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sexta-feira, 29 maio, 2020

Mercado fitness em alta movimenta economia global

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Com amplo mix de negócios, receita cresce a uma média anual de 8,7% no mundo e chegará a US$ 106 bilhões em 2020

Os números mais recentes da Organização Mundial da Saúde sobre sedentarismo no Brasil impressionam: 47% da população não pratica atividade física. A notícia, que tem um viés muito negativo, enche os olhos dos profissionais que atuam nos diversos segmentos do universo fitness, pois atesta que há muito mercado a ser conquistado ainda.

O mundo fitness já representa uma fatia significativa na economia global. Dados da International Health, Racquet & Sportsclub Association (IHRSA) mostram que a receita desse mercado cresce a uma média anual de 8,7% no mundo – e deve alcançar US$ 99,9 bilhões até o final de 2019.

O crossfit desenvolve força, garante energia para a mulher moderna e resultados logo nas primeiras semanas. Elaine Pacheco faz parte do público cada vez maior que se apaixonou pela modalidade

E se na década passada os negócios se resumiam às academias e equipamentos, atualmente impressionam pelo mix, que vai de alimentação a vestuário e se expande pela criatividade dos empreendedores do setor. A cada dia surgem produtos e serviços, aumentando mais e mais o faturamento de empresários brasileiros, que, de acordo com previsões da IHRSA, chegará a US$ 106 bilhões em 2020.

A chef Silvia Closs viu nesse mercado a oportunidade de ampliação do seu negócio e criou um bufê fit para suprir uma demanda do público por produtos mais saudáveis. Ela entendeu que essa seria uma boa alternativa quando notou que adeptos da alimentação saudável tinham dificuldade em encontrar, em eventos sociais, o tipo de alimentos  consumidos no seu dia a dia. Assim, ao investir nesse nicho, viu seu faturamento aumentar. “Percebi pessoas chegando a festas e não comendo nada por sempre serem servidos produtos com gordura, trigo e açúcar. Essa percepção apontou para uma grande oportunidade de mercado”, lembrou.

A chef Silvia Closs viu no mercado fitness a oportunidade de ampliação do seu negócio e criou um bufê fit para suprir uma demanda da população por produtos mais saudáveis

E a chef está sempre se reinventando para atender um público cada vez mais exigente. “O desafio é servir pratos que sejam atrativos no visual e, principalmente, no paladar”, destaca.

Outro negócio que vem crescendo no ramo fitness é o da nutrição esportiva. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Produtos Nutricionais (Abenutri), a expectativa é que em 2019 o crescimento desse mercado seja da ordem de 20% e que, até 2024, o faturamento alcance R$ 5 bilhões, graças a uma nova regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que garantirá o acesso dos consumidores a suplementos alimentares seguros e de qualidade.

“Antigamente só existiam dois tipos de academia: as caras e as baratas. Hoje conseguimos reunir o que havia de melhor em cada uma e proporcionar uma infraestrutura de ponta com um preço acessível” – Filippe Savoia, CEO da rede Bluefit

Ainda de acordo com a Abenutri, somente 10% das cerca de 60 milhões de pessoas que praticam atividades físicas no país consomem suplementos. Cristina Leite, da Fast Nutri, diz que os produtos mais consumidos são proteínas, whey protein e snacks e que algumas estratégias são adotadas por sua empresa para atrair o público consumidor. “Lançamos produtos com exclusividade no Espírito Santo e investimos na estruturação da nossa cafeteria nas lojas. Também contamos com um time de nutricionistas exigentes e fazemos muitos testes com os alimentos antes de ofertá-los aos nossos clientes”, garante a empresária.

Moda e tecnologia

Outro segmento que se expande a cada dia é o de moda fitness, que há muito tempo deixou de se restringir às academias e hoje responde por 20% da fatia do mercado nessa área. O conforto e a praticidade das peças caíram no gosto do street style, e as roupas têm sido cada vez mais usadas em looks do dia a dia. Segundo Arianny Vianna, CEO empresa online DLK, parte dessa aderência também se deve à evolução do mercado fitness. “As empresas do ramo têm seguido o mercado da moda e as tendências, o que colabora para que elas comecem a ser usadas de formas diferentes”, aponta.

O empresário Bruno Morais, da marca capixaba Amarme, explica que o consumidor do negócio de vestuário busca unir preço e qualidade e que as peças preferidas das capixabas são conjuntos – legging e top e short e top. De olho nas modalidades esportivas, empresários do ramo de vestuário e também calçadistas estão investindo cada vez mais pesado em produtos tecnológicos, que são capazes de aumentar o desempenho dos atletas.

