Mulheres poderosas celebram conquistas ao longo dos anos

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

No Dia Internacional da Mulher, elas mostram as conquistas no cenário político, econômico e artístico

As lutas são muitas, mas as conquistas também. Ao longo do tempo, as mulheres enfrentam preconceitos, desrespeitos, mas também buscam melhores condições, seja no mercado de trabalho, seja na vida pessoal.

Diante de um cenário em que as mulheres estão cada vez mais em evidência no mercado de trabalho, ainda é possível observar desigualdades de gênero. Nesta sexta-feira (08), é comemorado o Dia Internacional da Mulher, que para muitos começou a partir de um incêndio na fábrica têxtil, na Inglaterra.

Na ocasião, 130 operárias morreram carbonizadas, marcando a trajetória das lutas feministas. Mas desde o século 19, as mulheres trabalhavam mais de 15 horas e os protestos eram feitos em vários países da Europa e nos Estados Unidos.

Mulheres fazendo protesto a fim de garantir seus direitos. – Foto: Reprodução

Os salários que recebiam na época da Revolução Industrial levaram várias delas a iniciar greves para reivindicar melhores condições de trabalho e o fim do trabalho infantil, comum nas fábricas durante o período.

E, ao longo do tempo, a data vem sendo celebrada. O primeiro Dia Nacional da Mulher foi comemorado em maio de 1908 nos Estados Unidos. na ocasião, cerca de 1.500 mulheres participaram de uma manifestação em prol da igualdade econômica e política no país.

Em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo em que homens e mulheres teriam direito de igualdade. Mas foi em 1977 que a ONU reconheceu o Ano Internacional da Mulher como o “08 de março”.

Direito da mulher

Neste mês, o empreendedorismo feminino sempre entra em destaque. Os holofotes estão sempre voltados para as conquistas alcançadas e a luta pela igualdade entre gêneros, mas será que todos conhecem os Direitos da Mulher nos mais diversos ambientes?

No Código Civil brasileiro de 1916, as mulheres já se mostravam presentes, conforme ocorreu no movimento abolicionista, no final do século 19, com a figura marcante de Nísia Floresta, que era republicana, abolicionista e feminista.

Em termos de condições de trabalho, a Consolidação das Leis do Trabalho, em 1943, conseguiu atender parte das reivindicações. A proteção à maternidade fora assegurada, na qual as mulheres passaram a ter direito à estabilidade por um período e à licença maternidade.

Mulheres em ato de manifestação para garantir o direito ao voto. – Foto: Reprodução

Entretanto, a maior conquista da mulher até hoje foi o direito ao voto assegurado em 1932. O código Eleitoral previa que não houvesse distinção entre homens e mulheres na hora de se dirigirem às urnas, sendo que ao completar 21 anos poderiam eleger um candidato.

A partir daí, muitas conquistas foram realizadas. Entende-se a relevância de leis como Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Lei 8.0069/90 e a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), sancionada há 13 anos.

Mulher no mercado de trabalho

Segundo uma pesquisa realizada pela Catho, empresa de recrutamento profissional, o número de mulheres (30%) com nível superior e pós-graduação é maior em relação aos homens (24%). Mesmo assim, eles ganham até 52% a mais que elas exercendo os mesmos cargos.

Sendo a formação profissional um dos fatores para o avanço na carreira e, consequentemente, promoção de salários e demais benefícios, fica evidente o descompasso significativo. A pesquisa aponta, ainda, que as mulheres possuem maior escolaridade no recorte de nível superior e pós-graduação completo.

Para a gerente da Catho, Tabitha Laurino, a equiparação salarial ainda é um desafio para as mulheres. “Mesmo com a redução de desigualdades, a pesquisa deixa em evidência o distanciamento do profissional homem e mulher no mercado de trabalho. Apenas formação, qualificação e experiência profissional não são suficientes para igualá-los. É possível observar avanços, mas ainda há barreiras a serem quebradas”, afirma a profissional.

As mulheres ainda recebem salários mais baixos mesmo ocupando o mesmo cargo que os homens. – Foto: Reprodução

Outro levantamento realizado pela Catho registrou que a presença de mulheres em cargos de hierarquia elevada é inferior em relação ao homem, além da desproporção na remuneração de salários. As posições de maior diferença são observadas nos cargos de profissional especialista e graduado com 52% e profissional especialista técnico com 47%.

Nos cargos em que há maior participação das mulheres foi possível identificar que a desigualdade salarial é menor. As mulheres ocupam 66% dos cargos de assistente e/ou auxiliar e a diferença salarial é de 8%. Já em relação aos cargos de analista, 53% são ocupados por mulheres e a diferença salarial é de 14%.

Histórias inspiradoras

Sobressair em um mercado extremamente concorrido é uma das maiores dificuldades atualmente. Aparentemente tudo estava perfeito para a enfermeira e funcionária concursada do atendimento público de São Paulo, Mariana De Chiara.

Ela havia conquistado estabilidade e um salário de R$7 mil, aos 26 anos. No entanto, por se sentir impotente ao conviver com situações de muita precariedade no serviço público de saúde, ela desenvolveu depressão.

A mudança radical veio com a sugestão de uma amiga, para que ela fizesse uma especialização em estética. “Eu me apaixonei pelo segmento, pois vi nele algo em que eu pudesse realmente fazer a diferença na vida das pessoas,”afirmou Mariana.

