
O ano de 2025 marca uma inflexão na trajetória do turismo capixaba. As bases para um crescimento acelerado e sustentável estão estabelecidas
Por José Antonio Bof Buffon
O Espírito Santo tem mostrado, ao longo das últimas décadas, que desenvolvimento não é obra do acaso. Nasce de visão estratégica, atitudes, continuidade institucional e, sobretudo, cooperação entre agentes públicos, privados, acadêmicos e entidades não-governamentais.
Três trajetórias — café, ciência e tecnologia e, mais recentemente, turismo — revelam como segmentos produtivos (e territórios) prosperam quando existe alinhamento, método, estratégia e propósito compartilhado.
No café, foram mais de 25 anos de estratégia contínua. O estado tornou-se líder nacional porque construiu um ecossistema integrado: pesquisa, pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper); força das cooperativas; presença do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes); cooperativas de crédito e produção; organização dos produtores; assistência técnica; concursos de qualidade e políticas duradouras. Nada foi improvisado: houve pacto, constância e governança madura.
Ciência, tecnologia e inovação (CT&I) deram seu salto com a Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI), que conectou universidades, institutos de ciência e tecnologia, setor produtivo, governo, Sistema S e agências de fomento sob uma mesma linguagem. Essa convergência gerou o maior investimento per capita em CT&I do país, consolidando programas, fundos e arranjos institucionais portadores de futuro. A MCI tornou-se um pacto de longo prazo e a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), uma instituição respeitada nacionalmente.
O turismo vive agora seu momento equivalente. Começa a se desenhar uma estratégia clara, ancorada na atuação integrada da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES), Secretaria de Estado de Turismo, Conselho Estadual de Turismo do Espírito Santo, Sebrae e Sesc/Senac, embora a participação dos municípios ainda precise avançar.
O movimento virtuoso se apoia em pilares bem claros: ações cooperadas, instituições alinhadas, novas ideias e pessoas capacitadas e engajadas, melhoria na governança, promoção e divulgação, roteirização, inteligência de dados, sustentabilidade e inovação.
O estado está replicando, no turismo, o caminho que funcionou no café e na inovação: construção coletiva, ambição estratégica e continuidade. E o elemento central desse arranjo é simples e poderoso: cooperação. Cooperar é uma decisão — não um papel assinado.
Exige propósito convergente, confiança e maturidade institucional, não necessariamente um “termo de cooperação”. Quando as instituições caminham juntas, o impacto é exponencial; quando compartilham estratégia, surgem projetos estruturantes, há ganhos de escala e escopo; quando há confiança, os ciclos de desenvolvimento se aceleram.
Café, MCI e turismo são capítulos de uma mesma narrativa: o Espírito Santo sabe entregar quando age em conjunto. O que desponta hoje no turismo poderá, em pouco tempo, tornar-se referência nacional em organização, inovação e qualidade.
O ano de 2025 marca uma inflexão na trajetória do turismo capixaba. As bases para um crescimento acelerado e sustentável estão estabelecidas. E é essencial reconhecer, além da mudança na disposição do governo, a entrada robusta do Sebrae e o papel decisivo da Fecomércio-ES, por meio da Câmara Empresarial de Turismo e do novo posicionamento estratégico, tático e operacional do Sesc e Senac diante do turismo.
A convergência institucional está permitindo ao Espírito Santo construir, mais uma vez, um caminho sólido, compartilhado e transformador.
José Antonio Bof Buffon é economista e secretário executivo da Câmara Empresarial do Turismo da Fecomércio-ES
Esse artigo é uma republicação da Edição 231 da Revista ES Brasil – Retrospectiva 2025 – Leia aqui

