Rodrigo Ribeiro Rodrigues revelou que, em 2024, dez casos de Mpox foram confirmados no Espírito Santo, sem registros de óbitos
Por Kebim Tamanini
O Mpox, também conhecido como monkeypox ou varíola dos macacos, é um vírus inicialmente encontrado na África que ainda é pouco conhecido pela população capixaba. Com apenas dez casos confirmados em 2024 e nenhum óbito no estado, a ES Brasil conversou com Rodrigo Ribeiro Rodrigues, diretor do Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen), para entender melhor o cenário da doença no estado e no mundo.
Rodrigues explicou que o Mpox causa lesões dermatológicas muito semelhantes às da varíola humana e da catapora, especialmente conhecidas por pessoas mais velhas. “As lesões formam crostas que se espalham de maneira exacerbada pelo corpo todo”, detalhou o diretor, reforçando que o vírus atinge de forma mais agressiva o grupo masculino.
“No Espírito Santo, os dez casos confirmados em 2024 foram de homens, e em escala global, 91% das infecções ocorrem também entre homens com idades entre 19 e 42 anos, que são o grupo mais suscetível à infecção”, acrescentou.
Confira a entrevista completa de Rodrigo Ribeiro Rodrigues, diretor do Lacen.
A transmissão do Mpox ocorre principalmente por meio de contato direto com as lesões características da doença, mesmo antes da formação das bolhas. Além do contato entre pessoas, superfícies como cadeiras, bancos e outros locais públicos também podem se tornar fontes de contaminação. “É preciso atenção em ambientes como academias ou transportes coletivos, onde o contato com superfícies contaminadas pode acontecer”, explicou Rodrigues.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), surtos de Mpox vêm sendo reportados na República Democrática do Congo há mais de uma década. Em 2024, o número de casos já ultrapassa os 14 mil, com 524 mortes registradas, superando o total de 2023.
Esse aumento progressivo tem preocupado as autoridades internacionais, mas Rodrigues ressaltou que o cenário é diferente no Brasil. “Enquanto o Congo tem uma população de aproximadamente 110 milhões de habitantes e registrou 14 mil casos, no Brasil, com uma população duas vezes maior, temos apenas cerca de 900 casos confirmados e nenhum óbito”, justificou o diretor.

Nova Variante
Uma das maiores preocupações recentes é o surgimento de uma nova variante do vírus, chamada clado 1B, descrita na África Central. Segundo a OMS, essa variante tem uma taxa de letalidade superior a 10% entre crianças pequenas, um número alarmante se comparado à variante 2B, que causou a epidemia global de Mpox em 2022, cuja letalidade foi inferior a 1%.
Rodrigues destacou, no entanto, que até o momento não há relatos da presença dessa nova variante no Brasil. “Aqui, circula apenas o clado tipo 2, que está presente desde 2022”, disse ele, tranquilizando a população capixaba. E reforçou que o Lacen está preparado para lidar com eventuais aumentos de casos.
Apesar das preocupações globais, o diretor do Lacen enfatizou que não é o momento de pânico, mas sim de atenção. “Se observar qualquer sintoma suspeito, procure o Serviço de Saúde imediatamente. Temos capacidade de atender, diagnosticar e controlar a doença aqui no Espírito Santo”, concluiu Rodrigo Ribeiro Rodrigues.

