Por Thamiris Guidoni
O Carnaval é celebrado como o maior espetáculo popular do Brasil. Para alguns, representa descanso. Para outros, dias intensos de festa, música e liberdade. Mas, enquanto multidões ocupam ruas e avenidas, especialistas em saúde mental alertam para efeitos emocionais que podem surgir durante e após a folia, sobretudo quando descanso e autocuidado ficam em segundo plano.
A combinação de euforia, estímulos intensos, privação de sono e consumo excessivo de álcool pode afetar o equilíbrio psicológico. Ansiedade, irritabilidade, estresse e exaustão emocional tendem a aparecer ainda nos dias de festa e se prolongar no chamado “pós-Carnaval”. Em alguns casos, surge a sensação de vazio ou tristeza após o fim da euforia.
Para a psicanalista e neurocientista Joseana Sousa, especialista em comportamento humano, esse movimento é esperado.
“O Carnaval pode criar um ambiente onde os impulsos e desejos se tornam mais intensos, reduzindo o autocontrole, senso crítico e a reflexão sobre consequências. Isso pode favorecer decisões impulsivas e excessos que, depois, exigem um ajuste emocional”, explica.
Segundo ela, o retorno à rotina pode acentuar o contraste entre a intensidade vivida e o cotidiano, gerando mal-estar.
Álcool, exaustão e desequilíbrio
O consumo elevado de álcool é um dos fatores que mais contribuem para esse impacto.
“Quando a pessoa já não está emocionalmente equilibrada, o uso de álcool e outras substâncias pode potencializar impulsividade e favorecer ações inconsequentes, como comportamentos de risco, conflitos, arrependimentos e decisões tomadas sem reflexão. Além disso, a falta de descanso, a desidratação e a alimentação irregular, características comuns durante a folia, também comprometem o equilíbrio físico e mental, ampliando o desgaste no pós-Carnaval”, destaca.
Apesar dos alertas, Joseana reforça que a celebração não é negativa por si só.
“Existe um potencial positivo na socialização, na música e na celebração, que podem fortalecer vínculos e gerar bem-estar momentâneo. Mas é essencial lembrar que a saúde mental não é uma ilha isolada: ela está conectada ao corpo, ao descanso e ao sentido de pertencimento. Quando não cuidamos desses aspectos, a transição do estado de festa para a rotina pode ser um choque emocional”, afirma.
Para minimizar impactos, a orientação inclui hidratação, sono adequado, limites no consumo de álcool, respeito aos próprios sinais físicos e emocionais e busca de apoio profissional se os sintomas persistirem.
“Cuidar da saúde mental não significa negar a alegria ou a celebração, mas sim reconhecer que o corpo e a mente são partes indissociáveis do mesmo processo. Aquilo que vivenciamos intensamente precisa ser equilibrado com reflexão, compaixão por si mesmo e suporte adequado quando necessário”, conclui Joseana.

