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Investimentos bilionários impulsionam ES em 2026

Indústria lidera a expansão, enquanto juros altos e reforma tributária precisam ser superados por gestão pública e setor produtivo

Por Cristiano Stefenoni

O ano de 2026 deve ser de continuidade para a trajetória de crescimento do Espírito Santo, respaldado no equilíbrio fiscal do estado e impulsionado por investimentos importantes em setores basais da economia. No caminho, desafios com mudanças no sistema tributário e o impacto dos juros, além de um cenário com eleições para presidente e governador.

O estado tem, até 2029, ao menos R$ 137,6 bilhões previstos em investimentos, segundo levantamento do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN). É o recorde da série histórica desde 2000. Do total, 70% já se encontram em execução e 30% representam oportunidades em fase de planejamento. A maior parte dos aportes (91,7%) está concentrada na indústria.

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“Temos um estado com equilíbrio das contas públicas, com crescimento econômico e geração de emprego e renda, o que é muito positivo para o empreendedor que quer aportar recursos no território capixaba”, avalia o diretor-geral do IJSN, Pablo Lira.

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Sonda perfura campo de petróleo de Wahoo, no litoral capixaba

Entre os investimentos relevantes para o setor industrial em 2026, o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, destaca os aportes para o desenvolvimento do campo de Wahoo – ativo de petróleo e gás localizado na Bacia de Campos, litoral sul capixaba – feitos pela Prio (US$ 870 milhões), os da Samarco para a continuação da retomada de suas operações em Anchieta (R$ 3,5 bilhões) e o início da construção do Laminador de Tiras a Frio da ArcelorMittal, em Tubarão, Vitória (R$ 3,8 a 4 bilhões).

Esses três projetos consolidam o estado como polo estratégico em petróleo e gás, mineração, siderurgia e aço de alto valor agregado. Outro setor com boas perspectivas para 2026 é o de infraestrutura, avalia Baraona, com investimentos distribuídos entre rodovias, saneamento, energia, ferrovias e portos no estado.

“Entre os destaques, estão a renovação da concessão da BR-101, os investimentos provenientes do leilão de saneamento de 43 municípios capixabas e a primeira fase do Porto Central, em Presidente Kennedy, iniciativas que ampliam a competitividade e contribuem para o desenvolvimento econômico do estado”, enfatiza.

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Na área dos investimentos públicos, o Governo do Estado anunciou, em dezembro, a destinação de R$ 930 milhões para modernizar as rodovias estaduais. Serão nove intervenções em 13 municípios, contemplando recuperação e reabilitação de estradas, implantação de novos trechos e construção ou recuperação de pontes e outros elementos estruturais. Obras de contenção marítima também foram incluídas nesse pacote.

Baraona lembra ainda que no segmento portuário estão previstos o início das operações do Porto da Imetame, em Aracruz, e a finalização do Terminal de Granéis Líquidos do Porto de Vitória, gerenciado pela Vports — ações que ampliam a capacidade logística do estado e simbolizam a continuidade do esforço coletivo de impulsionar o desenvolvimento econômico capixaba em 2026.

Desafios à vista

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Samarco, no sul do estado, em Anchieta, seguirá investindo em sua retomada gradual em 2026

Por outro lado, o presidente da Findes pondera que o próximo ano será desafiador, principalmente por conta da reforma tributária, cuja implementação se inicia em janeiro, e dos altos juros, além dos conflitos internacionais que acabam por se refletir no estado.

Nesse sentido, entre os principais fatos ocorridos em 2025 merece destaque o que ficou conhecido como tarifaço dos EUA. Em agosto, o governo de Donald Trump aumentou em 40% as tarifas de 10% que já incidiam sobre vários produtos brasileiros, elevando o patamar final a 50%. Posteriormente, em novembro, diversas dessas mercadorias foram isentas.

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“Estamos vivendo um cenário global desafiador e um ambiente interno que também exige muita cautela do empresário. O Espírito Santo é um dos estados mais integrados ao comércio exterior, com 52,7% da produção voltada ao mercado internacional, o que nos torna sensíveis a oscilações globais, como as tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos e a queda nos preços de commodities como petróleo, minério de ferro e celulose”, explica o presidente da Findes.

Baraona também pontua o impacto de questões no cenário nacional, como a elevada taxa de juros e o custo do crédito. “Esses dois fatores permanecem como os principais obstáculos para investimento e expansão, especialmente para a indústria de transformação e a construção civil.

A taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006, pressiona o custo de financiamento, limita a capacidade de investimento e reduz a competitividade das empresas”, afirma. Análise da Confederação Nacional da Indústria (CNI), inclusive, mostra que 80% dos industriais apontam que a taxa de juros elevada é o principal obstáculo para o crédito de curto prazo, enquanto 71% indicam a Selic como barreira para financiamentos de longo prazo.

“Para sustentar o ritmo de crescimento, é fundamental que os empresários tenham acesso a crédito mais barato e condições favoráveis para investir. A manutenção do patamar em 15% ao ano sufoca a economia e reduz a competitividade do setor produtivo. É preciso destravar o crédito e permitir que o investimento volte a girar. O Brasil não pode permanecer isolado num contexto global em que outras economias já estão reduzindo seus juros reais”, disse.

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Projeção do porto da Imetame, em construção em Aracruz: operações devem se iniciar no ano que vem.

