- Continua após a publicidade -

Renan vira réu no STF

Por 8 votos a 3, o Supremo decidiu abrir uma ação penal e tornar réu o presidente do Senado por desvio de dinheiro público.  

 

Após três anos de a denúncia ter sido registrada no Supremo Tribunal Federal (STF), os ministros decidiram nesta quinta-feira (1º), por 8 votos a 3, abrir uma ação penal e tornar réu o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), pelo crime de peculato (desvio de dinheiro público). A suspeita se arrasta desde 2007, quando veio à tona a declaração de que um lobista da Construtora Mendes Júnior pagava a pensão da filha do senador Renan Calheiros com a jornalista Mônica Veloso. Essa é a primeira vez que Renan se tornará réu em uma ação penal.

Na época, Calheiros declarou renda ao Senado para demonstrar que ele próprio pagava a pensão da filha. Em 2013, a Procuradoria-Geral da República apresentou denúncia ao STF, já que Calheiros possui foro privilegiado pela condição de parlamentar. O então procurador-geral, Roberto Gurgel, baseou a denúncia na análise de notas fiscais e outros documentos relativos à venda de gado que o senador apresentou ao Conselho de Ética do Senado para se defender. Gurgel chegou à conclusão que o senador não possuía renda suficiente para bancar a pensão da filha. 

- Continua após a publicidade -

No julgamento, porém, a maioria dos ministros rejeitou outras duas acusações contra Renan relacionadas a esse caso: de falsidade ideológica e uso de documento falso, cujas penas são de até 5 anos. Restou a acusação de peculato (desvio), cuja punição varia de 2 a 12 anos de prisão. O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), relator do inquérito, votou pelo recebimento parcial da denúncia e consequente abertura de ação penal. Além dele, Teori Zavascki, Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e a presidente da Corte, Cármen Lúcia, votaram pelo acolhimento da denúncia por peculato.  Votaram para rejeitar todas as acusações os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. 

A investigação do caso começou em 2007 – ocasião em que o peemedebista renunciou à presidência do Senado. A denúncia foi oferecida ao STF pela PGR (Procuradoria-Geral da República) em 2013. Renan é acusado de peculato (desvio de recursos), falsidade ideológica e uso de documento falso.

De acordo com a Procuradoria, representada no julgamento pelo vice-procurador-geral da República, José Bonifácio de Andrada, Renan apresentou, em uma investigação no Senado, documentos falsos para justificar pagamentos de pensão que fez à jornalista Mônica Veloso, com quem teve uma filha fora do casamento.

Os pagamentos investigados são de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. O presidente do Senado sustentou que os recursos eram provenientes de venda de gado e de um empréstimo.Segundo a PGR, porém, documentos apresentados para comprovar essa renda tinham falsidades e inconsistências. Haveria falsidade ideológica, por exemplo, em recibos de venda de gado e fichas de vacinação. Em alguns casos, segundo a investigação, os documentos se referiam a fazendas de terceiros.

- Continua após a publicidade -

Houve também o depoimento de um comprador de gado, indicado por Renan, que disse à Justiça não ter adquirido o número de cabeças declarado pelo senador. Ainda conforme a denúncia, foram entregues notas fiscais frias para comprovar a venda do gado.

Renan vira réu no STFO juiz Sérgio Moro cumprimenta o presidente do Senado durante sessão nesta quinta-feira, antes do julgamento do STF.  

Voto do Relator 

Fachin entendeu que há indícios de autoria e materialidade do crime de peculato, conforme apontado por quebra do sigilo das contas de Renan. Para o ministro, há indícios de que Renan usou verba indenizatória do Senado para custear parte da pensão de sua filha.Também existem, segundo Fachin, evidências de que um empréstimo que o senador alegou ter tomado de uma empresa de aluguel de veículos não tenha acontecido de verdade.

- Continua após a publicidade -

Quanto à denúncia de falsidade ideológica e uso de documento falso, Fachin entendeu que parte já prescreveu – no tocante a documentos particulares, como contratos de empréstimo – e outra parte – referente a documentos públicos, como fichas de vacinação – não merece ser recebida. Isso porque a PGR não explicou exatamente qual informação falsa foi inserida nos documentos apontados.

Defesa 

Antes do voto de Fachin, o advogado de Renan, Aristides Junqueira, criticou a investigação. “Não há indícios suficientes sequer para o recebimento da denúncia”, disse o defensor, que apontou “incongruências”. Para Junqueira, enquanto o inquérito em análise investiga suposta incapacidade financeira de Renan de arcar com despesas familiares, em outro inquérito no STF, sob relatoria do ministro Dias Toffoli, apura-se excesso de dinheiro em suas contas, na mesma época (2004-2006).

“Por que o Ministério Público denuncia apenas o senador e não denuncia o coautor que emitiu as notas fiscais?”, questionou Junqueira. Para ele, a denúncia da PGR é vaga e imprecisa. “Denúncia que não descreve o fato com todas as circunstâncias é denúncia inepta”, disse.

Em frente ao Supremo, enquanto o advogado de Renan expunha seus argumentos no Plenário da Corte, magistrados protestavam contra os projetos que tramitam no Congresso e que visam punir juízes e membros do Ministério Público por abuso de autoridade. Na manifestação, convocada por entidades de classe, como a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros, juízes cantaram o Hino Nacional durante a sessão, sob forte esquema de segurança.  

Outros casos 

Além dessa ação, Calheiros é alvo de outros 11 inquéritos no STF. Desse total, oito são relacionados à Operação Lava-Jato, que investiga esquema de propina a partir de contratos na Petrobras. O parlamentar ainda reponde por ações que estão relacionadas à Operação Zelotes, que investiga denúncia de venda de medidas provisórias.

Sessão na Câmara

Ao abrir, nesta quinta-feira, o debate temático no plenário do Senado sobre o projeto de lei que modifica o texto da Lei de Abuso de Autoridade, Calheiros disse que a proposta, de sua autoria, não busca “embaçar a Lava-Jato” ou intimidar juízes e procuradores.

Renan afirmou considerar a operação “sagrada” e que deve ser estimulada. “Ela definiu alguns avanços civilizatórios e precisa ser estimulada para que com ela e com outras que possam ser conduzidas na mesma direção, ela possa colaborar com a diminuição da impunidade no Brasil, que é uma grande chaga. Apenas serão punidas as autoridades que livre e conscientemente fizerem mau uso dos seus poderes”, afirmou o senador que ainda não havia se tornado réu no STF e foi cumprimentado pelo juiz Sérgio Moro.

Imagem: Dida Sampaio / Estadão Conteúdo 

 

 

 

 

Leia Mais

TCE-ES aponta melhora nas contas dos municípios
Prazo para regularizar título eleitoral termina quarta (6)
Mulher de Moraes representa banco Master em inquérito...
Procuradoria pede prisão de Renan, Sarney, Jucá e...
Comissão de Assuntos Econômicos do Senado inicia análise...
Moraes dá cinco dias para Bolsonaro e réus...
Café com prefeito: TCE-ES reúne gestores capixabas
Apenas 3% de presos provisórios votaram
Crises, STF e eleições redesenharam cenário político de...
Wagner não vê motivo para a demora da...

Receba notícias exclusivas no seu WhatsApp

Contéudos especiais no seu email. Receba hoje!

- Continua após a publicidade -
- Publicidade -

EDIÇÃO DIGITAL

Edição 233

RÁDIO ES BRASIL

Continua após publicidade

Política e ECONOMIA

Matérias relacionadas

- Continua após a publicidade -