A empresária Mariana De Chiara conquistou estabilidade e um salário de R$7 mil, aos 26 anos. Hoje é detentora da Chiquetá presente em sete cidades

Hoje, a empresária é detentora da marca Chiquetá presente em sete cidades. Até o final do ano, a expectativa da empresa é ter 50 clínicas licenciadas. “Decidimos oferecer às clínicas de estética a experiência que a Chiquetá adquiriu a partir de um modelo de negócio sólido e competente”, afirmou a empresária.

Renata Oliveira, de 40 anos, hoje trabalha como diretora administrativa da Vemplast, empresa que desde 2009 atua no desenvolvimento de artigos para o segmento de cozinhas industriais e utilidades domésticas, e não esconde de ninguém a sua história.

Antes trabalhando em uma instituição financeira, ela trocou a estabilidade alcançada por anos de dedicação para investir no sonho de ter seu próprio negócio. E o início não foi dos mais fáceis. Na época, ela botou a mão na massa, perdeu noites de sono e trabalhou em diversos setores da empresa. Ela acumulou funções tanto na fábrica, como no setor administrativo e assim conseguiu evoluir, crescer e se tornar uma empresária de sucesso.

A CMO na FX, empresa de monitoramento de fluxo de consumidores no varejo, Flávia Pini, acredita que tudo é questão de gestão. – Foto: Divulgação

Não é por acaso que as mulheres disputam cargos de direção. Afinal, segundo a CMO na FX, empresa de monitoramento de fluxo de consumidores no varejo, Flávia Pini, tudo é uma questão de gestão. “Para conseguir equilibrar as múltiplas jornadas de trabalho, precisa haver planejamento, com a divisão da rotina preservando cada horário para uma atividade. Também é importante combinar o cronograma com a equipe – e isso envolve a família. É um verdadeiro “jogo de equilibrar pratos”. Mas, ironicamente, as mulheres herdaram culturalmente uma polivalência que hoje pesa a seu favor – afinal, até pouco tempo atrás éramos responsáveis por organizar toda a rotina dos afazeres domésticos. A diferença agora é que incluímos o escritório no roteiro de atividades”, acrescentou.

A coach Alessandra Canutto acredita que a liderança feminina é possível ao analisar o lado negativo e transformá-lo em algo positivo. – Foto: Divulgação

A inteligência emocional também é um desafio. De acordo com a coach, consteladora e especialista em gestão estratégica de conflitos, Alessandra Canutto, ver o outro lado das emoções negativas é importante para aprender a liderar e se superar. “As mulheres estão aprendendo a liderar com uma pressão maior agora que ascendem a posições tradicionalmente ocupadas por homens. E o segredo é o que chamo agilidade emocional, isto é, a capacidade de reverter sensações e pensamentos desconfortáveis em ações positivas, num processo de autossuperação que permita colocar nossas intenções e nossos valores no centro de nossas decisões. Quer dizer, saber usar a cognição e a autoconfiança como forma de lidar com essas emoções e pensamentos e, a partir disso, encontrar uma oportunidade de crescimento. E o desafio é identificar o lado positivo das emoções negativas, e fazer da pressão uma estratégia de crescimento e destaque”, afirmou.

Mulher na Arte

Basta uma simples pesquisa para concluir que na história da arte a mulher foi, por muito tempo, o objeto, e não o sujeito. Na lista de quadros mais valiosos no mundo, nenhum deles foi feito por uma mulher. É ela a musa inspiradora do quadro, a silhueta esculpida, o rosto nos retratos singulares que representam o sexo feminino nos cenários mais diversos.

No entanto, as barreiras no mercado estão sendo quebradas e, apesar de ainda existir uma disparidade entre o número de artistas do sexo masculino e feminino, é cada vez mais comum encontrar obras de autoria de artistas mulheres em grandes exposições, galerias e em plataformas como a Artluv, ArtTech que conecta artistas a clientes e amantes de arte, em que 38,57% dos perfis cadastrados são de mulheres.

No cinema, o tema também é fortemente tratado. No filme “As Sufragistas”, lançado em 2015, e dirigido por Sarah Gravon, após décadas de manifestações pacíficas, as mulheres ainda não possuem o direito de voto no Reino Unido. Um grupo militante decide coordenar atos de insubordinação, quebrando vidraças e explodindo caixas de correio, para chamar a atenção dos políticos locais à causa.

O filme “As Sufragistas”, de 2015, conta a história da luta da mulher por direito ao voto. – Foto: Reprodução

Maud Watts, interpretada por Carey Mulligan, sem formação política, descobre o movimento e passa a cooperar com as novas feministas. Ela enfrenta grande pressão da polícia e dos familiares para voltar ao lar e se sujeitar à opressão masculina, mas decide que o combate pela igualdade de direitos merece alguns sacrifícios.

Em “Estrelas Além do Tempo”, em plena Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética disputam a supremacia na corrida espacial ao mesmo tempo em que a sociedade norte-americana lida com uma profunda cisão racial, entre brancos e negros.

“Estrelas Além do Tempo” conta a história de mulheres que tentaram mostrar a competência dia após dia, além de lidar com o preconceito arraigado para que consigam ascender na hierarquia da NASA. – Foto: Reprodução

Tal situação é refletida também na NASA, onde um grupo de funcionárias negras é obrigada a trabalhar a parte. É lá que estão Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), grandes amigas que, além de provar sua competência dia após dia, precisam lidar com o preconceito arraigado para que consigam ascender na hierarquia da NASA. O filme mostra nitidamente o preconceito de ser mulher e negra na década de 1960.

*Da redação com informações do AdoroCinema e Nova Escola

 

 

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