O objetivo é estudar e criar estratégias integradas de combate à febre oropouche como controle do mosquito, testes rápidos e um imunizante
Por Amanda Amaral
A Universidade do Estado do Espírito Santo (Ufes) e o Governo do Espírito Santo firmaram parceria para o projeto Enfrentamento da febre do oropouche, com intuito de aprimorar métodos de diagnóstico, inclusive, de desenvolverem uma vacina contra a doença. Já foram repassados do poder executivo estadual R$ 6 milhões para a iniciativa.
A cerimônia de formalização entre o poder público e a academia aconteceu na segunda-feira (26), na Ufes. Juntos, durante três anos, seus representantes e pesquisadores criarão estratégias integradas para combater à doença – que já causou quatro óbitos no Brasil somente em 2025.
Um deles no Espírito Santo, os outros no Rio de Janeiro, conforme dados do Ministério da Saúde. Contando com o óbito de 2024, o estado capixaba já soma duas mortes por febre oropouche, e mais oito óbitos estão em investigação, segundo informações da Universidade.
No Brasil, 60% dos casos estão no Espírito Santo, segundo dados divulgados pela Ufes, de dezembro de 2024 (quando o primeiro óbito foi identificado no território capixaba) até 13 de maio de 2025, foram 6.693 casos de febre oropouche. A doença possibilita também a transmissão vertical, ou seja, da gestante para o feto.
Manejo e controle do Vetor
Um foco do projeto será supervisionado pelo Incaper e trata do manejo de culturas e o controle do vetor. Isso porque, o surto da febre oropouche no Brasil, segundo o Instituto Oswald Cruz, chamou atenção das pessoas para o Culicoides paraensis.
O inseto chamado de maruim ou mosquito-pólvora, é acusado de ser o responsável pela transmissão do arbovírus (vírus transmitido por artrópodes) do gênero Orthobunyavirus, da família Peribunyaviridae. O mosquitinho é muito pequeno, vive em florestas e em área rurais, e está associado a algumas culturas como a banana. O Incaper já formou uma equipe multidisciplinar para atuar no campo junto ao agricultor.
Futura vacina
O outro foco envolve parceria entre Ufes e Lacen – laboratório que integra a pesquisa nacional sobre a expansão do vírus oropouche para regiões fora da Amazônia brasileira, e que confirmou cientificamente que o Espírito Santo foi um dos primeiros estados fora da região amazônica a registrar a circulação do vírus no seu território por meio da análise de amostras suspeitas de arboviroses negativas para dengue, Zika e chikungunya. O artigo foi publicado na revista The Lancet Infectious Diseases.
“Nós [da Ufes e Lacen] vamos pensar diferentes estratégias, uma abordagem ligada à vigilância epidemiológica, outra à vigilância genômica, principalmente nas questões de mutações, e outra que são os desdobramentos clínicos com estudos da imunopatogênese e com as práticas clínicas mais voltadas para intervenção junto ao paciente. Por fim, [vamos trabalhar] a identificação de biomarcadores, principalmente voltados para desenvolvimento tecnológico de métodos de diagnóstico e, quem sabe, até uma vacina que poderia ser utilizada contra a arbovirose”, afirmou o coordenador do projeto pela Ufes, o professor Daniel Gomes, que também está à frente do Núcleo de Doenças Infecciosas (NDI) da Universidade.
Entre as estratégias que podem ser criadas, segundo Daniel Gomes, está testes rápidos que diferenciam diferentes arboviroses: dengue, zika, oropouche, o que contribuiria para dar mais celeridade ao tratamento das doenças. “Uma vacina demanda muito mais tempo para ser testada, mas a gente tem essa visão de continuidade do projeto para o desenvolvimento de uma vacina futura”, explicou o professor da Ufes.

No caso de suspeita de febre oropouche, o cidadão deve procurar a unidade de saúde de sua referência, mais próxima de sua residência. Participaram da reunião, o reitor Eustáquio de Castro, o secretário de estado da Saúde, Tyago Hoffmann; o secretário de estado de Agricultura, Enio Bergoli; o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), Rodrigo Varejão.
Também estiveram presentes, o coordenador geral do Laboratório Central de Saúde Pública do Estado do Espírito Santo (Lacen/ES), Rodrigo Rodrigues; o membro da equipe do projeto no Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), José Aires; o diretor do CCS, Helder Mauad; e o coordenador do projeto na Ufes, professor Daniel Gomes, que também está à frente do Núcleo de Doenças Infecciosas (NDI) da Universidade.

