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domingo, 28 novembro, 2021

Pandemia e impactos na comercialização online do Agro

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Os consumidores estão mais conscientes sobre os benefícios de alimentos mais naturais em relação aos processados e ultraprocessados

Pesquisa recente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo – SBVC, realizada no mês de maio em todas as regiões do país, apontou para um crescimento de 79% das compras online no setor de alimentação e bebidas, durante a pandemia. Esse mesmo estudo identificou que 80% dos consumidores estão satisfeitos com as aquisições por meio digital.

Há outros dois dados interessantes, nessa pesquisa: 46% dos entrevistados aumentaram em mais de 50% o volume de compras online e sete a cada a cada dez consumidores pretendem continuar comprando por este canal, no pós pandemia. Obviamente, os alimentos a que se refere o estudo da SBVC são os processados adquiridos do comércio varejista.

As compras online são muito significativas em diversos setores, como moda, eletrônicos, alimentos processados e refeições prontas. As compras virtuais diretas da agricultura, de alimentos minimamente ou não processados, ainda não estão no mesmo patamar desses outros segmentos, mas houve um elevado crescimento durante a pandemia.

Os consumidores estão mais conscientes sobre os benefícios de alimentos mais naturais em relação aos processados e ultraprocessados. Os alimentos in natura, como frutas, legumes, verduras, grãos, carne e ovos, são fontes de fibras, vitaminas e minerais. Assim, favorecem o sistema imunológico, o que é vital em termos de prevenção, nesses  tempos de Covid-19.

Surgiram nos últimos meses as “feiras online”, um novo canal de comercialização, que evita contatos, fluxo de pessoas, aglomerações e dá mais proteção, tanto para agricultores quanto para os consumidores. Embora os preços ainda estejam altos, há tendência de barateamento quando aumentar o volume comercializado. Em decorrência, os custos de transporte e distribuição, ou seja, de entrega a domicílio, vão se reduzir muito.

Feira agroecológica
Foto: Assessoria de Comunicação/Seag

O mercado online de produtos diretamente do setor de produção rural, além de facilitar as compras e se constituir numa forma segura pra proteger as pessoas, favorece ainda a dinâmica da economia local e regional, que faz o comércio girar  e preserva empregos. E essa é uma das estratégias de todos os países para a recuperação da economia durante e pós-pandemia.

Deve-se registrar que a produção desses alimentos in natura, como frutas, legumes e verduras, é oriunda basicamente da agricultura de base familiar, aquela desenvolvida em pequenas propriedades rurais, com mão de obra predominante da própria família rural.

Devido a essa caracterização da oferta, há desafios a superar na comercialização online de alimentos ao natural ou minimamente processados. Um agricultor individualmente não consegue atender a demanda variada de alimentos de uma família. Daí a necessidade de organização dos produtores rurais em associações e cooperativas para que haja a oferta de cestas diversificadas de alimentos naturais e a regularidade no abastecimento do mercado.

Outro desafio para o setor de produção agrícola, é a busca incessante pela qualidade dos alimentos. Os consumidores estão cada vez mais conscientes em relação às possibilidades de transmissão de doenças via alimentos, sejam vegetais ou animais, domésticos ou silvestres. Afinal, é muito provável que a Covid-19 se instalou no mundo a partir de uma alimentação à base de um animal silvestre por um chinês.

Há consenso entre os especialistas que iremos mudar muitos de nossos hábitos no pós-pandemia. Não há dúvidas que o mercado online de alimentos saudáveis vai crescer e se consolidar. Afinal, trata-se de um jogo de ganha-ganha.  Ganham os agricultores, que ao encurtar a cadeia de comercialização, terão uma maior margem de lucro. E ganham os consumidores, por terem à disposição alimentos saudáveis e a custos menores, ao longo do tempo.

Enio Bergoli é Engenheiro Agrônomo do Incaper, especialista em Socioeconomia e Ex-Secretário de Agricultura do Espírito Santo

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