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terça-feira, 23 abril, 2024

La vem ela, Sua Majestade, a Inflação

Estamos, novamente, enredados na famigerada inflação

Por Arilda Teixeira

Aquela senhora que se aproveitou do desdém com que o Governo Brasileiro sempre tratou o papel da política monetária para se esparramar de forma incontrolável, desde os anos 1930 subordinando a atividade econômica às suas recorrentes subidas, consolidou a concentração de renda (e a injustiça social), e acolheu tão bem os cofres públicos, o sistema financeiro, e os amigos do sistema financeiro, que eles se tornaram seus sócios.

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Esse estrago foi ampliado por um equívoco de interpretação do Ministro do Planejamento do Governo Castelo Branco, Roberto Campos, que convenceu o País de que a inflação brasileira não tinha solução. Então, o que teria que ser feito era adotar um mecanismo para conviver pacificamente com ela.

Esse mecanismo foi a institucionalização da correção monetária em contratos de longo prazo. Parcialmente, o raciocínio estava correto. Sendo a inflação brasileira cronicamente alta, contratos para serem pagos a posteriori prejudicariam o credor. A correção monetária, restituiria a perda.

O parâmetro da correção foram as ORTN (Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional).

Perfeito, se não tivesse esquecido de um pequeno, mas fundamental, detalhe: correção monetária não impede a ocorrência de choques inflacionários. E, o que é pior, estando a economia inflacionada, esses choques ampliam seus efeitos negativos sobre ela.

Isso foi executado pelo segundo choque do petróleo em 1978. Que selou sua sina de economia cronicamente inflacionada até o Plano Real em 1993, que eliminou a inércia inflacionária e instituiu estabilidade à moeda brasileira. Até aí foram mais de 20 anos de baixo crescimento, dependência externa, e nenhum avanço tecnológico.

Resumindo, um erro, reconhecido pelo próprio Roberto Campos, em entrevista ao Jornal do Brasil, um pouco antes de falecer, cerceou 20 anos de economia, e tudo o mais de negativo que a uma inflação crônica e elevada pode propiciar para seus cidadãos contribuintes.

Seus males não param por aí. O Estado Brasileiro e o sistema financeiro, capitaneados pelas instituições bancárias, tornaram-se sócios da inflação – enquanto o mercado de trabalho informal disseminava subemprego e baixos salários; e o formal, baixos pisos salariais.

Atraso tecnológico, insuficiência institucional, e desigualdade social era o tripé que descrevia a economia brasileira. No final dos anos 1980 o economista Rogério Werneck a chamou de a década perdida.

Neste momento, Brasil e grande parte das economias mundiais, estão sob um choque inflacionário de custo que está elevando os níveis gerais de preços desses países.

Essa realidade confirma o que Roberto Campos compreendeu, embora tardiamente, que nenhuma economia está imune aos choques inflacionários.

A ameaça, agora, é que, novamente, a insensatez tome o País de refém, sob um discurso populista-oportunista, que coloque sob risco o compromisso com o equilíbrio fiscal e a estabilidade da moeda. Choques inflacionários vão e voltam. Mas o País precisa sobreviver a eles. Para isso não podem ser reféns do casuísmo de mentes pernósticas que assombram a gestão pública.

Arilda Teixeira é economista e professora da Fucape Business School.

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