Tendência é bater metas

Mostrando resiliência e capacidade gerencial, o Espírito Santo permanece oferecendo um ambiente equilibrado e atrativo para investimentos e negócios. De acordo com o diretor-geral do IJSN, o estado capixaba vem alcançando resultados históricos, com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acima da média nacional e a terceira menor taxa de desemprego do país (2,6%), registrada no terceiro trimestre – a média nacional ficou em 5,6%, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Temos a menor taxa de desocupação entre os estados do Sudeste. E estamos em um ritmo de constante redução da violência, da pobreza e da extrema pobreza. Estamos também aumentando a capacidade de investimento e a renda, além de manter as contas públicas equilibradas”, enfatiza Lira.

Entre os pontos de atenção para 2026, o diretor-geral do IJSN pontua que as eleições podem influenciar a economia. “Não podemos esquecer que o ano que vem é eleitoral,
e isso pode trazer certa instabilidade no plano econômico, em razão do cenário político no país, que é de muita polarização. Isso influencia os negócios”, afirma.

Além disso, o resultado nas urnas impacta uma série de implicações que moldam o perfil da gestão pública e refletem diretamente na economia – além do campo social. Isso tem a ver com questões como as percepções relativas à responsabilidade fiscal, incentivos a determinados setores, regulamentações ambientais, confiança na estabilidade institucional e regulatória, entre outros.

Colheita de resultados

Já o vice-governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, afirma que 2026 será tempo de colher os investimentos que foram plantados este ano, configurando-se como um momento de mais avanço ainda.

“Nossa previsão é de continuidade do crescimento com responsabilidade. O Espírito Santo chega ao próximo ano com contas públicas equilibradas, investimentos estruturantes em andamento e um ambiente de negócios cada vez mais competitivo”, ressalta.

Além da consolidação de grandes projetos de infraestrutura logística e industrial, o vice-governador destaca o fortalecimento das áreas sociais. Especialmente educação, saúde e segurança – com programas já em curso que terão maior impacto no ano que vem.

Em 2025, o governo liberou o montante de R$ 485 milhões para melhorias da infraestrutura escolar, ampliação de vagas e modernização das redes municipais de ensino por meio do Fundo Estadual de Apoio à Ampliação e Melhoria das Condições de Oferta da Educação Infantil e do Ensino Fundamental (Funpaes). Foram 75 municípios contemplados.

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Complexo de Saúde Norte, em São Mateus, tem entrega prevista para 2026

Em saúde, o programa OperaES, por exemplo, teve aporte de R$ 130 milhões para reduzir as filas das cirurgias eletivas, com horários de atendimento estendidos e fortalecimento da infraestrutura hospitalar.

Já as obras do Complexo de Saúde Norte, que avançaram em São Mateus, receberam investimento de R$ 300 milhões e têm entrega prevista para o ano que vem, beneficiando 700 mil pessoas.

 

Preparação

Além da expectativa com as entregas e investimentos, Ferraço comenta a preparação para a transição do novo modelo tributário. O vice-governador afirma que esse assunto tem sido tratado com absoluta prioridade na administração estadual. As novas regras entram em vigor ano que vem, mas a mudança no sistema tributário em todo o país será gradual, com etapas previstas até 2033.

“O governo estadual já estruturou grupos técnicos, realizou seminários com servidores e municípios e iniciou a modernização dos sistemas fiscais para garantir uma transição segura quando o novo modelo entrar em vigor”, explica Ferraço.

A administração do estado também está dialogando com o setor produtivo para mapear impactos e construir alternativas que preservem a competitividade local, especialmente diante do fim gradativo dos incentivos fiscais.

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Marataízes, no sul do Espírito Santo, receberá obras de contenção marítima

“Em síntese, o estado está preparado e agindo de forma antecipada para transformar a reforma tributária em uma oportunidade de modernização e de fortalecimento da nossa economia”, ressalta.

Ferraço reforça também que o ano de 2026 começará ainda reverberando a notícia do recuo de Trump na sobretaxa de parte dos produtos impactados pelo tarifaço, entre os quais itens que afetam diretamente as exportações capixabas.

“Com tarifas elevadas, as mercadorias capixabas perdiam competitividade diante de outros países. Agora, essa mudança tende a restabelecer nossas vantagens no mercado internacional e dar mais tranquilidade aos nossos produtores, que poderão seguir investindo e expandindo com segurança”, afirma.

Estabilidade fiscal fomenta crescimento

O fato de o estado possuir nota máxima (A+) na Capacidade de Pagamento (Capag) avaliada pelo Tesouro Nacional e ser reconhecido nacionalmente por sua gestão fiscal responsável, com equilíbrio orçamentário e transparência, amplia as possibilidades para que 2026 seja um ano de vitórias. Esta é a opinião do vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Claudeci Pereira Neto.

“O Espírito Santo conta com um ambiente político estável, contas equilibradas e preza pela transparência na relação entre poder público e iniciativa privada, o que traz garantia ao investidor de que as instituições funcionam e as regras estabelecidas serão respeitadas. Com o controle da inflação e o aumento gradual da renda, o consumo das famílias tende a se fortalecer, estimulando o comércio e os serviços locais”, conclui.

*Entrevista publicada originalmente na revista ES Brasil 231 – Retrospectiva 2025. Leia a edição completa aqui.

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