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sábado, 31 julho, 2021

Sua empresa é sustentável mesmo?

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Mas o que efetivamente devem fazer as organizações? Tomemos o caso do meio ambiente

Por Adriano Salvi

Trata-se de evitar a degradação? E como ficam as atividades que naturalmente degradam e poluem, como a mineração? Seria compensar as emissões de CO² através do plantio de árvores? Até que ponto compensar a pegada de carbono não serviria como uma autorização para emitir mais? O caminho para as empresas está em conhecer profundamente as suas externalidades e atuar no sentido de diminuir aquelas negativas e aumentar as positivas.

Externalidade é todo impacto, bom ou mal, causado por uma atividade em quaisquer pessoas, sem que estas, tenham concordado explicitamente com essas ações, nem recebido ou pago nada para suportar suas consequências. São negativas as externalidades que sejam danosas a terceiros, por exemplo, a poluição gerada por uma indústria ou a degradação do meio ambiente por uma atividade extrativa.

Já as externalidades positivas ocorrem quando uma atividade causa benefícios a terceiros, sem que eles tenham que pagar por isso. Por exemplo, o desenvolvimento de novas tecnologias traz economias para o processo produtivo da empresa, mas também beneficia diversas outras empresas e indivíduos que podem utilizar tais tecnologias.

Interessante estudo de Repetto e Dias estimou o valor de várias empresas aéreas e do setor elétrico, descontando o custo de suas emissões de dióxido de carbono, óxido de enxofre e óxido de nitrogênio. Em sua imensa maioria, as empresas apresentaram taxas negativas de retorno sobre o capital. Isso demonstra o imenso risco que as empresas correm, caso os governos endureçam suas regulações ambientais. Deixar que o Estado estabeleça as soluções para as externalidades pode custar caro e até inviabilizar uma atividade econômica.

Como se preparar para um futuro muito próximo, em que questões ambientais e sociais estarão no mesmo patamar das questões econômicas? Estruture uma matriz que lhe permita conhecer as externalidades de sua atividade e incorpore à sua estratégia pilares sobre os quais se fundarão ações para redução das externalidades negativas e para aumento das positivas.

 

Corporação 2020: Como transformar as empresas para o mundo de amanhã

Pavan Sukhdev

É um dos mais instigantes livros sobre sustentabilidade corporativa. O autor apresenta como o capitalismo se desenvolveu até aqui e, de uma forma pragmática, demonstra o custo socioambiental disso.
No modelo corporativo do século XX, a lógica vigorante foi a do lucro como objetivo central, sem a preocupação com as externalidades causadas pela empresa. A sustentabilidade não tem espaço, além da eficiência operacional que ela gera. Porém, a combinação dessa visão com a regulação mais flexível dos mercados tem levado a crises cada vez maiores e em espaços cada vez mais curtos.
O autor foge do discurso utópico e ideológico, mas alerta que o mundo está passando por transformações importantes e as empresas não poderão se furtar de fundamentar suas decisões em propósito e valores ao invés de exclusivamente no lucro de curto prazo.
O livro traz exemplos de empresas que caminham nessa direção, como a Natura e a Infosys, cujas estratégias incorporam as externalidades de suas atividades e como aumentam as positivas e mitigam as negativas.
Pavan Sukhdev é um economista indiano, com estudos muito importantes nas áreas de economia verde e finanças internacionais. Foi head da Iniciativa de Economia Verde do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e presidente do conselho do WWF International.

Adriano Salvi é Conselheiro de administração certificado pelo IBGC, professor convidado da Fundação Dom Cabral e sócio da Vix Partners Consultoria e Participações e da UTZ Soluções para Empresas Familiares

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