Por Thamiris Guidoni
No Espírito Santo, mais de 45 mil pessoas convivem com deficiência auditiva, segundo dados do Censo. Ao todo, 268 mil moradores têm algum tipo de deficiência no Estado. No Brasil, são cerca de 2,6 milhões de pessoas com perda parcial ou total da audição, o equivalente a 1,3% da população.
Em nota, o Centro de Reabilitação Física do Espírito Santo (Crefes) explicou que sua atuação é voltada ao cuidado especializado e à reabilitação dos pacientes já encaminhados ao serviço.
“Atualmente, o Crefes tem seu foco de atuação no cuidado direto e na reabilitação dos pacientes que já estão inseridos em nosso serviço, não havendo, dessa forma, programas específicos de prevenção, já que os atendimentos no local são voltados para a reabilitação e o acompanhamento dos usuários de todo Espírito Santo já encaminhados para a unidade.”
Além disso, a Secretaria da Saúde (Sesa) destaca que a deficiência auditiva pode comprometer diretamente a comunicação, a aprendizagem e a convivência social. Quando não tratada, também pode impactar a saúde mental e cognitiva, especialmente entre idosos.
A perda auditiva costuma ser silenciosa e progressiva. Segundo o geriatra Roni Mukamal, superintendente de Medicina Preventiva da MedSênior, na maioria das vezes, o problema não surge de forma súbita.
“A diminuição da capacidade de ouvir é, em geral, lenta. É comum que o idoso e as pessoas de seu convívio mais próximo não percebam a dificuldade aos primeiros sintomas, só procurando um médico quando a situação já está mais crítica”, afirma.
Já a médica otorrinolaringologista Juliana Neves Vallandro, que atende no CRE Metropolitano, em Cariacica, alerta para os sinais da perda auditiva.
“O paciente nessa condição pode apresentar sintomas que vão desde a dificuldade em ouvir os sons até a compreensão do que é dito, principalmente em ambientes com ruído. Inclui-se também o zumbido ou chiado, sensação de ouvido tampado e aumento do volume da televisão”, informou.
O que fazer?
O primeiro passo é procurar apoio médico. O otorrinolaringologista fará a avaliação e recomendará uma audiometria, exame simples, indolor e rápido, que apontas se há perda auditiva e de qual ordem.
Assim, com apoio de profissionais da área como o próprio médico e um fonoaudiólogo, pode-se recomendar a utilização de um aparelho auditivo.
Para a família, a dica principal é tratar o idoso com respeito e empatia. A impaciência pode constranger e gerar ainda mais resistência à avaliação para o diagnóstico.
O Crefes é a unidade de referência estadual na concessão de órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção, oferecendo acompanhamento especializado aos pacientes regulados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Serviço
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, quem apresenta dificuldade para ouvir deve procurar sua Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência. Após avaliação médica e exame de audiometria, o paciente pode ser encaminhado ao Sistema Estadual de Regulação para atendimento no Crefes e, se indicado, será encaminhado para a adaptação de aparelho auditivo.
Orientações para uso do aparelho auditivo
- Aumente gradativamente o uso do aparelho a cada dia. O ideal é utilizá-lo diariamente por no mínimo 8 horas;
- Mesmo com o uso do aparelho, o paciente pode enfrentar dificuldades para entender algumas coisas;
- Quanto mais o paciente usar o aparelho auditivo, mais fácil ficará a compreensão da fala;
- O paciente deve evitar lugares com muito barulho na primeira semana de uso;
- A adaptação pode demorar até seis semanas quando o aparelho auditivo é usado oito horas por dia.
Cuidados necessários com o aparelho auditivo
- Retirar o aparelho para dormir e tomar banho;
- Não deixar cair;
- Não deixar molhar;
- Não deixar dentro do banheiro enquanto toma banho;
- Não usar com cabelos ou orelhas molhadas;
- Não expor o equipamento a altas temperaturas;
- Não deixá-los ao alcance de crianças e animais;
- Guardar sempre no estojo, longe de calor e umidade.

