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Setor de rochas mantém agenda oficial em Washington

Mesmo tendo parte dos produtos na lista de isentos da tarifa adicional de 40% imposta pelo governo americano, setor de rochas segue mobilizado

Por Kikina Sessa

Como parte das ações de mobilização internacional, representantes do setor de rochas participam nesta sexta-feira (01) de uma agenda oficial na Embaixada do Brasil em Washington. A iniciativa é liderada pela Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), com parceria estratégica do Natural Stone Institute (NSI), e contará com a entrega simbólica de uma carta conjunta à National Association of Home Builders (NAHB), reforçando os impactos que a tarifa teria sobre o setor brasileiro e a cadeia da construção nos Estados Unidos.

“O anúncio da isenção da nossa principal NCM (nomenclatura de um dos principais produtos exportados pelo setor) traz um importante alívio ao setor, mas seguimos vigilantes. Nossa agenda em Washington está mantida para reforçar institucionalmente o pleito da inclusão de todas as rochas naturais e garantir segurança jurídica e previsibilidade às nossas operações internacionais”, afirma Fábio Cruz, vice-presidente da Centrorochas.

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A ação em Washington representa um desdobramento direto das articulações iniciadas pela Centrorochas desde o anúncio da tarifa, no dia 9 de julho, e segue alinhada com o Sindirochas e lideranças empresariais. A carta à NAHB também solicita inclusão de todas as rochas naturais na lista de produtos com isenções, uma vez que os Estados Unidos não detém este tipo de matéria prima, insumo para a indústria local.

“O setor está unido, agindo com responsabilidade, diálogo e estratégia. A confirmação da isenção da NCM é um importante avanço, mas precisamos assegurar que toda a cadeia compreenda os termos da medida e se prepare para os próximos passos”, reforça Tales Machado, presidente da Centrorochas.

Custo das construções nos EUA pode aumentar

“A assinatura do decreto só reforça a importância de estarmos em Washington esta semana. Essa tarifa afeta o Brasil, mas também, e de forma direta, afeta a cadeia de suprimentos americana. Vamos fazer esse alerta de forma clara, com responsabilidade e união”, afirma o vice-presidente da Centrorochas, Fábio Cruz.

No âmbito das articulações com as associações americanas, a Centrorochas teve acesso a um documento preliminar conduzido pela National Association of Home Builders (NAHB), uma das maiores entidades do setor nos EUA, que representa construtores, incorporadores, empreiteiros e empresas da cadeia da construção civil. Embora o relatório ainda não esteja finalizado, os dados apontam que o custo médio para a construção de novas residências nos EUA poderá aumentar consideravelmente.

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Durante o encontro na Embaixada, será realizada a entrega simbólica de uma carta conjunta à NAHB, reforçando os impactos negativos da medida tarifária sobre o setor brasileiro e os reflexos diretos no custo da construção nos Estados Unidos. O documento também solicita a inclusão das rochas naturais brasileiras no hall de isenções.

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O evento reunirá cerca de 20 participantes, entre representantes da indústria brasileira, membros da Embaixada, convidados da imprensa local e lideranças das entidades americanas parceiras. Já confirmaram presença na missão empresarial as empresas Cosentino, Emerstones, Magban, Milanezi Granitos e Santo Antonio, além do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos (Anfacer), Maurício Borges.

Setor industrial apresenta propostas

Com o objetivo de atenuar os efeitos da aplicação da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou ao governo federal uma lista de 8 medidas prioritárias com diversas propostas do setor em áreas como crédito, tributação, emprego e comércio exterior.
A relação foi entregue nesta quarta-feira (30) ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin.

Medidas propostas

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1 Criar linha de financiamento emergencial do BNDES, com juros de 1% a 4% a.a., específicas para capital de giro para empresas que tiverem exportações afetadas e suas cadeias produtivas.

2 Ampliar, de 750 dias para 1.500 dias, o prazo máximo entre a contratação e a liquidação do contrato de câmbio de exportação nas modalidades Antecipação de Contrato de Câmbio (ACC) e Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE), especialmente aqueles que estão em andamento, realizados por bancos públicos e desenvolvimento, após o embarque da mercadoria ou após a prestação do serviço.

3 Prorrogar o prazo e/ou carência para pagamento de financiamentos direcionados ao comércio exterior, como PROEX e BNDES-Exim.

4 Aplicar direito provisório de dumping e reforçar os recursos humanos e tecnológicos para resposta rápida a desvios de comércio.

5 Adiar, por 120 dias, o pagamento de todos os tributos federais, incluindo as contribuições previdenciárias, e parcelar, em pelo menos seis parcelas mensais e sem incidência de multas e juros, o pagamento dos valores dos tributos que tiveram o recolhimento adiado.

6 Realizar o pagamento imediato dos pedidos de ressarcimento de saldos credores de tributos federais (PIS/Cofins e IPI) já homologados pela Receita Federal do Brasil e garantir compensações mais ágeis e previsíveis.

7 Ampliação do Reintegra, com elevação para 3% da alíquota de ressarcimento de tributos residuais nas exportações.

8 Reativar o Programa Seguro-Emprego (PSE) com aperfeiçoamentos.

A CNIC reforça que setores importantes como de proteína animal e café, etanol, máquinas e equipamentos, outros manufaturados e produtos com grande relevância para a pauta exportadora brasileira, ficaram de fora da lista de exceções e enfrentarão o aumento da tarifa.

A Confederação informou que está organizando uma missão empresarial aos Estados Unidos para aproximar empresas brasileiras e americanas que mantêm relações comerciais. O objetivo é promover a sensibilização mútua sobre os impactos negativos do tarifaço e ampliar canais de interlocução, sem interferir diretamente nas negociações governamentais.

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