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quinta-feira, 21 janeiro, 2021

O ritmo veloz das mudanças

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Mundo pós-pandemia exige reflexão sobre nosso papel e nossa interação no ecossistema

Por Aline Almeida

O ano de 2020 chega ao fim, e a ciência contemporânea busca dar conta de analisar todos os eventos ocorridos no período. Apesar de ter sido um ano de muitos fenômenos, a pandemia de covid-19, um acontecimento ecológico em nível global, tomou nossos dias e paralisou a vida como conhecíamos.

Tivemos também mudanças de cenários políticos e diversas transformações sociais que evocam, pra além dos grandes temas da sociologia – Estado, classes sociais, família, dentre outros – matérias fundamentais como fato social, consciência coletiva, conceito de modernidade líquida, perspectiva filosófica pós-estruturalista e seus movimentos minoritários.

O enfoque filosófico da pós-verdade ganhou força para determinar cenários políticos e a retomada de uma onda neofascista em diversas nações com as tão faladas fake news. A sociedade pós-moderna sofre mudanças em ritmo veloz.

A crise pandêmica nos fez refletir sobre nosso papel e nossa interação no ecossistema. Não somos capazes de pensar na humanidade separada da natureza, porém, percebemos a natureza disponível “ad eternum” à espécie humana, como recurso infindável de apropriação.

Dentro de uma perspectiva de consumo e de uma linha de produção, que tem como fonte principal de alimentação animais confinados em pequenos espaços, é sabido que novos tipos de doenças que acometem humanos periodicamente estão associados a esses modelos. O que nos lembra da incompatibilidade de nosso método de exploração dos recursos naturais e a manutenção saudável do ecossistema.

Muito se perguntou como seria a sociedade pós-pandêmica, e como as interações sociais, econômicas, e também como nossa coletividade baseada na solidariedade orgânica de interdependência, reagiria após o advento do coronavírus. A sociedade é organismo independente do indivíduo, uma estrutura que gera dinâmicas para além dos sujeitos e não apenas uma coletividade de pessoas. Por isso, já é esperado que a continuidade social se dará dentro do mesmo processo e dinâmica atual.

Portanto, a sociedade pós-pandêmica será a continuidade da sociedade individualizada centrada no consumo e nos conceitos de relações líquidas, mesmo considerando intencionalmente a necessidade de evocarmos o conceito de consciência coletiva para nos proteger da propagação do vírus.

A tecnologia também gerou a experimentação de novo conceito sócio filosófico da pós-verdade, que impactou diretamente no cenário político mundial, principalmente nos EUA e em suas neocolônias.

O conceito de fake news, associado à fluidez e rapidez com que as informações são consumidas, reforçou pensamentos reativos a diversas mudanças promovidas por movimentos sociais minoritários. Um efeito backlash que legitimou não a verdade,
mas aquilo que queremos que seja verdade, sendo um reforço ilusório e inconsciente da nossa concepção de realidade.

A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. A famosa frase de Marx na abertura do seu livro “18 de Brumário”, mesmo que em diferente conjuntura, nos mostra que a dinâmica social é cíclica e nos proporciona reflexões importantes acerca do contexto que vivemos hoje. E, mesmo que, enquanto sociedade, sejamos capazes de superar eventos históricos como tragédia, não conseguimos evitar que se repita como farsa.
“A farsa é mais terrível que a tragédia a qual ela segue”.

Aline Almeida é graduada em ciências sociais pelas Ufes e pós-graduada em Educação para os direitos humanos

ES Brasil Digital

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