O estado é destaque nacional na produção e exportação de mamão, unindo produtividade, inovação e sustentabilidade na agricultura
Por Cínthia Ferreira
O Espírito Santo lidera o cultivo de mamão no Brasil, respondendo por 30,9% do total colhido no país em 2023. A fruta figura entre as sete principais da pauta de exportação nacional, e o estado mantém a dianteira nos embarques, sobretudo para países da União Europeia. Naquele ano, os pomares capixabas renderam mais de 350 mil toneladas da fruta, com produtividade média de 50 toneladas por hectare ao ano — superior à média brasileira, segundo o Incaper.
No primeiro trimestre de 2025, a exportação do produto apresentou alta de 28%, somando US$ 7,8 milhões. O volume exportado aumentou 26% em relação a 2024, e o preço médio da comercialização aumentou 1,3%, alcançando a faixa de US$ 1,40 por kg. O mamão capixaba chegou a 32 países nesse período, sendo os três principais destinos Portugal, Estados Unidos e Países Baixos.
“O estado é responsável hoje por mais de 38,5% da produção nacional, tendo o mérito de ser o maior produtor em quantidade e com qualidade. A cadeia produtiva do mamão é importante para o Estado, cuja renda rural para os produtores ultrapassou 1,17 bilhão em 2022, equivalente a quase 5% do Valor Bruto da Produção Agropecuária capixaba”, disse o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli.
Embora seja cultivado praticamente em todos os estados, a Bahia e o Espírito Santo são os responsáveis por cerca de 70% da área e da produção de mamão no país. A cultura concentra-se na região norte do estado, cujas condições de solo e clima favoráveis possibilitam sua exploração como atividade agrícola de alta rentabilidade e de grande importância econômica e social. São cultivados mamoeiros tanto do grupo Solo (frutos com 350 e 600 g), conhecidos comumente como mamão Papaia ou Havaí, quanto do grupo Formosa, com frutos maiores, entre 800 e 1.200 g.
Os municípios inseridos na região do Polo de Mamão são: Linhares, Aracruz, Sooretama, Jaguaré, São Mateus, Conceição da Barra, Pinheiros, Boa Esperança, Pedro Canário, Montanha e Mucurici. As lavouras de Formosa estão localizadas, praticamente no extremo norte do Estado, nos municípios de Pinheiros, Pedro Canário, Mucurici, Boa Esperança, Montanha e Conceição da Barra. Já as do grupo Solo concentram-se nos municípios de Linhares, Aracruz, Sooretama, São Mateus e Jaguaré, sendo considerados os principais produtores.
Ao lado do mamão, faz sucesso crescente também a banana. O Espírito Santo é referência nacional na produção da variedade Vitória, desenvolvida pelo Incaper e Embrapa, mais resistente a pragas e à escassez hídrica. Em 2024, foram colhidas 425.161 toneladas no estado, com destaque para municípios como Alfredo Chaves, Itaguaçu e Linhares. A área cultivada cresceu levemente em 2024, chegando a 29.103, contra 28.734 hectares em 2023, segundo o Incaper e a Seag.
Aproveitando o excedente da colheita e os frutos fora do padrão comercial, produtores locais têm investido em novos produtos derivados, como farinha de banana verde, chips naturais e até biomassa para uso culinário e cosmético. Com apoio técnico de instituições como o Ifes e o Incaper, essas iniciativas agregam valor à cadeia produtiva e abrem novas possibilidades de renda rural. Também há estudos sobre o reaproveitamento de cascas e pseudocaules para fertilizantes e bioembalagens, ampliando a sustentabilidade da atividade.

Cacau capixaba
Outro produto do setor tem despertado a atenção no Brasil e no mundo. Trata-se do cacau capixaba. O Espírito Santo é o terceiro maior produtor de cacau do Brasil, com cultivos em 45 municípios capixabas. Linhares é o grande destaque, concentrando 69,78% da produção estadual, segundo informações da Seag. O cacau é uma renda complementar para muitos agricultores e está presente em 2.806 estabelecimentos rurais, 69% dos quais são de agricultura familiar.
Os dez maiores municípios produtores somam mais de 91% da produção, segundo o levantamento da Seag. Só em 2023, estima-se que a produção de cacau alcançou 13,7 mil toneladas (16,7% a mais do que em 2022), em uma área de 17,7 mil hectares. Entre as frutas, o cacau é a terceira na ordem de importância de geração de renda rural, ficando atrás apenas do mamão e da banana.
De acordo com Pablo Lira, diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), o ano de 2024 foi muito bom para a agricultura no estado do Espírito Santo, e as expectativas para o segundo semestre de 2025 são positivas. “A expectativa é que a gente tenha um bom desempenho no nível ou até mesmo melhor do que foi em 2024. E para os próximos anos nossa expectativa, se nenhum fator atípico acontecer, é que a agricultura e a pecuária sigam ampliando sua participação na economia do Espírito Santo, contribuindo para o desenvolvimento do nosso estado e, também, melhorando a qualidade de vida da população com mais geração de emprego e renda e oportunidades de negócios”.
*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil nº 228, de agosto de 2025. Leia a edição completa do Agro aqui.

