Bruno Resende alerta para a subutilização de 1,3 mil leitos no interior e defende ampliar acesso e reduzir a pressão sobre a Grande Vitória
Por Denise Miranda
O presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, deputado Dr. Bruno Resende, defendeu na terça-feira (18) a criação de uma política estadual para integrar os hospitais de pequeno porte (HPP) à rede pública do Espírito Santo. São 36 unidades em funcionamento no Estado, somando 1.325 leitos — muitos deles subaproveitados e localizados em regiões estratégicas do interior.
O deputado reconheceu os investimentos do governo em novas unidades hospitalares, mas argumentou que os HPP podem desempenhar um papel decisivo na descentralização do atendimento. “Temos unidades em todo o Espírito Santo, muitas construídas com recursos públicos e filantrópicos. São mais de mil leitos capilarizados, perto da população. Isso reduz deslocamentos e desafoga a região metropolitana”, afirmou.
Representando a Secretaria de Estado da Saúde, Rose Mary Santana destacou a importância de fortalecer a atenção primária como base da rede estadual.
SANTA LEOPOLDINA
A audiência apresentou experiências que reforçam o potencial desses hospitais. O Hospital Evangélico de Santa Leopoldina passou por uma reestruturação após ser incorporado pela Associação Evangélica Beneficente Espírito-Santense (AEBES), em abril de 2023. Apesar de contar com apenas 25 leitos, a unidade recebeu gestão profissionalizada, planejamento estratégico, implantação do Núcleo de Segurança do Paciente, padronização documental e capacitação contínua da equipe.
O esforço resultou na Certificação ONA Nível 2. Para o presidente da AEBES, pastor Rodrigo André Seidel, a conquista simboliza resistência: “Uma autoridade chegou a recomendar o fechamento do hospital. Ainda bem que insistimos e mantivemos as portas abertas”.
MUNIZ FREIRE
A Santa Casa de Misericórdia Jesus Maria José, única unidade hospitalar de Muniz Freire, também vem passando por modernização. Entre 2022 e 2025, foram realizadas reformas do Pronto-Socorro e do Centro Cirúrgico, climatização de áreas, troca de mobiliário, criação do ambulatório de especialidades e revitalização da pediatria e do setor de esterilização.Fundada em 1942, a instituição filantrópica ampliou a oferta de serviços e reforçou o atendimento à população local e regional.
Ao encerrar os debates, Dr. Bruno Resende afirmou que o Estado tem uma oportunidade concreta de reorganizar o uso dos HPP. “Precisamos de uma política de credenciamento. São mais de mil leitos praticamente prontos, que não exigem grandes investimentos e estão perto de quem mais precisa. Isso é dignidade”, concluiu.