Academias de baixo custo em alta

O Brasil é o segundo país no ranking mundial em número de estabelecimentos voltados para a saúde e alunos matriculados. Segundo a IHRSA, são 34,5 mil academias e 9,6 milhões de frequentadores no país. Destas, as academias low cost, ou de baixo custo, já ocupam cerca de 60% do mercado nacional, contra 40% das chamadas tradicionais, que perdem cada dia mais espaço para as novas gigantes do setor. “Antigamente só existiam dois tipos de academia: as caras e as baratas. Hoje conseguimos reunir o que havia de melhor em cada uma e proporcionar uma infraestrutura de ponta com um preço acessível”, informa Filippe Savoia, CEO da rede Bluefit, empresa que defende o investimento consciente em saúde e bem-estar, oferecendo custo-benefício atrelado a uma ampla variedade de serviços.

“Somente 10% das cerca de 60 milhões de pessoas que praticam atividades físicas no país consomem suplementos” – Cristina Leite, da Fast Nutri, que aposta em estratégias para atrair o público consumidor

Savoia destaca que ainda que, embora estejamos em segundo lugar no ranking dos países com mais academias, 47% da população é sedentária – de acordo com relatório divulgado recentemente pela Organização Mundial da Saúde. “Mesmo que as low costs tenham revolucionado o mercado, não é isso que garante aderência ao serviço. É preciso oferecer mais do que preço baixo e boa estrutura”, acrescenta ele, em referência ao modelo high value low price (HVLP), ou alto valor por baixo custo, que deu origem à rede Bluefit. O CEO explica que é uma tendência natural do mercado buscar sempre a diversificação em todos os produtos e serviços. “Nas academias não pode ser diferente”, lembra. “Hoje contamos com mais de 30 modalidades disponíveis em mais de 67 unidades da Bluefit. Dar mais opções, abraçar mais públicos e ao mesmo tempo falar com cada um de forma individualizada é o diferencial da rede.” Vale enfatizar que a empresa, presente em 24 cidades e com 67 unidades no Brasil, fechou o ano de 2018 com faturamento de R$ 100 milhões.

A Smart Fit também traz uma combinação de preço acessível e infraestrutura para o mercado de academias. A empresa segue sólida e aposta em inovação para sua rede low cost. Prova disso é sua posição em número de clientes – mais de 2 milhões. Com 466 unidades espalhadas pelo Brasil, sendo sete no Espírito Santo, o grupo é o único representante da latino-americana a figurar entre as maiores redes de academias do mundo, com representantes de países como EUA, Alemanha e China. Diferentemente do resto do mercado, a maioria das unidades da Smart Fit são lojas próprias, e não franquias. “O propósito de democratizar o fitness de alto padrão nos faz entregar ao cliente não só infraestrutura de qualidade, mas também acesso a treinos que geram resultados”, diz Edgard Corona, fundador e presidente da rede.

Humanizando relações

Mas será que a crise financeira que atingiu todo o mundo também trouxe baques aos empresários brasileiros do fitness? Marcio Pedra, nome à frente da Academia Hangar, uma das mais tradicionais da capital capixaba, garante que a recessão provocou um aumento do estresse nas pessoas e, com isso, iniciou-se a conscientização do benefício da atividade física para a saúde física e emocional, o que se refletiu diretamente no seu setor de atuação. “Além do investimento em maquinários, foi importante também trabalhar o lado emocional dos alunos. Acredito que isso trouxe um equilíbrio para o nosso mercado, com a grande procura da população em se cuidar cada vez mais, buscando motivação e bem-estar, além de se prevenir de várias doenças, como a depressão, que se tornou mais frequente com a chegada da crise”, defende.

Desde que começou a praticar o crossfit, há 2 anos, a personal trainer Simone Spinola participa de competições na modalidade

Para se destacar no mercado e ficar à frente da concorrência, Marcio Pedra afirma que primeiro investe no atendimento de excelência, motivando cada vez mais sua equipe, estruturando seu espaço para um ambiente acolhedor, onde os alunos – além de se exercitarem – podem ficar conversando ao ar livre, tomando um cafezinho, lendo um jornal ou frases espalhadas por toda a área da academia. “Um segundo ponto observado é que o consumidor passou a ser mais exigente, pois estava cansado só da musculação tradicional. Hoje, existe essa busca por novos públicos. Então, para isso, resolvemos fazer novas apostas. Utilizamos o espaço físico existente e implementamos 30 modalidades variadas, como futevôlei, ioga, bike class, kickboxing, circuito funcional ao ar livre, atividades infantis, natação, treinamento funcional e beach tennis, entre outras”, enumera.

