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Telefobia: 56% dos jovens não atendem ligação para não receber más notícias

Uma pesquisa feita no Reino Unido mostra ainda que 23% dos jovens não atendem ligação telefônicas, especialistas explicam o motivo

Por Amanda Amaral

A Geração Z – nascidos entre 2001 e 2010, acostumada com tecnologia desde o início de seu surgimento, tem problemas para lidar com uma comunicação mais antiga, a fala. É o que dizem os especialistas, que explicaram sobre telefobia – ansiedade da ligação por telefone.

A síndrome da telefobia leva a Geração Z a evitar ao máximo atender chamadas telefônicas. Realizada pela plataforma de recrutamento Uswitch, do Reino Unido, uma pesquisa mostrou que 23% dos jovens nunca atendem a chamadas e que 56% acreditam que ela está associada a sempre receber notícias ruins.

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O professor titular do Departamento de Psicologia da Universidade do Espírito Santo (Ufes), Elizeu Borloti, afirma que esta geração está acostumada com a comunicação assíncrona, que ocorre quando se comunica algo sem esperar por uma resposta imediata.

“Esta geração, os chamados nativos digitais, enviam uma mensagem e o outro responde quando puder. Para o outro tipo de comunicação, a síncrona – que acontece em tempo real, na mesma hora, você precisa estar atento ao feedback, as nuances. Eles não têm essa habilidade bem desenvolvida, não sabem lidar com estas situações”, explicou o pós-doutor em Análise do Comportamento.

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Elizeu Borloti ressalta que é importante a conversa tête-à-tête. “A interpretação do texto está relacionada ao leitor e não a quem está escrevendo. Por mais que treinada para modelar o texto com componentes emocionais, utilizando exclamação ou negrito, nem sempre a intenção é captada pelo leitor. Essa geração não sabe lidar com as nuances da fala”, pontua.

O professor explica que, até para pessoas mais velhas, é difícil ter uma conversa ruim. “Você antecipa o assunto difícil, faz uma introdução, a Geração Z não tem essa habilidade. É preciso uma comunicação assertiva, entender o ponto de vista do outro, dizer com clareza ou até mesmo negar o que outro está pedindo”, conta.

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A psicóloga da Unimed Vitória, pós-graduada em Teoria Cognitivo Comportamental (TCC), Leiliane Mielke, explica que o medo de atender ligação pode estar atribuído a várias razões. Uma delas é o fato da Geração Z crescer em um ambiente altamente digital, onde as interações são por mensagem de texto, redes sociais e aplicativos.

“As chamadas telefônicas podem parecer mais intrusivas e diretas, o que pode gerar ansiedade. Além disso, muitos jovens não podem ter experiências prévias positivas com ligações, associando-as a mais notícias ou conflitos, conforme mencionado no estudo da Uswitch”, explica.

Elizeu Borloti é professor na Ufes. Foto: Divulgação
Elizeu Borloti é professor na Ufes. Foto: Divulgação

É importante destacar que, no ambiente de trabalho, a comunicação eficaz é crucial, e a telefobia pode afetar melhorias na colaboração, na resolução de problemas e até mesmo no desenvolvimento de relacionamentos interpessoais: “pode limitar a capacidade dos indivíduos de responder rapidamente a solicitações urgentes ou de participar efetivamente de chamadas de equipe ou reuniões telefônica”, afirma Leiliane Mielke.

A psicóloga alerta que é possível tratar a telefobia. “Geralmente, envolve técnicas de exposição gradual, onde uma pessoa é exposta progressivamente a situações que envolvem telefonemas, ajudando-a a enfrentar e superar o medo gradualmente. A TCC também pode ser eficaz, trabalhando para identificar e mudar padrões de pensamentos negativos associados ao medo de fazer ou receber chamadas”, disse.

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