Espírito Santo tem os Estados Unidos como principal destino das exportações e concentra três setores nessa rota comercial: rochas, celulose e mineração
Por Kikina Sessa
Se a partir de 1º de agosto passar a vigorar a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, anunciada nesta quarta-feira (09) pelo presidente norte-americano, Donald Trump, a economia capixaba vai sofrer grande impacto. Isso porque o Espírito Santo tem nos Estados Unidos o seu principal parceiro comercial, enquanto o Brasil, como um todo, tem a China como destaque na balança comercial.
Entre 2015 e 2024, do total exportado pelo Espírito Santo, 30% foram destinados aos Estados Unidos. Em 2025, dados registrados até junho, mostram que o percentual está em 33,93%. Ou seja, um terço de tudo que o Espírito Santo exporta tem como destino os Estados Unidos.
O segundo principal destino do ES neste ano de 2025, por exemplo, é a Malásia, com 6,12% apenas. Isso demonstra que a participação relativa dos Estados Unidos na balança de exportação do Estado é muito alta.
“Quando pegamos os 10 principais produtos que o Brasil exporta para os Estados Unidos, temos 50% na participação na balança de exportação bilateral. Quando fazemos essa leitura com os 10 principais produtos que o Espírito Santo exporta para os Estados Unidos, a participação na balança de exportação bilateral é 98,19%”, explica o economista Raphael Rodrigues, conselheiro do Conselho de Economia (Corecon-ES).
Os produtos que mais pesam na balança comercial são dos setores de rochas, celulose e minério. “Esses três setores econômicos têm uma participação muito alta na exportação brasileira para os Estados Unidos e são setores importantes para a economia capixaba”, complementa o economista.
Os impactos consequentes desse aumento de alíquota são a redução da atividade econômica, principalmente nesses três setores, e a própria redução na oferta de emprego.
O Espírito Santo também é o estado com maior grau de abertura ao comércio internacional. “O grau de abertura econômica é a relação entre fluxo de exportações e importações em relação ao PIB. Em 2024 foi de 64% no Estado, enquanto no Brasil foi de 27%”, analisa Raphael.
Isso revela o quanto a economia capixaba é dependente do comércio exterior. “Toda política de comércio exterior é dada pelo governo federal, mas o Espírito Santo tem três setores com ampla participação na exportação nacional, portanto, o Estado é fundamental também nessa articulação junto ao governo federal na tentativa de buscar reverter essa medida”, conclui o economista.