O especialista também entrega outra estratégia adotada: foi feita uma renovação de aparelhos de maneira gradativa. “Concluímos que, estruturando as duas primeiras esferas apontadas, os alunos passariam a valorizar mais os investimentos financeiros necessários para serem feitos para adquirir grandes maquinários. Com isso, tivemos um tempo útil para capitalizar e conseguir aos poucos investir em novas máquinas. Sempre tivemos esse diferencial de valorizar mais o ser humano, mas acredito que atualmente colocamos isso mais em evidência.”

Tecnologia a favor

Se as academias se expandem, as empresas de equipamentos de ginástica seguem no mesmo ritmo. E para se destacar no mercado, investem constantemente em novidades. De acordo com a consultoria GfK, 29% das pessoas que malham utilizam aplicativos móveis e dispositivos vestíveis para monitorar a própria saúde. De acordo com a pesquisa, realizada com pessoas em 16 países, o Brasil já está lado a lado com os Estados Unidos quando o assunto é o uso desses recursos. Líder mundial no segmento, a Life Fitness sempre ofereceu no seu portfólio de produtos funcionalidades inovadoras para impulsionar e estimular a atividade física.

“O propósito de democratizar o fitness de alto padrão nos faz entregar ao cliente não só infraestrutura de qualidade, mas também acesso a treinos que geram resultados” – Edgard Corona, fundador e presidente da rede Smart Fit

A empresa, que distribui seus equipamentos para mais de 166 países, lançou, há tempos, a esteira Elevation, que possui o aplicativo da Netflix, estimulando fãs de seriados na busca por vida mais ativa. No segmento de bicicletas de treinamento indoor, criou bikes compatíveis com o Zwift, plataforma mundial de ciclismo virtual, que garante diferentes percursos, programas de treinamentos, e atividades em grupos acontecendo em tempo real, com pessoas do mundo todo. Seus equipamentos também possuem sincronização com o aplicativo LF Connect, que permite interação entre esteiras, cross trainers elípticos e bikes.

“É possível monitorar o progresso durante o exercício e acessar treinos personalizados – algo bastante importante para manter a motivação. Melhorar o desempenho, acompanhar cada vitória pessoal e estabelecer novas metas são maneiras valiosas de estimular a atividade física e potencializar resultados”, diz Fabio Mollica, trainer Life Fitness, que relembra a importância do acompanhamento de um profissional de educação física sempre.

Vida saudável

Apesar de os benefícios de uma vida saudável serem amplamente divulgados, a Organização Mundial da Saúde revela que apenas 5% da população do país pratica atividade física. Mas dados de um estudo realizado pela Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), com participação do educador físico Marcio Atalla, são animadores: 92,4% da população considera que manter a alimentação equilibrada é o fator mais importante para se obter uma boa saúde, seguida da prática de exercícios físicos, com 85,6%. Segundo o mesmo estudo, 93,9% da população têm interesse em alimentação saudável. Os motivos são diversos, desde estéticos até a prevenção, o tratamento ou o controle de doenças.

Mas muitos fatores interferem na busca por uma vida saudável. A médica Betina Cerutti aponta o estresse e a ansiedade como maiores vilões. A especialista defende que são inúmeros os benefícios para quem opta por esse estilo de vida. “Essa prevenção é fundamental para se prolongar a vida e não desenvolver doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. A atividade física previne contra doenças psiquiátricas e mantém o corpo e a mente saudável”, reforça.

A busca pelo corpo perfeito tem levado muitas pessoas a cometerem loucuras. A nutricionista Monica Morgado alerta que, além de ser um possível gatilho para uma compulsão/transtorno alimentar, o indivíduo que começa a fazer loucuras com a alimentação acaba lesando o corpo de tal maneira que pode divergir do objetivo principal. Segundo a especialista, o corpo precisa de se nutrir com as calorias necessárias para manter a vitalidade do organismo. Mas será que existe uma dieta perfeita? “Sempre oriento meus pacientes que o plano alimentar ideal é aquele que o fará alcançar o objetivo dele mais rápido e que ele conseguirá fazer com constância. A alimentação saudável tem que se tornar um hábito e nunca deve ser um momento na nossa vida”, explica.

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