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Investimento em água e esgoto pode reduzir gastos com saúde em até R$ 50 milhões

Investir em água e esgoto beneficia não só a economia, mas reflete na qualidade de vida da população e em redução de custos em atendimentos de saúde

Por Kikina Sessa

O setor de saneamento básico no Brasil vive um verdadeiro boom de investimentos e expansão desde a promulgação de seu Marco Regulatório (Lei 14.026/2020). Dados da Abcon Sindicon mostram que, entre 2019 e 2023, foram implantados mais de 197 mil quilômetros de redes de água e esgoto. A infraestrutura de abastecimento de água cresceu 21%, com 142,3 mil quilômetros de novas tubulações, enquanto a rede de esgoto teve um aumento de 16%, com 55,3 mil quilômetros adicionais.

Impulsionadas pela entrada do setor privado, as empresas do setor investiram R$ 84 bilhões entre 2020 e 2023, gerando empregos, movimentando a economia e promovendo melhorias na saúde e qualidade de vida. 

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“Apesar da transformação de todo o setor, com investimentos já efetivados e aqueles já comprometidos a partir de leilões, a realidade é que o Brasil ainda tem um longo caminho para cumprir as metas ousadas do Marco Regulatório do Saneamento: alcançar 99% da população com acesso à água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033. Essa universalização perpassa por alguns desafios para o setor: acesso à financiamento de projetos, regionalização das concessões, melhoria da cadeia de suprimentos e logística e simplificação dos licenciamentos e outorgas ambientais”, explica Nathalia Barreto, sócia do escritório Razuk Barreto Valiati.

Cerca de 32 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água potável, 90 milhões convivem com a ausência de coleta e tratamento de esgoto e 4,4 milhões vivem em residências sem banheiro, de acordo com o Instituto Trata Brasil. “O acesso ao saneamento básico gera uma economia milionária aos cofres públicos, é um investimento na qualidade de vida da população”, destaca Nathalia.

Em 2024, por exemplo, o Brasil registrou 344,4 mil internações por Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAI). O número é quase a metade do registrado em 2008, período do estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil, com redução média anual de 3,6% desses casos ao longo dos últimos 16 anos. 

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Nesse grupo de doenças, encontram-se as de transmissão feco-oral (diarreias e cólera), por insetos vetores (dengue), por contato com a água, relacionadas à higiene (conjuntivite e dermatofitoses), entre outras. 

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“A universalização do saneamento poderia reduzir as internações devido a essas enfermidades. Estima-se que a melhora desses índices resultaria em uma economia de quase R$ 50 milhões aos cofres públicos, considerando um custo médio de R$ 506 por internação”, detalha Nathalia.

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