Estudo feito em plantação de café conilon no Espírito Santo mostra o potencial que tem a agricultura na neutralização do carbono
Por Kikina Sessa
A agricultura, que já é fundamental e estratégica para o mundo na oferta de alimentos saudáveis, agora ganha destaque no potencial que tem para promover a neutralização do carbono, um dos principais gases de efeito estufa, responsável pelo aquecimento global.
Um dos exemplos vem das lavouras de café conilon do Espírito Santo. Estudo recente, feito pelo governo do Estado com parceiros, revelou que em um plantio de conilon conduzido de forma tradicional, há o sequestro de três toneladas de carbono por hectare. Quando usadas boas práticas agrícolas na produção de café conilon, considerando a produção rural, o sequestro salta para oito toneladas por hectare, ou seja, um adicional de cinco toneladas.
Esse foi um dos temas tratados no painel “O agronegócio brasileiro e os desafios da COP30”, no evento Sustentabilidade Brasil 2025, que acontece até sábado (14), na Praça do Papa, em Vitória. O objetivo é investigar como práticas regenerativas, rastreabilidade e inovação podem tornar o setor agropecuário mais sustentável e produtivo. Enio Bergoli, secretário de Estado da Agricultura, foi um dos painelistas do debate.

Segundo Bergoli, a COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), que acontece em novembro, no Pará, será uma oportunidade para o agronegócio brasileiro firmar a sua posição enquanto setor que consegue reduzir emissões e também fazer o sequestro do carbono.
“Os demais setores da economia apenas podem reduzir as emissões. Portanto, vai caber à agricultura, sobretudo, reduzir e também sequestrar, ou seja, resolver o problema dos demais segmentos da economia”, comenta o secretário.
O Espírito Santo tem um programa de mudanças climáticas que contempla as duas vertentes de adaptação e de mitigação. Dentro desse contexto há um plano de descarbonização em que a agricultura está inserida.
“Todos os nossos programas, como por exemplo a cafeicultura, que é muito hegemônica, já estão dentro do conceito da sustentabilidade. Ou seja, de utilizar práticas sustentáveis e também praticar a agricultura regenerativa”, afirma o secretário.
Mercado de carbono
Também presente no evento, o deputado Aliel Machado (PV-PR), que foi o relator do projeto de lei que regulamenta o mercado de carbono no Brasil, afirmou que a proposta aprovada é um marco na trajetória brasileira em direção à sustentabilidade e ao combate às mudanças do clima. “Temos a oportunidade de unir as duas principais agendas do País em uma só: a discussão econômica e a agenda ambiental.”
O mercado regulado de títulos será implantado de forma gradativa ao longo de seis anos. Denominado de Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), esse mercado permitirá a negociação de Cotas Brasileiras de Emissão (CBE) e de certificados de redução ou remoção verificada de emissões (CRVE).

