A revista ES Brasil chamou três especialistas para debater o assunto frequente na educação; confira
Professores e pedagogos enfrentam um grande problema nas salas de aula: o aumento da violência e indisciplina por parte dos alunos. Pesquisa feita pela Secretaria de Educação de São Paulo, em 2022, apontou que houve um aumento de 48,5% dos casos de agressões físicas nos dois primeiros meses de aula deste ano, em comparação à 2019, ano em que as aulas presenciais aconteciam normalmente.
Especialistas apontam que algumas das causas da indisciplina escolar são: falta de autoridade do professor; falta de motivação; ambiente familiar conflituoso; e conflitos interpessoais. Aí que vamos ao tema deste ES Brasil Debate: Indisciplina em sala de aula é reflexo da educação em casa ou de uma escola não atrativa?
Para debater o tema, mediado pelo articulista da ES Brasil, Pablo Lira, trazemos Cleonara Maria Schwartz, professora do Departamento de Linguagens, Cultura e Educação da Ufes, Michele Rodrigues, neuropsicopedagoga e psicanalista com foco no atendimento de crianças, e Daniela Zilz, diretora do Colégio Batista Brasil de Porto Alegre.
Para Michele, a educação recebida em casa influencia bastante nos quadros de indisciplina na escola. “Muitas vezes, os responsáveis transferem a responsabilidade da educação de valores, moral e outras coisa para a escola, por conta do tempo que a criança convive no ambiente escolar”.
Cleonara apontou a individualização da criança como fato importante para lidar com as situações de conflito, que nem sempre podem ser chamadas de desobediência. Ao mesmo tempo, aproveitar estes momentos para desenvolver a capacidade de socialização deste estudante.
“O perigo de acharmos que é sempre desobediência. Sempre que a gente coloca como desobediência a gente incide a responsabilidade apenas no aluno ou na família. Numa perspectiva de uma educação no século XXI -e que requer uma sintonia bem rápida porque a tecnologia e nossas relações estão sendo rápidas e dinâmicas – é importante que essa questão da indisciplina seja entendida sempre sobre uma possibilidade de diálogo para que a gente possa desenvolver a capacidade dos nossos estudantes de aproveitar estes momentos em conflito, principalmente dentro da escola, para aprender novas formas de socialização, humanização, respeito e ética. E isso se faz vivenciando espaços que demandem mais participações destes estudantes, principalmente na construção de regras a serem construídas para que se possa ter um ambiente escolar de uma forma organizada sem apagamento das individualidades”.
Já Daniela concordou com a forma como Cleonara conceituou a indisciplina e levantou o ponto de que a família precisa estar mais presentes e dialogar sempre com a escola. “Cada uma vai dar uma criação para o seu filho dentro dos valores que eles consideram mais importante e a escola coloca todos estas crianças com diferentes criações, valores e estilos de vida. Com certeza, conflitos vão existir… A família precisa criar um ambiente positivo, passar confiança para a criança na escola que ela escolheu. Também é preciso mostrar que a criança pode se engajar nas diversas atividades da escola e qualquer coisa conversar na escola”.
*Debate publicado originalmente em 7 de outubro de 2024

