurar seu valor monetariamente, seu impacto também é imensurável. O programa afeta positivamente não apenas a vida dos colaboradores, mas também de suas famílias e da sociedade como um todo”, enfatiza.

Transtornos mentais levam à perda de 12 bilhões de dias de trabalho por ano, afirma OMS e OIT
A empresa Extrafruti contratou psicólogos para acompanhar a saúde mental dos colaboradores. Foto: Divulgação

Especialista

A psicóloga Simone Ayres Brandão, que promove o bem-estar dos colaboradores da ExtraFruti, relata que quando a saúde mental é prejudicada, isso afeta a produtividade e pode levar a problemas ainda mais graves.

“A depressão e a ansiedade são os grandes problemas presentes na sociedade atual. No contexto de trabalho, esses sentimentos se intensificam com o medo de adoecer e perder o emprego, a pressão para dar conta das tarefas e a ocorrência de crises de ansiedade. Portanto, é fundamental que as empresas considerem a saúde mental de seus colaboradores como uma prioridade, para não interferir no desempenho profissional do indivíduo”, destaca.

Nesse sentido, é crucial que as organizações revejam seu modo de funcionamento para realizar os ajustes necessários de acordo com a realidade atual em que a sociedade se encontra.

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