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sexta-feira, 19 abril, 2024

O Fascismo dos “Antifascistas”

Lutar contra todo tipo de racismo é fundamental por se tratar de um crime abjeto. Contudo, matar negros inocentes é lutar contra o racismo?

Poucos termos no debate político atual foram alijados tão fortemente de seu significado histórico do que “fascismo”. Geralmente aqueles que se dizem esquerdistas, quando contrariados ou sem resposta para argumentos de seus interlocutores, já partem para o xingamento: “seu fascista!” seguido do dedo em riste e olhares odiosos. Recentemente, em reação à morte de um negro, George Floyd, em um crime bárbaro nos EUA, os chamados “Antifa”, um grupo que se diz antifascista começou a depredar lojas, incendiar carros e agredir a até matar inocentes, como aconteceu com o aposentado, também negro, David Dorn.

Lutar contra todo tipo de racismo é fundamental por se tratar de um crime abjeto. Contudo, matar negros inocentes é lutar contra o racismo? Depredar lojas, muitas dessas pertencentes a negros que nada tem a ver com o ocorrido, é lutar contra o racismo? Bem, essas são apenas algumas atitudes do grupo denominado Antifa que também se especializou em quebrar vitrines e lançar coquetéis molotov contra a polícia. Os Antifa ganharam notoriedade como um autointitulado “braço armado” do partido comunista na Alemanha da década de 1930 e desde aquele período consideravam qualquer partido ou pessoa que não fosse de esquerda como “fascista”. Parece louco? E é mesmo!

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E o que dizer do conceito de fascismo? O filósofo político mais influente do fascismo, Giovanni Gentile, defendia no início do século passado, que em uma verdadeira “democracia” os indivíduos e suas liberdades civis deveriam se submeter ao Estado para, assim, alcançar a “verdadeira democracia”. Gentile acreditava que o fascismo era uma forma mais funcional de socialismo, pois seu mentor intelectual foi Karl Marx. Seu pupilo e maior implementador do fascismo, Benito Mussolini, afirmava na sua obra “La Dotrina del Fascismo” que “tudo está no Estado e nada tem valor fora do Estado”. Ou seja, percebe-se que claramente que são ideias totalmente antagônicas aos princípios liberais econômicos e conservadores no âmbito dos costumes e da moral.

Entende agora por que todos que discordam dos autointitulados “antifascistas” são chamados de “fascistas”? Simples, eles desconhecem tanto a história e conceito do fascismo quanto do grupo Antifa. O próprio irmão de George Floyd disse que o irmão não apoiaria essas atitudes criminosas. Infelizmente o racismo é uma realidade, mas também omitem que segundo o Bureau of Justice Statistics o maior índice de crimes violentos com mais de 500 mil casos por ano nos EUA, é cometido por negros contra brancos e os crimes de brancos contra negros somando menos de 60 mil casos. Combater o racismo cometendo outros crimes faz sentido? Provavelmente vou ser rotulado de “fascista” por revelar esse dado, mas enfim, vivemos uma era onde os significados foram esvaziados e a violência virou um fim em si própria.

Helvécio de Jesus Júnior é doutor em História pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e professor de Relações Internacionais da Universidade de Vila Velha (UVV).

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