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Duplicata escritural: entenda o impacto no acesso ao crédito

Sistema da duplicata escritural digitaliza recebíveis, aumenta a segurança das operações e amplia o acesso ao crédito empresarial

Por Letícia Arcanjo

Um novo modelo de crédito deve mudar a forma como empresas brasileiras transformam vendas a prazo em capital de giro. A duplicata escritural, em fase de implementação no país, promete reduzir burocracias, aumentar a segurança das informações e ampliar o acesso ao crédito, com potencial de impacto também na economia do Espírito Santo.

A duplicata escritural é um sistema que transforma títulos de crédito em registros digitais supervisionados pelo Banco Central, ampliando a transparência e a segurança das operações. A expectativa é que o modelo facilite o acesso ao crédito, aumente a concorrência entre instituições financeiras e reduza custos para os empresários.

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Na prática, o sistema substitui documentos físicos por registros eletrônicos em plataformas autorizadas, vinculando cada duplicata à nota fiscal correspondente. Com isso, cria-se uma base padronizada e rastreável das operações comerciais, o que reduz riscos de fraude, duplicidade de recebíveis e inconsistências de informação.

O presidente da CDL Vitória, Rogério Alcantara, explica que as informações financeiras passarão a ser enxergadas pelo mercado financeiro com mais agilidade, segurança e transparência, permitindo sua utilização em operações de crédito. 

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“Com maior segurança nas informações, os riscos de fraude diminuem consideravelmente, fazendo com que o custo financeiro seja reduzido, agilizando as operações, e permitindo que empresas que não conseguem utilizar essas linhas de créditos de desconto de títulos, passem a ter acesso a elas, além de melhorar as relações das empresas que já utilizam esse canal de credito”, afirma.

A iniciativa, que integra uma agenda regulatória do Banco Central, busca corrigir um problema comum no ambiente empresarial, que é o descompasso entre o prazo de recebimento das vendas e as despesas operacionais, como folha de pagamento, fornecedores, impostos e aluguel, o que frequentemente pressiona o fluxo de caixa e limita investimentos.

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Com o novo modelo, os recebíveis das empresas passam a ser estruturados em ambiente digital e podem ser ofertados a diferentes instituições financeiras, ampliando a concorrência e as possibilidades de negociação.

Espírito Santo

Alcantara aponta que para a economia do Espírito Santo o impacto será positivo a longo prazo, pois disponibilizará um canal de crédito para todos os setores formais da economia. O presidente ressalta que as empresas que trabalham com informalidade terão que rever sua estrutura para alcançarem esses benefícios.

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Rogério Alcantra é presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Vitória. Foto: Divulgação

“Mesmo tendo uma pulverização de pequenos e médios negócios no ES, normalmente essas empresas já se relacionam com grandes empresas aqui instaladas, e de um modo geral apresentam um nível de organização alto devido as exigências do perfil dos clientes e fornecedores. Portanto, grande parte dessas empresas terão pouca ou quase nenhuma dificuldade em se preparar para essa nova realidade, e consequentemente a relevância da duplicata escritural tende a ser alta para o nosso Estado”, destaca.

Prazos

Segundo dados do Governo Federal, a implantação da duplicata escritural será feita de forma gradual. A adesão voluntária por todas as empresas está prevista para 2026. Já a obrigatoriedade começa a valer para as grandes empresas até o final de 2026 e, posteriormente, será estendida às médias e pequenas empresas até o fim de 2027.

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