Planejar a carreira continua sendo um dos maiores desafios para profissionais de todas as gerações.
Por Mirtho Carminati Simões
Em um mercado que muda rápido, cresce a pressão por escolhas que tragam estabilidade, boa remuneração e oportunidade de crescimento.
Ao mesmo tempo, nunca se falou tanto sobre propósito, aptidão e satisfação no trabalho.
Mas afinal, o que pesa mais: ganhar bem ou fazer o que se faz bem?
O dilema é antigo, mas ganhou novos contornos. Salários competitivos atraem e retêm talentos, mas não garantem engajamento duradouro.
Por outro lado, a aptidão – combinação entre habilidades naturais, o que desperta interesse e aquilo que fazemos com excelência; sustenta a motivação interna.
No entanto, se não há reconhecimento, perspectiva ou segurança, o engajamento se fragiliza.
A verdade é que carreira não se constrói apenas com paixão, tampouco apenas com dinheiro.
Profissionais, que planejam com lucidez, compreendem que decisões maduras precisam equilibrar motivação interna e externa.
A primeira nasce do indivíduo: curiosidade, interesse, senso de realização. A segunda depende do contexto: salário, benefícios, progressão, cultura organizacional. Quando uma falta, a outra perde força!
Nesse ponto, a Competência, Habilidade e Atitude (conhecido como “CHA”) oferecem um caminho para escolhas mais estratégicas.
Competência indica o conhecimento técnico; habilidade revela aquilo que fazemos bem; atitude demonstra disposição para aprender, colaborar e evoluir.
O alinhamento desses três elementos permite que a aptidão profissional se transforme em desempenho real.
Mas desempenho só se converte em permanência quando a empresa reconhece esse valor de forma justa.
Por isso, não se trata de escolher entre salário ou aptidão, e sim de compreender como ambos dialogam na construção de uma trajetória sustentável.
Remuneração inadequada compromete o bem-estar, aumenta o desgaste e desestimula até o profissional mais apaixonado.
Por outro lado, ganhar bem fazendo algo que não faz sentido tende a gerar esgotamento, rotatividade e perda de energia criativa, um custo alto tanto para o indivíduo quanto para a organização.
O profissional que planeja sua carreira com sucesso busca o que podemos chamar de Aptidão Remunerada: a área em que suas capacidades encontram retorno financeiro coerente e um plano de desenvolvimento claro.
Planejar a carreira, portanto, é um exercício de autoconhecimento e estratégia. É identificar onde o CHA se manifesta com maior potência, entender o que desperta motivação autêntica e buscar ambientes que ofereçam reconhecimento compatível.
Quando aptidão e remuneração se encontram, o trabalho deixa de ser apenas obrigação e passa a ser construção de futuro, com significado, estabilidade e evolução contínua.
Mirtho Carminati Simões é gestora executiva de Recursos Humanos e diretora da ABRH-ES.


