Diante de tarifas de 50% impostas pelos EUA ao Brasil, setor industrial afirma que medidas comprometem empregos, arrecadação e crescimento econômico
Por Kikina Sessa
A imposição de 50% de tarifa sobre o produto brasileiro por parte dos Estados Unidos é vista pelo setor industrial como uma medida extremamente severa, tomada com base em interesses político-partidários internos e que rompe com os princípios fundamentais que regem o comércio internacional.
Posicionamento da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), seguindo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), defende que seja intensificada a negociação com governo de Donald Trump para preservar a relação comercial histórica e complementar entre os países.
“O Espírito Santo possui uma das economias mais abertas do Brasil, altamente integrada ao mercado externo. Essa abertura, que é uma das forças do desenvolvimento socioeconômico capixaba, nos torna também mais vulneráveis a decisões unilaterais e protecionistas como esta. Medidas desse tipo comprometem a previsibilidade das relações comerciais, criam instabilidade nos mercados e colocam em risco cadeias produtivas inteiras, com reflexos diretos no emprego, na arrecadação e no crescimento econômico regional”, comenta o presidente da Findes, Paulo Baraona.
A relação comercial entre o Espírito Santo e os Estados Unidos é historicamente sólida e relevante. Dados do Observatório Findes, centro de inteligência da Federação, mostram que em 2024 os Estados Unidos representaram 28,6% de todas as exportações capixabas, consolidando-se como o principal parceiro comercial do Estado. “Somente no ano passado, exportamos US$ 3,06 bilhões e importamos US$ 2,05 bilhões – saldo positivo para o Espírito Santo que passa a ser ameaçado por uma política comercial arbitrária”, diz Baraona.
Setores mais afetados
Os setores mais expostos à nova taxação incluem aço, rochas ornamentais, papel e celulose, minério e café – todos com forte peso na estrutura econômica capixaba. Ao encarecer artificialmente os produtos brasileiros no mercado norte-americano, essa medida reduz a competitividade e pode resultar em queda nas vendas, prejuízo às empresas e perda de postos de trabalho.
“A Findes considera inaceitável que decisões comerciais sejam tomadas com base em disputas políticas internas, desconsiderando os impactos concretos sobre economias inteiras. Reafirmamos a importância do diálogo diplomático e da construção de soluções que respeitem as regras do comércio global. É papel do governo brasileiro atuar de forma firme na defesa dos interesses nacionais, buscando reverter essa medida e preservar o ambiente de negócios internacional”, conclui.

