As empresas precisam avançar em mudanças para obter a inclusão de pessoas com deficiência, que vão desde a arquitetura de suas instalações até aos seus valores
Por Cosme Peres
Vinte e um de setembro é o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Nesta data, recordamos, celebramos e fortalecemos as mobilizações para a inclusão social, além de conscientizar sobre o preconceito em relação à capacidade corporal e/ou cognitiva, denominado de capacitismo. Tanto a inclusão social de pessoas com deficiência (PCDs), quanto o anticapacitismo são movimentos que atravessam as organizações.
Quando se pensa em inclusão social, o trabalho exerce um papel fundamental, pois é lugar de realização, de expressão e de socialização. Entretanto, durante muito tempo, as PCDs foram colocadas à margem desse lugar.
Mesmo com o que já evoluímos até aqui, ainda é um desafio superar os estigmas e preconceitos em relação à presença desses profissionais no mundo do trabalho. Há 33 anos, a lei 8.213/91, conhecida como “Lei de Cotas”, estabelece uma cota mínima de contratação de PCDs para todas as empresas com mais de 100 empregados. Trata-se de um dispositivo legal criado para reparar a discriminação histórica em relação ao acesso dessas pessoas ao mercado de trabalho. Porém, mesmo depois de três décadas, ainda discutimos a necessidade de cumprir essa legislação.
Se por um lado ainda precisamos melhorar o acesso ao mercado de trabalho das pessoas com deficiência, o desafio é ainda maior quando falamos de incluir, de fato, tais pessoas no ambiente de trabalho. Sim, acesso e inclusão são diferentes!
Contratar pessoas com deficiência com o foco único e exclusivo em cumprir a lei, evitando multas, tem grandes chances de não representar a verdadeira inclusão. Parafraseando Verña Myers, vice-presidente de Diversidade da Netflix, “dar acesso é convidar para a festa, incluir é chamar para dançar”.
“Convidar para a festa”, ou seja, garantir o acesso, ainda é desafiador. De um lado, as empresas precisam avançar em mudanças que vão desde a arquitetura de suas instalações e postos de trabalho chegando até aos seus valores e cultura organizacional. Por outro lado, os governos precisam avançar em políticas públicas que garantam acesso e inclusão às escolas e cursos profissionalizantes.
Já “chamar para dançar” envolve uma mudança de foco para as competências, enxergando as pessoas para além da deficiência. Precisamos valorizar e potencializar suas habilidades, considerando a necessidade de adaptações conforme a deficiência e o ambiente de trabalho.
Há empresas realizando ações, projetos e programas para superar esses desafios. Há também parcerias com instituições sociais que atuam diretamente com a causa das pessoas com deficiência.
É certo que ainda há muito a ser feito, por toda a sociedade e de forma integrada. Acredito que o trabalho em rede, conectando cada vez mais os diferentes atores sociais, potencializará esta transformação.
Cosme Peres é conselheiro da ABRH-ES, psicólogo e executivo de Gestão de Pessoas

