Construção de barragens e reservatórios por produtores reduzem impactos da seca e garantem abastecimento em diferentes regiões do estado
Por Daniel Hirschmann
Após avanços no uso mais eficiente da água na agricultura capixaba, com adoção de tecnologias de irrigação e disseminação de conhecimento técnico, especialistas apontam que o próximo desafio está na gestão e no armazenamento dos recursos hídricos. A construção de reservatórios e barragens tem se consolidado como estratégia fundamental para garantir segurança hídrica diante de períodos de estiagem e da crescente demanda por água.
Apesar dos avanços, ainda há desafios a superar. A captação excessiva de água, por exemplo, pode levar à escassez em algumas regiões, especialmente no norte do estado. “Já houve situações, em determinada época do ano, em que a irrigação foi suspensa por decisão judicial. Então, um dos impactos é na captação de água. Pode vir a faltar água para atender a população em algumas localidades”, lembra o professor do Departamento de Engenharia Rural do Centro de Ciências Agrárias e Engenharias da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Giovanni de Oliveira Garcia.
O especialista acrescenta, porém, que esse problema vem sendo minimizado e até solucionado, em algumas regiões, com a construção de reservatórios.
O secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Ênio Bergoli, também cita os investimentos feitos por produtores rurais, nos últimos 30 anos, para garantir armazenagem de água. “Tanto é que agora, num período seco durante o ano passado, os próprios produtores rurais disseram que podiam fornecer água para os demais setores. Eles fizeram o dever de casa”, ressalta.
Além disso, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), desenvolve o Programa Estadual de Construção de Barragens, com foco principalmente em estruturas de médio e grande porte. O objetivo é regular a vazão e ampliar o armazenamento de água para uso múltiplo, atendendo tanto à agricultura quanto à segurança hídrica de pequenas e médias cidades.
“Essa é uma política que temos implementado ao longo do tempo. Obviamente, há períodos mais secos em que precisamos deixar ligar os equipamentos de irrigação só à noite, mas temos atravessado bem essas situações”, observa Bergoli.
Essa matéria é uma republicação da Edição 222 da Revista ES Brasil — Anuário Verde: Água. Confira a revista digital completa clicando neste link.

