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Mulheres, carreira e saúde mental

Mulheres, carreira e saúde mental

Talvez o maior desafio para nós, mulheres, seja abandonar a ideia de que precisamos dar conta de tudo sozinhas para sermos valorizadas

Por Neidy Christo

Em muitos momentos da minha trajetória, ouvi, e talvez você também, que mulher forte é aquela que dá conta de tudo. Da carreira, da casa, da família, dos relacionamentos, das expectativas alheias e, se possível, de si mesma. O problema é que essa narrativa, tão romantizada, tem cobrado um preço alto da nossa saúde mental.

Hoje, vejo mulheres extremamente competentes, preparadas e comprometidas vivendo em um estado constante de alerta. Planejam, antecipam, resolvem, acolhem, sustentam. Fazem isso no trabalho e fora dele. E, muitas vezes, fazem sozinhas. Não por falta de apoio, mas porque aprenderam que pedir ajuda é sinal de fraqueza quando, na verdade, é sinal de consciência.

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Os dados confirmam o que sentimos no dia a dia. Segundo o relatório Women in the Workplace 2024, da McKinsey, as mulheres relatam níveis mais altos de estresse e exaustão do que os homens, especialmente aquelas que ocupam posições de liderança.

Já a Organização Mundial da Saúde reconhece o burnout como um fenômeno ocupacional associado ao estresse crônico no trabalho não gerenciado adequadamente. E ele não surge de um dia para o outro; é construído aos poucos, na soma das sobrecargas e dos silêncios.

Existe uma sobrecarga mental que não aparece nos relatórios: a de estar sempre disponível, sempre dando conta, sempre funcionando. Muitas mulheres seguem performando mesmo exaustas, normalizando o cansaço, ignorando sinais do corpo e da mente, até que algo trava. E quando trava, vem a culpa: “eu devia aguentar mais”.

Não, não devíamos.

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Cuidar da saúde mental passa, antes de tudo, por revisar crenças. Estabelecer limites, dizer não sem se justificar excessivamente, escolher batalhas e aceitar que não precisamos ser impecáveis o tempo todo. Passa também por construir redes de apoio, conversar sobre o que sentimos e reconhecer que vulnerabilidade não nos diminui, nos humaniza.

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As organizações têm responsabilidade direta nesse cenário. Ambientes que estimulam jornadas exaustivas, valorizam a hiper disponibilidade e confundem dedicação com sobrecarga, adoecem pessoas. Já culturas que promovem diálogo, segurança psicológica e equilíbrio constroem resultados mais sustentáveis.

Talvez o maior desafio para nós, mulheres, seja abandonar a ideia de que precisamos dar conta de tudo sozinhas para sermos valorizadas. Sustentabilidade emocional exige escolhas conscientes, coragem para mudar rotas e, principalmente, gentileza consigo mesma.

A reflexão que deixo é: o que você continua sustentando por hábito, culpa ou expectativa externa, quando, no fundo, já passou da hora de cuidar de si?

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Neidy Christo é presidente da ABRH-ES, doutora em Administração e Consultora em Desenvolvimento Humano

 

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