Faz 10 dias que trecho da ferrovia Vitória-Minas, em Piraqueaçu, foi fechado por indígenas da aldeia Córrego D’Ouro, impactando a cadeia industrial no ES
Por Kikina Sessa
Passados 10 dias desde que indígenas Tupiniquim e Guarani, da aldeia Córrego D’Ouro, iniciaram o bloqueio da Estrada de Ferro Vitória-Minas, no ramal Piraqueaçu, na região de Aracruz, a situação permanece sem solução e os prejuízos econômicos e produtivos, segundo o Fórum de Entidades e Federações do Espírito Santo (FEF), são calculados em cerca de R$ 50 milhões.
O trecho interrompido liga a ferrovia concedida à Vale à região portuária de Aracruz. O FEF emitiu nota em que manifesta repúdio e considera a situação inaceitável. Desde 2020, as interrupções e bloqueios na mesma via já chegam a quase 100 dias.
A interrupção do escoamento de cargas que chegam de Minas Gerais impacta toda a cadeia industrial: a produção está sendo paralisada, as cargas não chegam ao porto e há uma fila de embarque represada, com reflexos diretos nas exportações e na credibilidade dos prazos logísticos do Estado.
“O bloqueio de um ramal estratégico como o de Aracruz fere o princípio da livre iniciativa e compromete a competitividade da indústria capixaba. Além dos danos financeiros imediatos, cada novo bloqueio ameaça a imagem do Espírito Santo como hub logístico seguro, eficiente e confiável”, diz nota assinada pelo presidente da entidade, Paulo Baraona.
De acordo com o Fórum, empresas mineiras, que tradicionalmente utilizam a infraestrutura capixaba para escoar sua produção, já buscam alternativas em outros estados, o que coloca em risco investimentos e empregos e enfraquece a posição do ParkLog ES como um dos eixos logísticos mais importantes do país.
“Diante dessa gravidade, o prolongamento desse impasse amplia o prejuízo econômico, social e reputacional do Espírito Santo e gera insegurança para todo o setor produtivo”, afirma Baraona.
“Reiteramos o compromisso do FEF com o diálogo e com a defesa do desenvolvimento sustentável e legal do Espírito Santo, mas reforçamos que é urgente reestabelecer a legalidade e o equilíbrio produtivo o quanto antes, garantindo que o Espírito Santo continue sendo referência de eficiência e confiabilidade para o Brasil e para o mundo”, conclui a nota.
Os indígenas reivindicam a inserção no Programa de Indenização Definitiva (PID) da Samarco, pelo rompimento da barragem em Mariana, ocorrido em novembro de 2015.

